Quinta-feira, 25 de Maio de 2006

Aula Teórica de 30 de Maio de 2006

Sumário

As ciências sociais: os pressupostos teóricos dos investigadores. O subjectivismo e o objectivismo. Uma síntese das aulas do 2º semestre.

A investigação científica não está imune aos pressupostos teóricos dos investigadores. Como dizem Burrel e Morgan (1979), apenas quando se descobrem os pressupostos teóricos básicos, que se encontram subjacentes aos trabalhos, é possível encontrar afinidades e estabelecer as linhas divisórias das diversas abordagens.

Seguindo Burrel e Morgan, há que conceber as ciências sociais, na forma como encaram a natureza da ciência social, em termos de quatro conjuntos de pressupostos.

Estes relacionam-se com:

1 - a ontologia,

2 - a epistemologia,

3 -a natureza humana

4 - e a metodologia.

Existem dois pólos ou extremos em que os autores situam num eixo que vai de um lado a outro: o pólo objectista e o subjectivista.

 

Principais Perspectivas Teóricas na Abordagem das Ciências Sociais

 

Subjectiva

Perspectiva

Objectiva

Nominalismo: construtivismo

A posição nominalista desenvolve-se na presunção de que não existe nenhuma estrutura real.

Os nomes usados não passam de criações artificiais, cuja utilidade é meramente instrumental e destinada a servir de meio à negociação com o mundo exterior.

Perspectiva ontológica, ou do ser

O realismo, ao contrário, postula a existência de estruturas exteriores ao indivíduo e à sua consciência, como entidades empíricas e tangíveis. Para os seus seguidores, o mundo social existe independentemente da apreciação individual do mesmo. O indivíduo é visto como tendo nascido dentro dele, mas o mundo social não é algo criado, antes existe fora do próprio indivíduo.

ANTIPOSITIVISTAS

Estes autores não são positivistas. Seguem a dúvida de David Hume pondo em causa a possibilidade de construir essas leis, recusam as relações lineares entre causa e efeito.

Perspectiva epistemológica salienta a oposição entre o antipositivismo e o positivismo.

POSITIVISTAS

Uns defendem a capacidade de explicar e de predizer o que acontece no mundo social, através da busca das regularidades subjacentes, leis sociais e relações lineares de causa e efeito entre os seus elementos constitutivos.

No outro extremo, podemos identificar a posição voluntariosa para quem o homem tem um alto grau de autonomia e liberdade.

Perspectiva sobre a natureza humana.

O voluntarismo/determinismo, procura-se evidenciar o debate sobre a natureza humana. Que modelo de homem é apresentado na teoria social científica?

Num extremo, podemos encontrar a visão de que o homem na sua acção é determinado pela envolvente.

A configuração ideográfica acentua a compreensão do mundo social através da análise do subjectivo que cada um gera (getting inside), metendo-se na situação e envolvendo-se no seu quotidiano. Defende um certo individualismo metodológico (expressão criada por Weber)

Metodologia

A nomotética, pelo contrário, enfatiza o desenvolvimento da investigação dentro de protocolos estabelecidos e técnicas específicas. Situa-se no âmbito do método das ciências em geral, baseado no teste da hipótese.

A tradição antipositivista, marcada pelo idealismo alemão, é oposta a esta. É marcada pela premissa de que a realidade é a do espírito ou da ideia, mais do que dados extraídos da percepção humana. É essencialmente nominalista na sua abordagem da realidade social e humana. Em contraste com a posição das ciências naturais, esta tradição reforça a natureza, essencialmente subjectiva, dos problemas sociais e humanos, negando a utilidade dos estudos que se deixam guiar por métodos e técnicas de pesquisa provenientes das ciências naturais. É antipositivista na abordagem epistemológica, voluntarista na forma como olha a natureza humana, e ideográfica na metodologia que adopta no estudo da realidade social e humana.

Duas tradições

Estas posições, extremas, reflectem as duas maiores tradições que têm dominado as ciências sociais.

O positivismo reflecte essencialmente a tentativa de aplicar modelos e métodos das ciências naturais no estudo dos problemas sociais e humanos. Trata o mundo social e humano como se do mundo natural se tratasse, adoptando ontologicamente uma posição realista . Esta posição é apoiada por uma epistemologia positivista, por uma visão determinista da natureza humana e pelo uso de uma metodologia claramente nomotética.

O positivismo funda-se em duas grandes teses. A primeira encara a História em abstracto, e vê aí uma linha de progresso do desenvolvimento humano. A segunda baseia-se na ideia de que existe uma hierarquia das ciências, onde a Matemática estaria na base da escala e a Sociologia no topo.

Preocupada com os procesos que criam a ordem social e acoesão.

Microperspectiva

Preocupada com o problema do controlo humano sobre as instituições sociais.

Ênfase nos significados sociais e na variedade de interpretações.

Sublinha a realidade social subjectiva.

Ênfase nos processos pelos quais as pessoas activamente constroem e reconstroem a ordem social à volta delas.

Exemplos:

-A sociologia de Weber.

-O interaccionismo simbólico (Howard S. Becker: Outsiders - os fumadores de marijuana).

-A sociologia fenomenológica (Schütz); a etnometodologia (Garfinkel: os experimentos de ruptura).

- a nova sociologia da ciência e da tecnologia (construtivismo social, teoria do actor-rede de Bruno Latour)

-Algumas variedades da sociologia marxista - o neo-marxismo da Escola de Frankfurt (WALTER BENJAMIM, ADORNO, HORKHEIMER, HABERMAS).

A visão de um construtivismo contextualizado de Giddens aproxima-se deste pólo.

Abordagem da Realidade Social

Ocupa-se dos sistemas e estruturas sociais.

Macroperspectiva.

Ocupa-se da acção e integração social.

 Ênfase nos sistemas globais de valores da sociedade.

Sublinha a realidade social objectiva.

 

Ênfase na ordem social como algo que é dado ou herdado do passado.

Exemplos:

-A sociologia de Durkheim (VER O ESTUDO SOBRE O SUICÍDIO).

-A sociologia estrutural-funcionalista de Parsons.

- a análise funcional (Merton e Paul Lazarsfeld na metodologia - VER O ESTUDO SOBRE O VOTO NOS EUA)

-Algumas variedades da sociologia marxista

 

 

 

- A visão do estruturalismo estrutural de Bourdieu aproxima-se mais deste polo.

 

NOTA IMPORTANTE

Este quadro não deve ser lido dicotómicamente. Muitos cientistas sociais têm desenvolvido a sua investigação seguindo uma destas tradições, posicionando-se nos extremos, ou localizando-se ao longo dos pontos intermédios deste contínuo.

Noutros casos colocam em causa estas divisões defendendo uma tese aparentemente paradoxal: um construtivismo realista (caracteriza, segundo alguns actores, a teoria do actor-rede de Bruno Latour - ver aula teórica de 2 de Maio de 2006).

