Terça-feira, 31 de Janeiro de 2006

Síntese das teorias sobre a ciência de Karl Popper e de Thomas Kuhn

Ver este site: http://ocanto.webcindario.com/apoio/ciencia2.htm

A EVOLUÇÃO DA CIÊNCIA: CONTINUIDADE OU RUPTURA?

Luís RODRIGUES

Introdução à Filosofia, p. 247-250

Longa discussão tem sido travada sobre a perspectiva a adoptar para pensar e descrever a evolução das ciências. Trata-se, sobretudo, de determinar a relação de novos conhecimentos com os anteriores: os conhecimentos novos são do mesmo tipo que os anteriores e sua consequência natural (continuísmo)? Os novos conhecimentos rompem com os anteriores e exigem perspectivas radicalmente novas (descontinuísmo)?

1 O CONTINUÍSMO

1.1 A imagem continuísta e ingénua do desenvolvimento das ciências: o modelo linear e acumulativo Segundo a imagem continuísta e ingénua do desenvolvimento científico, imagem ainda reinante ao nível do senso comum, este é um processo linear e acumulativo: 

 Linear, porque se desenvolveria sempre na mesma direcção, "para a frente," isto é, a cientificidade dos conhecimentos seria estabelecida de uma vez por todas, pelo que não haveria necessidade de a eles retornar;

Acumulativo, porque os conhecimentos científicos apenas se acumulam, ou seja, os conhecimentos novos acrescentam-se aos anteriores sem os pôr em questão.

Esta imagem do desenvolvimento da ciência é solidária de algumas suposições que convém destacar:  o conhecimento científico é conhecimento verificado: isto é, conhecimento cuja validade foi estabelecida definitivamente. Ora, isso implica uma outra situação: — há um método científico e esse método é infalível, quer dizer, é sempre capaz de estabelecer a falsidade ou a verdade das hipóteses;  a ciência é obra de uma razão arquitectónica, isto é, de uma razão que parte de "fundamentos sólidos" e progride erguendo andar sobre andar, sem interrupções bruscas e sem necessidade de reconstruções;  o desenvolvimento da ciência é contínuo: as descobertas de um momento da ciência ligam-se directamente às precedentes, um nível de conhecimentos assenta directamente sobre o anterior;  a nossa aprendizagem, segundo manuais onde os conhecimentos são apresentados, tanto quanto possível, num movimento gradual, contínuo, do mais simples para o mais complexo, faz-nos supor que a história da sua invenção teria um ritmo semelhante;  na transmissão da ciência são eliminados os passos em falso, os erros, as hipóteses que vigoram durante algum tempo para depois serem eliminadas. A transmissão elimina os factores polémicos, os debates que acompanham todos os momentos da ciência  produzindo, portanto, a imagem de uma ciência que evolui com passos sempre seguros;

1.2  O continuísmo reflectido ou sofisticado: DUHEM

Hoje, verifica-se que a ingénua imagem continuísta do desenvolvimento científico deve ser abandonada. Foram sobretudo factos interiores ao próprio processo de desenvolvimento das ciências que abalaram profundamente esta imagem da evolução do saber. O continuísmo reflectido (por exemplo, P. Duhem) não assume a ciência como sendo isenta de erro e de correcções e nisso distingue-se do continuísmo ingénuo. Mantém-se continuísta no sentido em que faz assentar as descobertas de uma época da ciência não nas verdades do período anterior, como o continuísmo ingénuo, mas sim nas investigações e debates das épocas anteriores. No interior deste processo, os erros assumem um interesse particular e o exame crítico dos problemas por eles levantados constitui, com frequência, o elemento de continuidade, o elo de ligação entre uma e outra fase da ciência.

