Terça-feira, 2 de Maio de 2006

Resposta ao desafio de Bergson - Maria Vieira

Embora aparentemente imóveis continuamos em movimento, em transformação contínua. Parecendo um contra-senso, esta frase tem, no entanto, uma explicação. Enquanto que o nosso corpo se mantém aparentemente imóvel, o interior está em constante mutação porque se transforma com o que acontece. As ideias na nossa mente estão em sistemático cruzamento e a nossa memória não pára. A forma como vemos o mundo e o que o rodeia está dependente disso mesmo, ou seja, da forma como a nossa vida é vivida antes.

 

Desta forma, a noção qualitativa de tempo coloca em causa a dicotomia: somos fundamentalmente influenciados pelo meio e pelos outros? Ou somos seres livres e totalmente autónomos? Partindo da noção de duração, tanto somos livres como influenciados. Por isso, as nossas acções e a nossa visão do mundo, no meio deste fluxo contínuo de mudança, dependem em parte de nós (da nossa consciência do processo) mas também dos efeitos dos outros em nós e das possibilidades do meio em que vivemos.

  

Maria Vieira

Aluna do 1º ano de Sociologia da Univ. do Minho

nº 47777

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Terça-feira, 28 de Março de 2006

Resposta à questão do Bergson - Nicolau, Ana Margarida e Miguel

Construo uma linha, e dela quero somente retirar uma ou varias parcelas, e com essas pequenas partes quero construir um mundo isolado de recordações. Sonho este em que vivo onde da vida podemos retirar as coisas que achamos que não nos fazem falta, e que atrapalham o nosso futuro, porque estão presas ao nosso passado.
Se a nossa vida é um ciclo continuo, se é impossível apagar seja o que for, em que o minuto que nos antecede vai influenciar o segundo seguinte que vai condicionar o milésimo futuro, sinto-me tentado a pensar que, ao dividir a nossa vida em pequenas parcelas temporais, podemos, de alguma forma, esconder dos outros o que fizemos, mas jamais podemos retirar, de dentro de nós, as marcas desse espaço tempo.
Viajo, e volto ao meu sonho onde o tempo não existe, e onde tenho somente medo de acordar, e voltar a viver condicionado por relógios, pelo tic-tac constante, que me obriga a calendarizar todos os meus passos.
Mas ainda estou no sonho e a realidade confunde-me, porque tudo é ficção. Contudo, a mistura de cores que ocorre dentro de mim recorda-me o meu passado, e intromete-se com o meu futuro, condiciona o sorriso de alguém, como se de realidade se tratasse, onde é impossível separar-me de tudo o que se passou lá atrás, onde tenho a capacidade de decidir o que quero, e sinto-me preso ao surrealismo das palavras que digo agora sem querer, e dou por mim outra vez preso num sonho, onde a vida flúi ao sabor de uma leve brisa que se transforma em tempestade quando do céu soa o alarme de um qualquer despertador. Este traz-nos de volta à realidade, onde estamos condicionados pelo sonho, que faz parte da nossa linha temporal completamente povoada por pequenos sinais de transito que nos permitem avançar ou parar a cada estimulo sentido no presente. Mas sinto que existe mudança, que o agora não é igual ao ontem, mesmo sabendo que o ontem vai condicionar o meu presente, pois o ontem esta mesmo aqui ao meu lado, é o segundo que passa, é cada palavra que deixo aqui escrita. Mesmo que pare a olhar para o quadro da minha parede, mesmo sabendo que ele não vai alterar um milímetro a sua posição, que as cores não se vão voltar a misturar, e que cada traço vai permanecer no mesmo sitio, a minha visão dele agora já não e igual ao que vi a um pouco. Sinto que mais importante que a variação espaço-tempo, que ocorre nas nossas vidas e que não podemos controlar, é a visão que guardámos dentro de nós do que vimos no passado. Se caminhar dentro do meu quarto de olhos vendados, eu sei que não vou embater em nada, porque recordo a posição de cada objecto, da mesma forma que se voltar agora a olhar para o quadro, ele vai ser igual áquilo que vi há pouco, mas sei que isso só é possível porque construí uma imagem sólida dele dentro de mim (petrificada, reificada) que me ajuda a reconstruir, sempre que olho para ele, a mesma imagem a partrir de uma ausência. Quero voltar a ser criança, e poder pensar que um simples pau pode ser uma arma, pode ser uma nave espacial, quero voltar a sonhar, poder caminhar despreocupado com o tempo, quero ser Peter Pan, fugir para a terra do nunca, onde o maior inimigo, até do senhor mau e o tempo.
Estou outra vez preso no sonho, no sonho que é a vida, onde a única diferença que do verdadeiro sonho existe é o relógio, porque a condição de existência entre um e outro é a mesma, a mistura do ontem com o hoje.
Mas, de olhos abertos, a fantasia é diferente, porque olhamos para o relógio e pronunciamos ontem, enquanto que no desassossego nocturno do sono, o ontem, o agora e o futuro são uma mistura de vida, que afinal nada mais é que a verdadeira vida, sem diferença baseada numa espacialização temporal, sem a organização translúcida que nos afasta lamentavelmente do acontecimento vivido.
Nicolau Roque nº47831
Ana Margarida Neto nº47835
Miguel Azevedo nº47794
1º ano de Sociologia da Universidade do Minho