Este esquema baseia-se em:

G. Burrel e G. Morgan, Sociological paradigms and organizational analysis, Londres, Heineman, 1979.

Quarta-feira, 24 de Maio de 2006

Texto a usar no exame: entrevista a Howard S. Becker

Este texto (toda a entrevista que está AQUI) será a base do exame na parte referente ao 2º semestre (em relação ao 1º semestre, mantém-se o texto da Donna Haraway). Irei publicar neste blog as partes que considero mais importantes que serão usadas como base das questões do teste. Podem fazer o seguinte exercíco: imaginar perguntas passíveis de saírem no teste. Este treinamento para o teste tem vindo a ser feito durante as últimas aulas práticas (24 de Maio e 31 de Maio).
NOTA IMPORTANTE (acrescentada em 6 de Junho de 2006): ver AQUI a recensão deste texto sobre a metodologia de Becker - Howard S. Becker, Tricks of the Trade. How to Think about your Research While You’re Doing It, Chicago, Chicago University Press, 1998, 232 p.

Como citar este artigo:
Elizabeth Travassos, "Tricks of the trade. How to think about your research while you’re doing it", in Mana [online], Out. 1999, Vol.5, no.2, pp.180-183. Protocolo disponível na World Wide Web em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93131999000200009&lng=es&nrm=iso [consultado em 6 Junho de 2006].


Entrevista a Howard S. Becker
Ver o texto completo da entrevista neste site:
http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/69.pdf

Ver estes TRÊS excertos:
1º EXCERTO (pp. 118-119)

Entrevista a Howard S. Becker
"A.A. - A metodologia utilizada pelos primeiros pesquisadores de Chicago foi amplamente difundida, não só no resto dos Estados Unidos como na Europa. Como ocorreu essa difusão?
- Na verdade, naquela época não havia metodologia. Isso só veio depois. Nos primeiros tempos as pessoas estavam simplesmente inventando métodos de pesquisa, pois isso era uma coisa que não existia.
G.V. - Você acha que nesses primeiros tempos não havia um projecto consciente de orientação metodológica?
- Não havia. Você pode ver isso na maioria dos trabalhos de Thomas. Ele e os demais simplesmente inventaram, criaram métodos para si próprios, autobiografias de camponeses, analisando as suas cartas ou fazendo entrevistas. De certo modo isso era muito revolucionário, porque até então a maioria das pesquisa era feita em bibliotecas. Um dos livros anteriores de Thomas mais importantes era um sobre antropologia.[W. I. Thomas, Source Book for Social Origins: Ethnological Materials, Psychological Standpoint, Classified and Annotated Bibliographies for the Intepretation of Savage Society. Chicago, University of Chicago Press, 1909.] Mas para escrever esse livro, ele foi para a biblioteca e leu todos os relatos de missionários, negociantes, exploradores, etc. De toda forma, o problema da metodologia não se colocou logo, veio um pouco depois.
G.V. - Você mencionou Small, Thomas...
- E falta mencionar Robert Park, a pessoa mais importante no desenvolvimento da sociologia americana e no Departamento de Sociologia de Chicago. Park era filho uma próspera família do Meio-Oeste, nascido em Omaha, Nebraska, e fez o seu doutorado na Alemanha, onde estudou com Simmel. Sua tese chama-se The Mass and the Public as Forms of Collective Action.
Depois da Alemanha, voltou para os Estados Unidos e durante algum tempo ensinou filosofia em Harvard. Tornou-se então jornalista e, se estou bem lembrado, foi editor-chefe do Detroit Free Press, o principal jornal da cidade de Detroit. Foi secretário de uma organização destinada a salvar o Congo do rei Leopoldo da Bélgica, que havia imposto um dos regimes mais terríveis que jamais existiram. Escreveu um trabalho sobre o Congo e tornou-se ghost-writer de Booker T. Washington, o líder negro. Escreveu vários dos livros que saíram no nome de Washington.
Finalmente, conheceu W. I. Thomas, que lhe ofereceu um lugar na Universidade de Chicago por um ano. Depois desse ano foi efetivado, e assim, aos 50 anos de idade, tomou-se professor universitário. Não teve uma carreira muito longa como professor, mas foi muito influente.
Robert Park criou na Universidade de Chicago um enorme projecto de pesquisa. Escreveu um ensaio chamado "A cidade: sugestões para a investigação do comportamento humano no meio urbano" [Este artigo foi publicado pela primeira vez em American Journal of Sociology, XX (Mar. 1916), pp. 577-612. A tradução brasileira está em Otávio Guilherme Velho (Org. e introd.), O fenômeno urbano, Rio de Janeiro, Zahar, 1967.] que foi traduzido em diversas línguas e é muito conhecido. Este ensaio consiste em uma série de tópicos em forma de questões, e cada uma delas poderia ser o trabalho da vida de dezenas de pessoas - questões sobre relação de classes, sobre ocupações, religião etc. Não conheci Park pessoalmente, e sinto não tê-lo conhecido. Deve ter sido um homem muito dinâmico e carismático, capaz de persuadir todo o mundo a fazer o que ele queria. Tenho a impressão de que todos os cientistas sociais da Universidade de Chicago - economistas, cientistas políticos, historiadores e até mesmo antropólogos - fizeram coisas baseadas nas suas ideias.
A partir do plano de pesquisa de Park, as pessoas começaram a trabalhar, cada uma desenvolvendo a sua parte. Estudaram as regiões naturais da cidade, algumas vezes chamadas de "regiões morais", estudaram a distribuição dos vários fenómenos sociais no espaço. De facto, aí a metodologia começou a tornar-se importante. Também nessa época o Departamento recrutou William Ogburn, que ensinava na Universidade de Columbia e foi o principal responsável pelo desenvolvimento dos métodos estatísticos na sociologia. Ele criou uma ligação com o governo federal, que começou a patrocinar uma série de pesquisas. Ogburn era um verdadeiro pregador dos modelos estatísticos, e conviveu com Park no Departamento.
Park tinha uma visão muito eclética sobre métodos, realmente não se importava com isso. Qualquer maneira de descobrir algo era boa: método qualitativo, quantitativo, histórico, dava tudo na mesma. E seus alunos também pensavam assim. Frequentemente utilizaram métodos múltiplos para atingir seus objectivos".

2º EXCERTO (pp. 130-131)