2  O DESCONTINUISMO

2.1  Descrição geral da perspectiva descontinuísta

Segundo os descontinuístas (por exemplo, Bachelard, A. Koyré, Popper), o desenvolvimento da ciência contém momentos de ruptura que separam nitidamente uma fase da outra, às vezes quase antagonizando-as. Essas rupturas dizem respeito sobretudo aos princípios gerais e não podem considerar-se preparadas por qualquer tipo de antecipação. Quando uma teoria, ou, se quisermos, um complexo de teorias ligadas pelo mesmo "paradigma", não consegue descrever os novos resultados experimentais, ou quando lhe descobrimos as contradições e as lacunas que se tornam insanáveis, então torna-se necessário inventar novas hipóteses que abrirão caminho a um tipo de investigação à partida imprevisível. Não há dúvida que uma tal visão descontinuísta se revela adequada a descrever algumas grandes revoluções científicas, como, por exemplo, a de Galileu, de Darwin, de Einstein, etc. Mas permanece o problema: que coisa levou Galileu, Darwin, Einstein a inventarem as suas novas hipóteses? Para responder a esta pergunta, ou se recorre às tentativas dos seus predecessores (nas suas linhas gerais ainda agarrados ao velho paradigma, mas já bem convencidos da necessidade de o superar) ou então se invoca uma intuição que, em boa verdade, é uma forma de dizer que não sabemos.

2.2  Duas perspectivas descontinuístas: Popper e Kuhn KARL POPPER

Em Popper, há um certo continuísmo. Ele sublinha que a sucessão das teorias constitui um progresso das ciências em direcção à verdade — a sua meta inalcançável. As teorias refutadas inserem-se nesse movimento de aproximação à verdade. Contra o descontinuísmo radical, afirma que "as nossas teorias são senso comum criticado e esclarecido". O elemento descontinuísta do pensamento de Popper reside no facto de ele não considerar que o progresso se faça por acumulação de conhecimentos — a relação entre velhas e novas teorias, entre a actualidade da ciência e o seu passado, é crítica. As novas teorias corrigem e/ou substituem as anteriores. O desenvolvimento da ciência é imprevisível, porque as teorias científicas são livres criações do sujeito: a referência aos antecedentes só pode esclarecer a situação do problema cuja solução exige um acto criativo que não se pode prever a partir dessa situação. Os progressos mais significativos das ciências constituem revoluções intelectuais e científicas. «Segundo Popper, na ciência nós procuramos a verdade — e a verdade não é dada pelos factos, mas pelas teorias que correspondem aos factos. Entretanto, essa é uma definição de verdade, mas nós não temos um critério de verdade, já que, ainda que formemos uma teoria verdadeira, jamais poderemos sabê-lo, pois as consequências de uma teoria são infinitas e nós não as podemos verificar todas. Sendo assim, segundo Popper, a verdade é um ideal regulador. Eliminando os erros das teorias anteriores e substituindo-as por teorias mais verosímeis, aproximamo-nos da verdade. Para Popper, é nisso que consiste o progresso da ciência — e, por exemplo, é assim que se passa, progredindo sempre para teorias mais verdadeiras, de Copérnico a Galileu, de Galileu a Keppler, de Keppler a Newton, de Newton a Einstein. Com isso, porém, não devemos pensar que exista uma lei de progresso da ciência, pois a ciência também pode estagnar. O progresso da ciência conheceu obstáculos (epistemológicos, ideológicos, económicos, etc.) e talvez venha a conhecê-los. Não existe lei do progresso na ciência. Este faz-se por meio de "revoluções intelectuais e científicas", estas "são introduzidas a partir de falsificações bem sucedidas. ...As teorias não são resultado directo das refutações; foram realizações do pensamento criativo, do homem pensante ". Popper diz que temos um critério de progresso: uma teoria pode aproximar-se mais da verdade do que outra. Saliente-se que a ideia de "aproximação à verdade" nada tem em comum com a ideia de acréscimo gradual de pormenores na teoria que a deixariam, no essencial, igual a si mesma. As teorias refutadas integram o processo de aproximação à verdade por terem provocado a criação de teorias melhores: "A afirmação de que a Terra está em repouso e que os céus giram à volta dela está mais longe da verdade do que a afirmação de que a Terra gira em torno do seu próprio eixo, de que é o Sol que está em repouso e os outros planetas se movem em órbitas circulares à volta do Sol (tal como foi avançado por Copérnico e Galileu). A afirmação, que se deve a Keppler, de que os planetas não se movem em círculos, mas sim em elipses (não muito alongadas) com o Sol no seu foco comum (e com o Sol em repouso ou em rotação à volta do seu eixo) é mais uma aproximação à verdade. A afirmação (que se deve a Newton) de que existe um espaço em repouso, mas que, excluindo a rotação, a sua posição não se pode encontrar através da observação das estrelas ou dos efeitos mecânicos é mais um passo em direcção à verdade."» G. Reale, D. Antisieri, História da Filosofia, III, EP, p.p. 1042-1046