Março de 2006

Resposta à questão de Bergson - Angelina Rodriques

Resposta à questão de Bergson

Existem duas concepções de tempo: o tempo-espacial que a ciência utiliza que é algo sem duração; e outra, o tempo-real que passa incessantemente como um fluxo, ou seja, a duração. A duração é o que devemos ter em conta.
A aluna olha para uma esferográfica que é um objecto exterior, imóvel. Ela vive num constante fluxo de sensações, e o olhar é algo que faz parte do seu estado interno.A esferográfica parece não ter qualquer alteração, mas a visão que a aluna tem dela é diferente a cada instante que passa, porque existe o factor duração, a sua visão envelheceu.
A memória da aluna aumenta com a duração, porque esta é o prolongamento contínuo do seu passado. Houve portanto uma mudança contínua.

Maria Angelina Pinto Rodrigues
1º Ano Sociologia
Nrº 47774
Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

Texto da aluna Andreia Pereira a partir da ideia de "duração" em Henri Bergson

Um desafio...

A partir do texto anterior de Bergson (ver na entrada anterior do blog), no dia 19 de Abril de 2005, na aula teórica de Metodologia das Ciências Sociais, surgiu uma questão.

Pediu-se a uma aluna que durante um espaço de tempo limitado permanecesse imóvel a olhar para uma esferográfica.

Em seguida houve um pequeno debate em torno desta questão:

- Será que durante um determinado espaço de tempo assinalado pelo professor houve ou não uma mudança na consciência dessa aluna?

O debate não produziu nenhuma conclusão clara, mas surgiram duas posições.

A primeira defende que, durante aquele “espaço de tempo”, não houve nenhuma mudança na sua consciência.

Outros alunos apresentaram uma posição diferente: houve uma mudança devido ao movimento do sangue, oxidação das células, trocas químicas no cérebro, etc.

No entanto, o professor sugeriu que existia uma outra mudança que não se reduzia ao nível físico-químico. É este o desafio!

Foram dadas duas pistas: uma sugerindo que a percepção e o cérebro mudou e uma outra dizendo que a aluna, durante a experiência, estava sempre consciente produzindo significação.

Aceitam-se respostas a esta questão, via e-mail do Blog [jpneves2005@yahoo.com.br], até ao dia 28 de Abril de 2005. As melhores respostas serão publicadas neste weblog. Por favor, indiquem no vosso mail que o assunto é "Resposta à questão de Bergson"acrescentado o vosso nome e número.

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Resposta de  Andreia Pereira


"Relativamente à experiência

Como a aluna se limitou a olhar a caneta, o facto de só existir,
naquele momento, a caneta, provavelmente deu ao objecto “caneta” uma outra
importância. A caneta já existia na sua mente, com significado de
utilidade, provavelmente só com esse significado. O facto de ter percepcionado e
de ter dado mais atenção à caneta submetida na experiência, começou a
interiorizar a sua textura, cor e a mente dela começou a absorver aquelas
características. Com esta percepção, é evidente que não apagou todas as
outras percepções que teve anteriormente com objectos semelhantes e com a
denominação de “caneta”. A nova percepção apenas foi acumulada às que já tinha antes deste
exercício.

   Na minha opinião, ficamos com a ideia do objecto pela percepção mais
recente, mas sem esquecermos o passado, ou seja, sem esquecermos as
percepções anteriores.


   Passo a dar outro exemplo, esquecendo por momentos o exercício da
caneta. Se uma pessoa não visse um amigo desde há 50 anos atrás e apenas tivesse
uma fotografia desse tempo, provavelmente, a imagem que tinha em mente do
amigo era aquela, porque não tinha uma percepção mais recente. No entanto, se
ele lhe enviasse uma fotografia sua de há 10 anos atrás, a pessoa não iria
esquecer a fotografia de há 50 anos. A imagem com que ficava do amigo era
mais recente. Contudo se por acaso se encontrasse hoje, pessoalmente, com o
amigo voltaria a não esquecer as fotografias, mas voltaria a ficar com a
imagem mais recente na mente.

   A conclusão a que cheguei foi que, mesmo tendo imagens/percepções novas em mente, estas apenas são acumuláveis, pois as anteriores não desaparecem".