G.V. - Vamos voltar agora para a sua carreira pessoal. Você estudou com Lloyd Warner e conheceu a antropologia social britânica. Qual foi a importância da antropologia social no seu trabalho?
- Comecei as minhas pesquisas fazendo minha tese de mestrado sobre os músicos de jazz, que foi tremendamente influenciada pela antropologia social. Era o que eu considerava como o método de pesquisa mais importante: ir a um lugar, conhecer as pessoas e observar cuidadosamente o que faziam, não só o que diziam. Warner tinha umas fórmulas muito simples, realmente maravilhosas. Ele dizia: "Quando estiver para acontecer um evento importante, no lugar que você está estudando, primeiro pergunte a todos o que vai acontecer. Então, observe o que aconteceu. Depois pergunte às pessoas o que aconteceu." Faço isso o tempo todo, para mim essa é uma regra fundamental. Depois de terminar o mestrado, fui trabalhar como assistente de Everett Hughes. Ele estava estudando as escolas públicas de Chicago, o que tinha a ver com a questão racial, pois as escolas estavam muito segregadas na época. Wirth e Hughes estavam colaborando numa pesquisa para mostrar como isso acontecia e o que poderia ser feito a esse respeito. O meu trabalho era entrevistar os professores das escolas. Visitei 60 escolas e escrevi a minha tese de doutorado sobre o trabalho desses professores. Tornei-me então o Dr. Becker e me perguntei: e agora? Nessa época eu ainda estava tocando piano, e essa era a actividade mais importante para mim. Mas em dado momento, comecei a pensar: "Afinal estudei todo esse tempo, e talvez deva admitir que as pessoas com quem trabalho nos lugares onde toco piano não são tão simpáticas assim, são meio mafiosas, meio criminosas. Talvez seja melhor seguir o caminho acadêmico." Devo dizer que sou meio desaforado, meio respondão, e que aquelas pessoas com quem eu convivia nos bares não eram de levar respostas para casa. Pensei que estaria melhor fazendo pesquisa, e consegui uma série de empregos onde me pagavam para fazer pesquisa empírica.
Trabalhei para o Institute of Juvenile Research, em Chicago, que era dirigido por Clifford Shaw, ex-aluno de Robert Park, e estudei o uso da maconha [marijuana]. Entrevistei uma série de pessoas, nem lembro quantas, e escrevi um artigo que mais tarde se tornou famoso, chamado "Becoming a marihuana user". Hoje está incluído em meu livro Outsiders. E este é um episódio interessante na história da sociologia. Quando escrevi o artigo, ele foi considerado uma curiosidade. Era interessante, mas não importante, porque a maconha [marijuana] tampouco era um assunto importante na época, em 1953. Mas nos anos 60 a maconha [marijuana] tornou-se importante. Nos anos 50 era tida provavelmente como coisa de negros, mexicanos, músicos e outros tipos que não eram considerados importantes, mas, nos 60, os jovens de classe média começaram a fazer uso dela. Então, de repente, o meu artigo, que continuava o mesmo, passou acidentalmente a ser importante, e eu me senti o avô das pesquisas nessa área. Nesse artigo, eu desenvolvia ideias sobre o desvio que mais tarde iriam aparecer em meu livro Outsiders. Escrevi umas oitenta ou noventa páginas que continham todas as idéias básicas, mas não sabia o que fazer com aquilo, não conseguia ver aquilo colocado no mundo das ciências sociais. Não publiquei o artigo, mas sete ou oito anos depois mencionei-o a um amigo, ele me pediu para ler, disse que era interessante e que eu deveria publicá-lo. Reuni-o então a outros artigos sobre músicos e publiquei Outsiders, em 1963. Portanto, o primeiro capítulo desse livro foi escrito no início dos anos 50...
Mas a coisa mais importante que fiz naquela época foram dois grandes trabalhos de campo na Universidade de Kansas. O primeiro deles foi com estudantes de pós-graduação em medicina. Eu e meus colegas de equipa passamos três anos estudando os estudantes, de uma maneira tipicamente antropológica. Dia após dia eu pesquisava sobre eles: assistia às aulas com eles, a todo lugar a que iam, eu ia também. Quando acabei essa pesquisa e estava redigindo um texto para publicar, comecei outra, na mesma escola, dessa vez com os estudantes da graduação. Também foi um grande estudo, com entrevistas a várias pessoas, Escrevemos sobre isso e preparamos dois livros, que foram publicados nos anos 60: Boys in White e Making the Grade. Ambos centravam-se no conceito de cultura estudantil: o que os estudantes pensavam, que idéias tinham em comum, em que bases organizavam suas vidas.
Portanto, de 1951, quando terminei o doutorado, até 1965, estive trabalhando em várias instituições de pesquisa, sem dar aulas na universidade. Era uma boa época para se fazer isso, pois havia muito dinheiro para pesquisa, era mais fácil conseguir apoio. O governo federal e várias fundações privadas estavam aplicando grandes somas nas pesquisas em ciências sociais. Enquanto meus amigos viviam os problemas da carreira acadêmica nos Estados Unidos, preocupando-se em saber se seriam promovidos, quando iriam obter estabilidade etc., e tendo que fazer pesquisa enquanto davam aulas, eu não ensinei e fui pago para trabalhar em tempo integral em pesquisa. Consegui publicar quase todos os trabalhos que escrevi nessa época e finalmente, em 1965, comecei minha carreira de professor entrando para a Northwestem University - devo dizer que o chefe do departamento que me contratou, Raymond Mack, era baterista, e já nos conhecíamos como músicos. Foi assim que me tomei professor da Northwestem. Mas já fui para lá como professor titular, no topo da carreira, e me livrei de todo aquele início chato. Odeio situações hierárquicas, não gosto de estar no topo, no meio, em lugar nenhum. A idéia de estar numa posição em que a administração da universidade pode decidir se sou ou não bom o suficiente para ser mantido não me agrada, não é para mim. Portanto, eu só poderia entrar para um lugar onde esses problemas não se colocassem. Eu via os meus amigos sofrendo por essas coisas".

3º EXCERTO (pp. 131-134)