THOMAS KUHN

A reflexão de Kuhn sobre a natureza da actividade científica articula-se em três conceitos fundamentais: os conceitos de "paradigma", "ciência normal" e "ciência extraordinária".

a) Paradigma

Numa determinada época do desenvolvimento da ciência, as investigações científicas são orientadas e estruturadas por um paradigma, isto é, por uma visão do mundo (Weltanschaung), que, sendo geral, inclui não só a teoria científica dominante como também princípios filosóficos, uma determinada concepção metodológica, leis e procedimentos técnicos padronizados para resolver problemas. Assim, o paradigma científico dominante no século XVII, a teoria de Newton, tinha como pressuposto uma representação filosófica da natureza (fundava-se na concepção antiteleológica do mundo natural, concebendo-o como um sistema mecânico regido pelo jogo de forças), apoiava-se nas leis do movimento formuladas pelo próprio Newton, na adopção de uma determinada metodologia (matematização da física) e na opção por determinadas técnicas de observação e de experimentação. A constituição de um paradigma instaura a comunidade dos sábios (para Kuhn, a ciência é obra de comunidades científicas e não de génios isolados) e define não só o meio de solucionar os problemas como também os problemas que convém resolver.

b) A ciência normal e a ciência extraordinária

No período da ciência normal, a comunidade científica trabalha a partir do paradigma estabelecido. Procede investigando fenómenos ainda não explicados com o objectivo de os enquadrar na teoria dominante e de resolver pequenas ambiguidades teóricas. No período da ciência normal — cujo desenvolvimento é contínuo — o cientista, uma vez que a sua preocupação essencial é a de, ao resolver problemas, estender o campo de aplicação do paradigma, abstém-se, quanto ao que é fundamental, de criticar este. Reina o acordo geral e a investigação desenvolve-se no interior do paradigma. E quando um facto coloca um problema recalcitrante, que resiste ao enquadramento na teoria consensualmente em vigor é, geralmente, descartado como "anomalia", para não ameaçar o consenso no interior da comunidade científica. Contudo, a acumulação de anomalias, isto é, de casos problemáticos que o paradigma não resolve, acaba por dar origem a períodos de crise [um paradigma, dada a sua generalidade e complexidade, é sempre suficientemente impreciso para que se tornem possíveis estas "crises"]: as "anomalias", ameaçando o paradigma nos seus próprios fundamentos, são momentos críticos — pense-se na crise da física determinista desde 1924 — porque o consenso dá lugar à divisão, à formação de grupos que procuram outras teorias e outros fundamentos. A este período crítico dá Kuhn o nome de ciência extraordinária.

c) Revolução científica

O momento de crise — que pode ser longo — só encontra o seu termo quando um novo paradigma é adoptado. Como todo o paradigma representa um modo geral de interpretar o mundo e não um simples conjunto de soluções parciais ou regionais, ele corresponde a uma revolução científica e exige uma espécie de conversão mental por parte de quem o adopta. Estabelecido o paradigma, segue-se um novo período de ciência normal. Os cientistas irão aprofundar teoricamente o novo paradigma, resolver os problemas de acordo com ele, i. e., com os novos modos de solução assimilados, evitando pôr em causa esse modelo [por isso, dirá Kuhn, a comunidade científica não é dirigida pelo ideal de verdade]. As revoluções científicas não são muito frequentes: acontecem de vez em quando, o que denota uma certa resistência dos cientistas à mudança. A que se deve o triunfo de um novo paradigma? «O triunfo de um novo paradigma pode dever-se a uma grande variedade de factores: a sua capacidade para explicar factos polémicos persistentes, a sua utilidade na resolução de problemas e realização de previsões adequadas e, em não menor medida, a aura e o prestígio dos cientistas que inventam uma nova teoria e a defendem. O prestígio pessoal de um cientista", diz Kuhn "é muitas vezes considerado como sendo o resultado ou a prova de um excepcional engenho e inteligência. Mas pode também dever-se ao facto de ter apoios e amizades influentes no mundo das finanças e da política. Para que uma nova teoria se imponha, o seu inventor deve ter uma posição relativamente elevada na hierarquia universitária e facilidade no acesso a financiamento para a investigação." Jenny Teichman e Katherine Evans, Philosophy: a Beginner's Guide, Blackweel, p. 146 Deste modo, a mudança de paradigma não obedece a critérios simplesmente racionais e científicos (não é somente a sua eficácia teórica e técnica, a capacidade de resolver mais problemas que os paradigmas "rivais", que conta).