Andreia Pereira nº 43928
1º Ano de Sociologia,
Metodologia das Ciências Sociais -
Abril de 2005

Quinta-feira, 6 de Maio de 2004

Comentário ao texto de Bergson "A nossa consciência normal do tempo"

From: "Elsa Esteves" To: jpneves2004@yahoo.com.br Subject: Comentário ao texto de Bergson Date: 13 de abr de 2004 3:12 PM Penso que é uma atitude bastante premeditada de Bergson. Contudo tem uma visão atraente do ponto de vista distintivo no sentido em que distingue dois mundos, um psicológico (isto é a minha concepção), e outro real, que, como diria Pessoa, é "o tempo que faz correr os rios e florescer os montes..."! No entanto, aprecio a sua apreciação como uma lógica funcional e estrutural para subjugar duas realidades distintas: as que ocorrem num universo homogéneo e as que decorrem de uma absorção temporal que a consciência individual organiza diferindo de ser para ser. Ocorre dizer que se um texto é redigido em cinco minutos de tempo "real" poderá o não ser se as concepções mentais de tempo no espaço, para quem o concebe, estiverem rodeadas de dificuldades de execução ou de outro género de adversidades deixando-o assim num estado de "sonolência mental sem noção temporal", o que poderá alongar ou encurtar o espaço de tempo percorrido desde o início até à conclusão. Dessa forma, subscrevo Bergson quando este se refere às duas formas de multiplicidade: a primeira na duração homogénea, autêntica, "real", e na segunda refiro a circunstancial, qualitativa, tridimensional... PS: gostaria que me enviasse informações acerca do trabalho prático deste semestre Obrigado pela atenção
Terça-feira, 13 de Abril de 2004

"A nossa consciência normal do tempo" Henri Bergson

"Aquilo que demonstra concretamente que a nossa concepção ordinária da duração tende a uma invasão gradual do espaço no domínio da consciência pura, é o facto de, para arrancar ao eu a faculdade de perceber um tempo homogéneo, ser suficiente retirar-lhe essa capa mais superficial de factos físicos que ele emprega como reguladores". "O sonho coloca-nos precisamente nestas condições, porque o sonho, ao reduzir o jogo das funções orgânicas, modifica especialmente a superfície de comunicação entre o eu e as coisas exteriores. Então não medimos a duração, mas sentimo-la; de quantidade passa ao estado de qualidade; a apreciação matemática do tempo transcorrido deixa de fazer-se, cedendo o lugar a um instinto confuso, capaz, como todos os instintos, de cometer grosseiros desprezos e também às vezes de proceder com uma segurança extraordinária". "Inclusive no estado de vigília, a experiência diária deverá ensinar-nos a estabelecer a diferença entre a duração-qualidade, aquela que a consciência alcança de modo imediato, a de que provavelmente se apercebe o animal, e o tempo por assim dizer materializado, o tempo feito quantidade por um desenvolvimento no espaço. No momento em que escrevo estas linhas, soa a hora num relógio vizinho; mas o meu ouvido, distraído, não se apercebe dela até que já soaram vários toques; mas no entanto não as contei. E, não obstante, basta-me um esforço de atenção retrospectivo para fazer a soma dos quatro toques que já soaram, e juntar-lhes os que oiço. Se, entrando em mim mesmo, me interrogo então cuidadosamente sobre o que acaba de ocorrer, dou-me conta que os primeiros quatro sons haviam alcançado o meu ouvido e inclusive comovido a minha consciência, mas as sensações produzidas por cada um deles, em vez de justapôr-se, haviam-se fundido uns nos outros, de tal modo que dotavam o conjunto de um aspecto próprio, de tal modo que faziam dele uma frase musical. Para avaliar retrospectivamente o números de toques, tratei de reconstruir essa frase mediante o pensamento; a minha imaginação fez soar um toque, logo dois, logo três e quando cheguei ao número exacto de quatro, a sensibilidade, consultada, respondeu que o efeito diferia qualitativamente. Havia comprovado, portanto, a sucessão dos quatro toques dados, mas de forma muito diferente da adição e sem fazer intervir a imagem de uma justaposição de termos distintos. Em poucas palavras, o número de toques foi percebido como qualidade, e não como quantidade; a duração apresenta-se assim à consciência imediata e conserva esta forma enquanto não cede o lugar a uma representação simbólica, extraída de extensão". "... distinguimos duas formas de multiplicidade, duas apreciações muito diferentes da duração, dois aspectos da vida consciente. Por debaixo da duração homogénea, símbolo extensivo da autêntica duração, uma psicologia atenta distingue uma duração cujos momentos heterogéneos se penetram; por debaixo da multiplicidade numérica dos estados conscientes, uma multiplicidade qualitativa; por debaixo de eu em estados bem definidos, um eu em que a sucessão implica fusão e organização. No entanto, nós contentámo-nos na maioria das vezes com o primeiro, ou seja, com a sombra do eu projectada no espaço homogéneo. A consciência, atormentada por um insaciável desejo de distinguir, substitui o símbolo à realidade, ou só percebe a realidade através do símbolo. Como o eu, assim reflectido, e também subdividido, se adequa melhor às exigências da vida social em geral e à linguagem em particular, ela prefere-o e perde paulatinamente de vista o eu fundamental". Henri Bergson, Essai sur les données inmédiates de la conscience, Paris, PUF, 39ª Ed., 1889, pp. 94-96

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