Fui para a Universidade de Stanford em 1962 e fiquei lá três anos. Era ligado ao Departamento de Sociologia, mas não era um professor regular. Meu lugar, realmente, era no Instituto de Pesquisas da universidade. Ao fim de um ano, me afastei do Departamento de Sociologia e fiquei no Instituto em tempo integral. Comecei a lecionar realmente em 1965, na Northwestern, e tive todos aqueles problemas terríveis de um professor iniciante, de preparar aulas... Eu não sabia ensinar. Sabia fazer pesquisa, mas não ensinar. Foi horrível, mas de alguma maneira sobrevivi. Era um departamento maravilhoso.
G.V. - Como você compara os departamentos de sociologia da Universidade de Chicago e da Northwestern?
- O departamento da Northwestem era muito eclético, tinha gente de todas as tendências, tanto em teoria como em pesquisa. E havia um princípio maravilhoso: o respeito mútuo. É comum a gente ver lutas entre facções, politicagem, brigas, pessoas se odiando entre si, mas na, Northwestern havia um grande respeito pelo trabalho do outro. Era um departamento pluralista, e em certo sentido havia diferenças suficientes para se transformarem em motivo de discordância, mas nós decidimos que também tínhamos muitos pontos em comum e resolvemos olhar para eles em lugar de enfatizar as diferenças. Por isso a Northwestern tem sido um lugar maravilhoso para se dar aulas e fazer trabalhos de diversos tipos. Em 1980, eu já estava lá havia quase 15 anos, trabalhando quase sempre com educação, e comecei a ficar completamente entediado. Quando começava uma nova pesquisa, depois de três dias eu tinha a impressão de que já sabia tudo o que ia acontecer. Sabia qual era a pergunta e sabia qual era a resposta. Quer isso fosse verdade, quer não, era uma sensação desagradável. Decidi então que havia chegado a hora de mudar de assunto, e fiquei muito interessado em sociologia da arte. A sociologia da arte era praticamente inexistente nos Estados Unidos, era um ramo da árvore européia. E a sociologia da arte européia, representada por autores como Luckàcs, Adorno, Lucien Goldmann, não era a sociologia como eu entendia.
G.V. - Na verdade, era uma sociologia da literatura.
- Da música também, no caso de Adorno. Mas para Adorno a sociologia da música quer dizer "por que Schõnberg é melhor do que os outros". Logo me irritei com Adorno, porque um dos seus primeiros artigos traduzidos para o inglês era sobre jazz. [A tradução brasileira deste artigo. "Moda sem tempo: sobre o jazz", está em Gilberto Velho (org.). Sociologia da Arte III. Rio de Janeiro, Zahar, 1969] E não era apenas um artigo contra o jazz, era um artigo racista. Ele quase falava da música negra como "música da selva" - acho que usava essa expressão. Era horrível, e eu pensei: "Esse sujeito não sabe nada. Qualquer pessoa poderia cometer um erro desses, que é um erro muito sério. Ou ele é um tolo ou é um preguiçoso que não faz o seu trabalho direito, não sabe do que está falando." É uma coisa horrível de se dizer sobre ele, mas eu disse. Ele foi muito ofensivo.
G.V. - Como músico de jazz, você foi pessoalmente ofendido.
- Fiquei ofendido, não apenas politicamente, mas realmente ofendido. Mas também achei que ele não sabia do que estava falando, não conhecia nada sobre esse tipo de música. Porque se conhecesse, não teria escrito aquilo. Afinal, era uma época em que muitas outras pessoas na Europa, especialmente na França, entendiam muito bem a importância musical do jazz. Adorno praticava um tipo de elitismo do qual eu realmente não gostava. Toda a teoria da sociedade de massas que homens como Adorno criaram.reflete exatamente, uma visão elitista das culturas da classe trabalhadora. Apesar de não ter lido todos os seus trabalhos, eu não estava de acordo com a opinião deles. Eu achava que eu estava certo e queria fazer sociologia da arte, mas a meu modo.
E encontrei certas coisas em três ou quatro trabalhos, não de sociologia, que me foram de grande ajuda.
O primeiro autor foi Gombrich, historiador da arte britânico, que escreveu um livro chamado Art and lllusion, [E. H. Gombrich, Art and Illusion: a Study in the Psychology of Pictorial Representation. Princeton, Princeton University Press, 1960.] em que enfatizou o papel das convenções e representações, os modos convencionais de representar a realidade: você pode representar a realidade através de uma imagem bidimensional, utilizando técnicas de modo que qualquer pessoa possa decifrar e entender o que está sendo representado. O segundo autor foi Leonard Meyer, musicólogo da Universidade de Chicago, que escreveu Emotion and Meaning in Music. [Leonard Meyer, Emotion and Meaning in Music. Chicago, University of Chicago Press, 1956.] Aí ele mostra como o desenvolvimento das diversas convenções musicais tornou possíveis todos os efeitos emocionais que a música provoca. Há ainda o trabalho de uma aluna de literatura de Meyer, Barbara R. Smith, chamado Poetic Closure, [Barbara R. Smith. Poetic Closure: a Study of Low Poems End. Chicago, University of Chicago Press. 1968.] que é mais fácil de explicar.
Barbara Smith faz a seguinte pergunta: "Como você sabe que um poema terminou?
Apenas pelo fato de que não há mais nada escrito? Afinal, o poema poderia ser maior, e a gráfica pode ter cometido um erro, cortando-o." Pois há outros meios de se saber que um poema terminou, e isso graças às convenções. Se você tem, por exemplo, um poema no estilo de John Donne, o poeta metafísico, que tece uma elaborada elucubração lógica, quando a elucubração chega ao fim, o poema também termina. Existem também certas formas poéticas, como o soneto, em que, quando se chega ao 14 o. verso, sabe-se que o poema acabou. Há ainda coisas mais sutis. Em inglês é muito comum o último verso de um poema ser composto de palavras de uma sílaba.
É também muito comum o último verso conter palavras que indicam o fim, como sleep, death, rest, coisas assim. Todos esses recursos podem ser usados por um poeta para dar a você a sensação de que o poema chegou ao fim. Esses recursos também permitem dar a ilusão de que se chegou ao fim, para então ocorrer uma mudança de rumo. Nesse caso, há um falso fim e um fim real. Se for um falso fim, deve haver algum tipo de indicação. O fato é que eu achei isso crucial, porque a idéia de convenção pode ser traduzida para algumas idéias e conceitos que as ciências sociais usam, como norma, regra etc. A compreensão do significado dessas palavras é compartilhada por todos. Isso me permitiu estabelecer a ligação e significou que eu poderia utilizar os trabalhos desses autores, adaptando-os para o estudo da organização social. Comecei então a ler muito, todos os outros estudos que haviam sido feitos sobre o tema - outro trabalho importante é o do historiador da arte inglês Michael Baxandall sobre a pintura renascentista italiana. [Michael Baxandall, Painting and the Experience in the Fifteenth Century Italy. London, Oxford, New York, Oxford University Press, 1972.] Ele mostra como as convenções eram estabelecidas e como as pessoas eram capazes de decifrá-las. Os pintores utilizavam recursos e truques que eram compreensíveis, por exemplo, para os comerciantes contemporâneos, que em geral estavam pagando pelo seu trabalho. Fiz uma pesquisa empírica sobre todo esse material, procurei integrá-lo, e isso resultou no livro Art Worlds19 19 Howard S. Becker, Art Worlds. Berkeley, Los Angeles, London, University of California Press, 1982., que estou utilizando agora no curso de sociologia da arte que estou dando com Gilberto Velho no Museu Nacional.
G.V. - Com Outsiders, você se tornou conhecido como o grande teórico da área do desvio. Mas além disso, você também é conhecido como um teórico na área do interacionismo em geral. Basta lembrar seu livro Uma teoria da ação coletiva 2020 Howard S. Becker, Uma teoria da ação coletiva. Rio de Janeiro. Zahar, 1977.. Como você vê a importância de seu papel como teórico?
- Acho que o papel importante que posso ter desempenhado foi o de ter fornecido modelos de pesquisa. Um grande número de artigos nos Estados Unidos, e mesmo em outros países, tem títulos do tipo "Becoming a marihuana user", com verbos no gerúndio: tomando-se isso ou aquilo. Meu artigo forneceu portanto um modelo, era uma maneira de organizar as observações. E também teve, naturalmente, uma importância teórica. Basicamente, indicava a noção de processo. As coisas não acontecem porque acontecem, não são automáticas. Não se tem uma determinada combinação de variáveis e, automaticamente, um determinado resultado.
G.V. - Você está fazendo teoria.... - E você está sendo implicante... Mas o fato é que este é um modelo para se investigar as coisas como processo. E acho que isso é fundamental. O outro lado disso é que noções como "cultura estudantil" fornecem uma outra espécie de modelo para o tipo de atividade organizada dentro da qual as pessoas experimentam os processos. As pessoas interagindo de maneira regular, numa rotina, têm certas maneiras padronizadas de fazer as coisas, o que não significa uma ação automática. Elas não agem de determinada maneira porque esta é a sua cultura, porque estão numa certa posição social e não têm escolha, mas estas são as condições de sua ação e elas reagem a isso de uma maneira determinada. Logo, é útil entender o processo de desenvolvimento de certas atividades, incluindo-se aí a compreensão de que as pessoas reagirão de uma maneira esperada, de uma forma em princípio previsível. Em outras palavras, a compreensão de que essas formas de ação coletiva ocorrem porque as pessoas aprenderam, através de um determinado processo, que é assim que se faz. É muito mais fácil fazer desse modo do que inventar uma maneira nova de fazer. Isso não significa, porém, que novas maneiras de fazer as coisas não sejam, criadas. Todo dia são criadas novas formas, mas toda novidade tem um preço. É sempre mais fácil fazer as coisas do jeito que todo o mundo faz, e um simples exemplo disso é o uso do idioma do país. Qualquer pessoa, nos Estados Unidos ou no Brasil, pode falar a língua que quiser, mas talvez não seja entendida. O preço a pagar é alto. Você também pode inventar uma nova língua se quiser, mas certamente ninguém irá entendê-lo. E isso é fantástico, porque nas artes as pessoas fazem muito isso, muitas vezes inventam linguagens e freqüentemente pagam seu preço. Ninguém as entende e seu trabalho resulta em nada. Algumas vezes se consegue convencer as pessoas de que vale a pena esforçar-se para aprender uma nova língua. Mas em geral, quando alguém inventa uma nova língua, pode ser difícil conseguir patrocinadores para o trabalho artístico, e isso pode tornar o trabalho impossível, ou muito difícil. Mas há pessoas que conseguem persuadir as outras a fazerem as coisas do jeito que elas querem. Tudo depende. É sabido, por exemplo, que os músicos das orquestras sinfônicas estão entre as pessoas mais conservadoras, para não dizer reacionárias, do mundo. Eles gostam de fazer as coisas do modo como sabem fazer. Não querem fazer coisas que signifiquem mais trabalho. Pelo menos é essa a opinião dos compositores contemporâneos. É bastante conhecido o fato de que esses músicos podem até sabotar obras que não aprovam. E os novos compositores, quando produzem suas obras, sabem disso. Eles podem até produzir novas obras contando com a possibílidade de conseguir outros músicos para executá-las. Acho que este é um ponto teórico importante, porque freqüentemente as pessoas consideram a influência da estrutura social como mais opressiva do que ela é: "Você não pode compor música de forma nova." Sim, você pode. Será mais difícil, você poderá ter que recrutar pessoas, ensiná-las, ou seja, terá muito mais trabalho do que se compusesse da forma conhecida. Acho que este é um tipo de perspectiva teórica.

In Estudos Históricos, Rio de Janeiro, vol. 3, n.5, 1990, p.114-136.
Site:
http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/69.pdf

Terça-feira, 23 de Maio de 2006

Lista dos Sites NÃO ESCOLHIDOS - 11 de Maio 2006

Última actualização:  23 de Maio de 2006

 

Ver a lista completa dos sites NÃO ESCOLHIDOS para o trabalho prático (sempre actualizada) neste site:

http://neves.paginas.sapo.pt/listanao.html


Metodologia 1º ano sociologia
Últimas reservas de texto em 23 de Maio de 2006
Texto 16 - Daniela Pitrez nº 47825.
Texto nº 36 - Sabina Ribeiro nº 35044 e Ana Cristina Santos nº 47799

Pergunta: data de entrega do trabalho prático

QUESTÃO --- Um aluno escreveu: Queria apenas que me confirmasse a data de entrega do trabalho prático e se é para entregar por mail, ou pessoalmente, nas aulas. RESPOSTA Olá Pode entregar o trabalho em suporte de papel no dia do exame (1ºa ou 2ª chamada) ou através da net num mail com ficheiro em word (sem imagens). Prefiro que me enviem através de e-mail apenas nas datas dos exames para ser possível uma melhor gestão do processo. Apelo à vossa compreensão. No entanto, se tiver algum receio, utilize uma ou as duas vias. Finalmente, não se esqueçam de enviar os textos APENAS para o endereço jpneves2006@yahoo.com.br. Saudações José Pinheiro Neves
Domingo, 21 de Maio de 2006

Seminário no dia 26 de Maio de 2006

Mais informações em: http://seminariominho.no.sapo.pt/index9.html

Podem enviar a vossa inscrição para o endereço electrónico seminariominho@yahoo.com de forma a obterem um certificado de participação. O pagamento será efectuado no dia do Seminário.

Sexta-feira, 12 de Maio de 2006

O que é afinal a Sociologia?

PERGUNTA DE UM ALUNO
 
Miguel Azevedo escreveu:
 
Professor
 
No decorrer duma conversa no MSN com uma amiga, ela perguntou-me o que era afinal a Sociologia. Para surpresa da minha parte, apercebi-me que a única coisa que fui capaz de dizer foi: era o estudo da sociedade. Ora, esta resposta parece-me deveras insuficiente e castradora do significado da sociologia como ciência.
 
O meu objectivo seria então dar-lhe uma resposta mais satisfatória, mas ao pensar na minha resposta fiquei curioso sobre que visão terá o professor sobre este assunto.
 
Então, invertendo os papeis, sou eu que lanço um desafio.
 
O que é afinal a Sociologia?
 

Miguel Azevedo - 1º ano de Sociologia - Univ. Minho
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RESPOSTA:
 
Olá, Miguel
 
Esse tema tem sido objecto de reflexão nas últimas aulas, nomeadamente no 2º semestre.
 
A sociologia, sendo definida em função das opções epistemológicas e teóricas, terá necessariamente objectivos diferentes. Ou seja, se Weber a definir, tenderá a acentuar os aspectos compreensivos da acção social:  a sociologia estuda os sentidos que os actores dão à acção social. Para Durkheim, será o estudo das instituições sociais que corporizam e fazem a mediação entre a sociedade e o indivíduo. As instituições (Família, Religião, Estado, Empresas, etc.) tornam coercivos os factos sociais.
 
Esta discussão também acontece quando um psicólogo ou um filósofo definem as suas áreas disciplinares.
 
Então, como resolver o problema? 
 
A sua resposta deve depender da pessoa para quem fala. Que efeitos pretende? A  resposta terá um nível de complexidade em função do seu interlocutor. Neste caso, sugiro uma resposta que acentue o carácter científico e até objectivo das ciências sociais, nomeadamente da sociologia. Seria assim:
 
A sociologia é uma ciência social que estuda os fenómenos sociais utilizando, para isso, diversas metodologias científicas.
 
Na internet, pode encontrar esta:
 
"A Sociologia é uma ciência que estuda as sociedades humanas e os processos que interligam os indivíduos em associações, grupos e instituições. Enquanto o indivíduo isolado é estudado pela Psicologia, a Sociologia estuda os fenômenos que ocorrem quando vários indivíduos se encontram em grupos de tamanhos diversos, e interagem no interior desses grupos".
 
Ver em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Soci%C3%B3logo 
 
 
Saudações cordiais do José Pinheiro Neves


Comentários:

De Joel Felizes a 13 de Maio de 2006 às 01:15:


Olá!
Posso?
Li esta explicação sobre o modo de definir a Sociologia e pareceu-me bem na primeira parte da explicação, mas algo insuficiente na segunda parte.
Acrescentaria, então, a essa definição, uma breve referência que se funda na própria história da disciplina. Vejamos uma hipótese de complemento:
"A sociologia é uma ciência social que estuda os fenómenos sociais utilizando, para isso, diversas metodologias científicas". Agora acrescento eu: - Ao longo da sua história, esta ciência (se aceitarmos uma definição suficientemente ampla de ciência), tem-se afirmado pela análise que produziu acerca de dois fenómenos sociais abrangentes:
1. As múltiplas formas como as múltiplas diferenças entre os indivíduos são por estes vividas e se reflectem nas suas acções e nas instituições que por eles são criadas, ao mesmo tempo que também os condicionam. Neste sentido, a Sociologia é uma ciência das múltiplas desigualdades e diferenças sociais.
2. O modo como a sociedade (enquanto esse agregado de indivíduos e instituições) se tem desenvolvido, as tendências que, sobretudo desde a Revolução Industrial, mais se têm tornado visíveis. Neste sentido, a Sociologia é uma ciência das sociedades modernas (com o que estas contêm de "pré" e de "pós" moderno).

Por fim, valerá ainda a pena dizer que a Sociologia mantém uma relação muito próxima com o modo como as sociedades se organizam para resolver os inúmeros problemas que vão sendo sentidos, procurando em muitos casos constituir-se como suporte da actuação das próprias instituições. Todavia, esta dimensão mais prática não exclui a importância de um amplo debate teórico que sempre marcou esta disciplina.

Espero que tenha sido útil.

Com os melhores cumprimentos,

Joel Felizes

Quinta-feira, 11 de Maio de 2006

Exemplo de um trabalho prático apresentado e já avaliado

Universidade do Minho
 
 
Licenciatura em Sociologia – 1º Ano
 
 
Pierre Bourdieu, “LA SOCIOLOGIA, ES UNA CIENCIA?”
 
Trabalho Prático de Metodologia em Ciências Sociais
2º Semestre – Ano Lectivo 2005/06
 
 
 
 
Maria Angelina Rodrigues – nº 47774
 
Braga, 25 de Abril de 2006
 
 
Identificação do Texto:
Pierre Bourdieu, “La Sociologia, es una Ciência?”, in La Recherche, nº 331, Maio de 2000.
 
Género ou tipo de livro/texto:
Entrevista a Pierre Bourdieu, publicada pela Revista La Recherche, nrº 331, Maio de 2000. Traduzida por Dr. Manuel António Baeza em Dezembro de 2000.
Tema (resumo da ideia-mestra do texto):
            Nesta entrevista deparamo-nos com a dúvida de que a Sociologia, ao contrário das ciências consideradas puras, poderá não ser considerada ciência. O entrevistador questiona Pierre Bourdieu quanto à cientificidade da Sociologia.
            Para Bourdieu, a Sociologia tem o triste privilégio de ser a única disciplina para a qual essa dúvida nunca pára de ser posta, quando, na realidade, a Sociologia tal como as outras ciências, utiliza métodos, conceitos e formas de verificação. Tem portanto um carácter científico, é uma ciência.   
Público-alvo:
            O texto é bastante pertinente, dado que aborda a questão que sempre se coloca: “Será a Sociologia uma Ciência?”, “O que é a Sociologia?”.
             Para Bourdieu a Sociologia, a última a chegar entre as ciências, é uma ciência critica, de si própria e das outras ciências; critica também dos poderes, inclusivamente dos poderes da ciência.
            Bourdieu considera a sociologia como "um desporto de combate", e para ele: “O Sociólogo que procura transmitir um habitus cientifico parece-se mais com um treinador desportivo de alto nível do que com um professor (universitário) da Sorbornne.” (Bourdieu, 1989).
            Esta entrevista suscitará o interesse de Sociólogos, Professores e Estudantes e poderá levar à aceitação por parte de uns e à discórdia por parte de outros.
 
Tese central:
            A ideia central de Pierre Bourdieu, nesta entrevista, é defender o carácter científico da Sociologia.
            Para Pierre Bourdieu a Sociologia é uma ciência cumulativa que possui um instrumental teórico ao mesmo tempo complexo, unificado e ajustado ao real. Esta Ciência desenvolveu-se com um certo atraso em relação às outras ciências porque o seu objecto é composto por planos de luta muito dispersos o que dá a aparência de uma disciplina dividida.
            O autor defende que a maior dificuldade da Sociologia reside no facto de existir receio na descoberta da verdade.
 
 
 ANÁLISE EFECTUADA PELO ALUNO
Impressões a quente
 
            Depois da leitura desta entrevista, diria que a Sociologia é, de facto, uma Ciência pois utiliza métodos, conceitos e formas de verificação. Tem como objecto de estudo campos de luta intensos e agudos, as próprias acções dos homens uns sobre os outros. Além disso, na Sociologia, as hipóteses, explicações ou teorias, verdadeiras ou falsas, compõem o próprio objecto estudado à medida que são divulgadas.
             As ciências naturais caminham no sentido de explicar a objectividade em si mesma, como algo independente das vontades e interesses humanos. Na Sociologia, em virtude de tratar com um objecto paradoxal, o sujeito, que investiga, é ele próprio uma parte inseparável do objecto investigado.
            No meu ponto de vista, a verdade concreta poderá existir até certo ponto, pois a realidade social é algo que objectivamente construímos e reproduzimos diariamente. A função científica da Sociologia é compreender o mundo social.
           
 
 
Construção e conteúdo
 
            Pierre Bourdieu com a sua teoria da prática introduziu dinamismo na Sociologia contemporânea. De acordo com o sue ponto de vista, a Sociologia é uma ciência que incomoda, que critica, que coloca problemas e põe a descoberto coisas recalcadas que se pretendem ocultar. Contudo, a posição do Sociólogo é particularmente ingrata porque ele coloca questões que lhe são incessantemente colocadas.
            A sociologia da ciência é particularmente incómoda porque questiona as outras ciências e é inquietante porque revela coisas escondidas, com as quais muitas vezes não nos queremos confrontar. Por isso, existem determinados grupos de pessoas que não gostam das “verdades” que a Sociologia apresenta porque lhes são especialmente incómodas. O autor defende que “são verdades que os tecnocratas, os epistemocratas - quer dizer bom número dos que lêem a sociologia e dos que a financiam – não gostam de ouvir” (Bourdieu, 2000).Criador ou disseminador de conceitos como “campo” ou “habitus”, Bourdieu vê os homens em luta permanente pelo prestígio e pela ascensão social. Na sua perspectiva, o mundo científico é refém de uma luta de interesses: “ […] mostrar que o mundo cientifico é lugar de uma concorrência que, orientada pela busca de ganhos específicos […], e conduzida em nomes de interesses específicos” (Bourdieu, 2000).
            Os meios de comunicação - um dos principais alvos de crítica de Bourdieu - estariam, segundo ele, cada vez mais submetidos a uma lógica comercial inimiga da palavra, da verdade e dos significados reais da vida. Bourdieu era, na verdade, um crítico feroz dos Media contemporâneos. Por isso quando o entrevistador, numa das questões colocadas, faz uma comparação entre Sociologia e jornalismo, Bourdieu menciona que há uma diferença objectiva entre os dois porque na Sociologia: “Há sistemas coerentes de hipóteses, conceitos, métodos de verificação, tudo o que comummente se associa à ideia de ciência.”, (Bourdieu, 2000),eo jornalismo apenas se limita e descrever aquilo que observa.
            A Sociologia desenvolveu-se mais tarde que as outras ciências porque os seus objectos são “jogos de lutas; coisas que se escondem, que se censuram, pelas quais há quem esteja disposto a morrer” (Bourdieu, 2000). Desta forma, investigador tem um papel particularmente difícil porque ele também faz parte do objecto investigado. Muitas vezes é confrontado com realidades cruéis, difíceis de suportar. Os adolescentes preferem a politica ou a arte porque lhes servem de refúgio para esquecer o Mundo e encontrarem universos livres de problemas.
             Para muitos, existe um olhar crítico sobre a formação do sociólogo como censor e detentor de um discurso de verdade sobre o mundo social. Para ele, uma das causas do erro em sociologia está na relação incontrolada com o objecto.            
            Para Bourdieu “não há sem dúvida domínio em que o “poder dos especialistas” e o monopólio da “competência” seja mais perigoso e mais intolerável. Nenhuma ciência põe em jogo conflitos sociais tão evidentemente como o faz a Sociologia” (Bourdieu, 2003).Na sua opinião, cabe ao sociólogo destruir os mitos dos seus contemporâneos, e também ser capaz de ter uma relação controlada com o objecto. A melhor forma de o fazer é seguir um procedimento científico e utilizar os conceitos, os métodos e técnicas designadas por Marx, Durkheim e Weber e que lhe permitam chegar à verdade. Apesar das abordagens destes antecessores serem diferentes, Bourdieu defende uma sociologia cumulativa. Ou seja, para fazer avançar a ciência muitas vezes é necessário fazer comunicar teorias opostas.
            A Sociologia, tal como as outras ciências, também é questionada quanto à sua neutralidade e objectividade. Bourdieu não acredita na neutralidade da ciência dando ideia de que existem sempre interesses por trás de qualquer verdade científica. De acordo com este autor,: “ […] não haveria muitas verdades científicas se tivéssemos de condenar esta ou aquela descoberta a pretexto das intenções ou os procedimentos dos seus autores não terem sido lá muito puros” (Bourdieu, 2000), e em relação á sociologia ele afirma: “Se o sociólogo consegue produzir um pouco que seja de verdade, […], tem interesse nisso – o que é muito exactamente o inverso do discurso um tanto estupidificante sobre a neutralidade.” (Bourdieu, 2000).
 
Apreciação
            Para melhor compreender o texto, nomeadamente as ideias defendidas por Bourdieu, achei por bem, analisar algumas obras do autor. No meu ponto de vista Bourdieu faz uma análise á atitude científica de forma crítica. Propôs uma Sociologia da Sociologia, constituída de um olhar crítico sobre a formação do sociólogo como censor e detentor de um discurso de verdade sobre o mundo social.
            Uma das mais importantes questões na obra de Bourdieu centraliza-se na análise de como os agentes incorporam a estrutura social ao mesmo tempo que a produzem, legitimam e reproduzem.
             Pierre Bourdieu centrou-se desde cedo nas questões da Sociologia da educação e da cultura. Na sua obra A Profissão de Sociólogo admite uma ruptura epistemológica entre o conhecimento científico dos sociólogos e a sociologia espontânea dos actores sociais.           Bourdieu acha que: “Quando uma actividade é constituída em disciplina universitária, a questão da sua função e da função daqueles que a praticam deixam de se pôr: basta pensar nos arqueólogos, filósofos, historiadores, aos quais nunca se pergunta para que servem, para que serve aquilo que fazem, para quem trabalham, quem tem necessidade daquilo que fazem. Ninguém os põe em questão e eles sentem-se, por isso, inteiramente justificados ao fazer o que fazem. A Sociologia não tem essa sorte”. (Bourdieu pág. 52).
            Os seus críticos acusam-no de determinista e de explorar temas pertinentes com ajuda dos artifícios da retórica sociológica.Do outro lado, os seus seguidores vêem nele a voz da resistência científica num momento de relativismo geral.
            Considero Bourdieu um sociólogo ousado, dado que a sua área de formação era a filosofia. Considera que foi imputado à Sociologia Maio de 1968 em França. Enfrentava e era um crítico acérrimo do poder político. Face ao silêncio dos políticos diante dos problemas sociais, Bourdieu apelou para a mobilização dos intelectuais. O que defendo”, costumava dizer, “é a possibilidade e a necessidade do intelectual crítico”. Para Bourdieu, não pode haver democracia efectiva sem um verdadeiro contra-poder crítico.
            Concluí que a Sociologia ajuda os indivíduos a terem consciência dos papéis que ocupam na sociedade. Assim, serão capazes de perceber como funcionam nas relações com os outros e de que forma as suas acções têm influência na vida dos outros.           Gostaria de mencionar, ainda a propósito deste tema, que: Em resposta à questão de um colega sobre “O que é a Sociologia?” o Professor José Pinheiro Neves, no seu Blog responde: “A sociologia é uma ciência social que estuda os fenómenos sociais utilizando, para isso, diversas metodologias científicas”, (Neves, 2006). Resposta com a qual eu concordo totalmente.
            Na minha opinião a Sociologia é fascinante e ao mesmo tempo constrangedora, dado que o tema de estudo é o nosso próprio comportamento enquanto seres sociais.
            Este tema poderia levar-nos a campos mais vastos do conhecimento da humanidade/sociedade.
 
Bibliografia: 
 
  • Pierre Bourdieu, O Poder Simbólico. Lisboa, Difel, 1989, p. 23.
 
  • Pierre Bourdieu, Questões de Sociologia. Lisboa, Fim de Século – Edições, 2003, pp. 9, 23 a 29, 52.
 
  • Pierre Bourdieu, Jean-Claude Chamboredon e Jean-Claude Passeron, A Profissão de Sociólogo, Petrópolis, Publicações Editora Vozes, 2002, p. 142.
 
  • Vários, Dicionário de Sociologia, Porto, Porto Editora, 2002, pp. 39, 359 a 364.
 


Ver também este texto no site:
http://sociologia-online.blogspot.com/2006/06/la-sociologia-es-una-ciencia-pierre.html
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Aula prática de 3 de Maio de 2006

Aula prática de 3 de Maio de 2006

A visão interaccionista. O estudo de Howard S. Becker: “Outsiders”

Ver este texto:

http://home.earthlink.net/~hsbecker/danishintro.htm

Howard S, Becker
San Francisco
February, 2005
An Introduction to the Danish edition of Outsiders 
(to be published by Hans Reitzel Publishers in 2005)
Ver igualmente:
http://home.earthlink.net/~hsbecker/qa.html
Howard S. Becker, "The Epistemology of Qualitative Research" [From Richard Jessor, Anne Colby, and Richard Schweder, eds., Essays on Ethnography and Human Development (Chicago: University of Chicago Press, forthcoming ).]
---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Para ter um exemplo de um estudo sociológico sobre jovens portugueses utilizando a metodologia de Becker consultar este site:

http://www.oi.acime.gov.pt/docs/Col_Teses/1_HMS.pdf

Hugo Martinez de Seabra, Delinquência a preto e branco: estudo de jovens em reinserção,  Lisboa, ACIME, 2005.

Dissertação de Mestrado em Economia e Sociologia Históricas. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Universidade Nova de Lisboa

E-mail do autor: hugo.seabra@numena.org.pt

Ver estas citações de H. S. Becker retiradas deste livro:
Becker (1985) no capítulo 9 da obra Outsiders, relativo ao estudo do desvio, acentua a necessidade de dedicar bastante tempo a investigações deste tipo.
 
 “Poucos são aqueles que descrevem em detalhe as actividades quotidianas do jovem delinquente, o que ele pensa de si mesmo, das suas actividades e da sociedade. Assim, quando construímos teorias sobre a delinquência juvenil, somos conduzidos a inferir o tipo de vida do delinquente a partir de estudos parcelares e de peças jornalísticas, sem poder basear as nossas teorias sobre um conhecimento adequado dos fenómenos que nos propo­mos explicar.” (Becker, 1985: 189-190)
“Não é fácil estudar os desviantes, uma vez que estes são tidos como estran­geiros pelo resto da sociedade, e eles próprios têm tendência a considerar que o resto da sociedade lhes é estrangeira, o investigador que pretende descobrir os fenómenos do desvio deve ultrapassar difíceis obstáculos an­tes de ser admitido a ver o que pretende ver.” (H. S. Becker, 1985:191)
 
“... o processo necessário para ganhar a confiança daqueles que estudamos pode ser bastante custoso em tempo, e meses podem passar frustrados na procura de uma entrada. Este tipo de investigação necessita assim de mais tempo que as investigações comparáveis conduzidas em instituições respeitáveis.” (H. S. Becker, 1985:194)
 
“... os fenómenos morais que estão implicados no estudo do desvio são mais difíceis de identificar. Esta questão constitui um aspecto de um pro­blema mais geral, aquele relativo a qual o ponto de vista que o investi­gador deve adoptar quando frente-a-frente com o seu sujeito de estudo, qual o julgamento que ele traz consigo sobre algo que é convencional­mente tido como negativo e as simpatias que ele terá relativamente a esta ou aquela categoria. Estes problemas põem-se, naturalmente, no estudo de qualquer fenómeno.” (H. S. Becker, 1985: 194)
 
«Se queremos realmente estudar nos seus am­bientes naturais (...) os desviantes que violam as leis, devemos tomar a decisão moral de também nós violarmos leis. Não é necessário agir por «observação participante» e cometermos nós também o tipo de acto des­viante estudado, mas é necessário ser testemunha de tais actos ou deter conhecimento destes e não os participar..» (Ned Polsky citado por H. S. Becker, 1985: p.199).
in Howard S. Becker, Outsiders. Etudes de sociologie de la deviance, Paris, Editions A. M. Métailié, 1985.
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Ver um trabalho em sociologia sobre o grupo dos "góticos" em:
José Carlos Bento de Carvalho e Nuno Miguel Nunes Dionísio,
Goth – O Ultra-Romantismo Juvenil em Lisboa: um estilo de vida alternativo, Lisboa, Universidade Autónoma de Lisboa, Departamento de Ciências Humanas, Curso de Sociologia , 1999.

Terça-feira, 9 de Maio de 2006

Aulas teóricas de 9 e 23 de Maio de 2006

Aula teórica de 9 de Maio de 2006

Sumário

A  conclusão do debate entre as duas opções metodológicas (quantitativa/qualitativa)

1. A metodologia qualitativa: a noção de validade. As críticas à metodologia qualitativa. Aspectos positivos. A análise de dados no qualitativo.
2. Alguns conselhos práticos na investigação qualitativa.

[semana do Enterro da Gata]

Aula teórica de 23 de Maio de 2006

Sumário

3. Os objectivos da metodologia quantitativa. Características, vantagens e desvantagens. Erros a evitar.

As aulas estão neste site num ficheiro PowerPoint:

http://neves.paginas.sapo.pt/MetSoc09Mai05InvQualitativa.ppt

Terça-feira, 2 de Maio de 2006

Aula teórica de 2 de Maio de 2006

Universidade do Minho

Curso de Sociologia - 1º ano - 2005/06
Metodologia 2º semestre
aula teórica nº 
Aula teórica de 2 de Maio de 2006
Uma outra tentativa de conciliar as posições construtivistas e realistas: a sociologia simétrica de Bruno Latour (a teoria do actor-rede).
Sumário:
1. Os estudos da ciência, tecnologia e sociedade
2. A teoria do actor rede: como surge
3. A questão epistemológica
4. Conclusão: as bases da teoria do actor rede e as suas consequências metodológicas

-----------------------------------------------------------------
1. Os estudos da ciência, tecnologia e sociedade
-----------------------------------------------------------------
 
José Antonio López Cerezo, “Ciencia, Tecnología y Sociedad: el estado de la cuestión en Europa y Estados Unidos” in Revista Iberoamericana de Educación, Número 18, Sept./Dic. 1998
--------------------------------------------------
2. A teoria do actor rede: como surge
--------------------------------------------------
Antonio Arellano Hernández, "La sociología de las ciencias y de las técnicas de Bruno Latour y Michel Callon", in  CUADERNOS DIGITALES: PUBLICACIÓN ELECTRÓNICA EN HISTORIA, ARCHIVÍSTICA Y ESTUDIOS SOCIALES, VOLUMEN 8. NO.23. NOVIEMBRE DEL 2003. UNIVERSIDAD DE COSTA RICA. ESCUELA DE HISTORIA. Protocolo disponível em:
http://www.ts.ucr.ac.cr/~historia/cuadernos/c-23his.htm [Consultado em: 30 de Abril de 2006].
Ver também:

Emmánuel Lizcano, "Sociología del Conocimieno científico" in Román Reyes (Dir), Diccionario Crítico de Ciencias Sociales, Protocolo disponível em:   http://www.ucm.es/info/eurotheo/diccionario/C/conocimiento_cientifico.htm [Consultado em: 30 de Abril de 2006]

--------------------------------------
3. A questão epistemológica
--------------------------------------
Bruno Latour, "When things strike back: a possible contribution of 'science studies' to the social sciences", in British Journal of Sociology, Special Millenium Issue edited by John Urry, vol. 51, nº1 (January/March 2000), pp. 107-123. Protocolo disponível em: http://www.ensmp.fr/~latour/articles/article/078.html

-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
4. Conclusão: as bases da teoria do actor rede e as suas consequências metodológicas
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

Texto fundamental:

Francisco Tirado, "Recensión crítica de: Bruno Latour, Reassembling the Social: An introduction to Actor-Network-Theory, Oxford: Oxford University Press, 2005, 325 páginas, ISBN: 0-19-925604-7" in AIBR. REVISTA DE ANTROPOLOGÍA IBEROAMERICANA, número especial, Noviembre-Deciembre de 2005,  Protocolo disponível em: http://www.aibr.org/antropologia/44nov/libros/nov0501.pdf [consultado em: 30 de Abril de 2006]

 

-----------------------------------------------

Ver também este número especial da revista AIBR. REVISTA DE ANTROPOLOGÍA IBEROAMERICANA:

http://www.aibr.org/antropologia/44nov/

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