A grande diferença entre Kuhn e Popper reside no facto de a mudança de paradigma não ser obra de uma racionalidade crítica: ao mudar o paradigma, substituem-se teorias, meios, hábitos de trabalho e também os objectivos — adoptam-se práticas distintas que não são alinháveis segundo o esquema da "aproximação à verdade" de Popper.

 

No texto Carácter cumulativo da ciência J. R. Oppenheimer defende o continuísmo.

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O seu corpo fala na hora da entrevista.

http://www.aol.com.br/carreiras/fornecedores/aol/2006/01/27/0001.adp AOL - 12:03 - 27/01/2006

O seu corpo fala na hora da entrevista

Conheça o certo e o errado da linguagem corporal e não envie nenhuma mensagem errada ao seu entrevistador

Do empregos.com.br

Mais do que palavras, gestos e sinais podem revelar os verdadeiros sentimentos e sensações de uma pessoa quando interage com os outros – se está à vontade ou não, se está dizendo a verdade ou não, etc. Durante a entrevista de emprego, mais do que nunca, é importante estar atento a todos os seus movimentos corporais e expressões faciais para transmitir uma boa impressão ao entrevistador. É bom lembrar que os recrutadores são treinados para detectar e captar os mínimos detalhes de suas atitudes – positivas ou não. O importante, no final das contas, é transparecer que está seguro e preparado para enfrentar a situação. Para não escorregar, siga as dicas de Priscila Mendes, especialista em entrevista do empregos.com.br e consultora do Hay Group Brasil e de João Pedro Caiado, consultor em recursos humanos e fundador da Human Coaching Consultant.

Equívocos mais comuns e que devem ser evitados na hora da entrevista:

* Braços cruzados – Essa atitude revela descontentamento e falta de conexão com o outro. Em outras palavras, fecha o canal de comunicação entre você e o recrutador – e isso vale também para pernas e mãos.

* Segurar bolsa ou caneta – Qualquer objeto que você estiver segurando durante a entrevista estará servindo como um “amuleto da sorte”, o que, para o selecionador, irá demonstrar insegurança.

* Olhar para baixo – Não olhar nos olhos do entrevistador é o erro mais freqüente dos candidatos. Deixar de encará-lo pode revelar medo e falta de confiança.

* Sentar-se na beirada da cadeira – Indica desconforto e vontade de ir embora o mais rápido possível. Não é a impressão que você deseja passar para o empregador, certo?

* Mexer braços e pernas em demasia – É uma resposta natural do corpo quando se está nervoso e ansioso. Evite, também, “tiques” e “cacuetes”, como passar a mão a toda hora no cabelo. Por outro lado, ficar totalmente estático não é a melhor opção. Você é um produto que tem vida.

Soluções que devem ser aplicadas:

* Sente-se no encosto da cadeira e incline-se um pouco para frente – Você se sentirá automaticamente mais seguro e relaxado. Inclinar-se para frente irá demonstrar ao selecionador uma atitude positiva com o momento

* Repouse os braços no apoio da cadeira – Isso evitará que você cometa os erros descritos acima. Se a cadeira não possuir apoio, é só pousar as mãos sobre as pernas – sem cruzar os braços, claro.

* Olhe nos olhos do entrevistador – Ao encará-lo de frente, você transmitirá confiança e criará empatia. Outra dica é movimentar a cabeça e a sobrancelha de forma a mostrar que você está entusiasmado com a conversa.

* Sintonia de movimentos – Procure sincronizar seus gestos e movimentos com os do selecionador – esta técnica, denominada “rapport”, ajuda a criar maior sinergia e envolvimento com o outro. Dicas especiais

* Antes da entrevista – Se você for tímido e estiver muito ansioso para a entrevista, procure se alongar momentos antes de conversar com o recrutador. “Se não estiver se sentindo confortável, vá ao banheiro e faça um alongamento”, diz Priscila. Controlar a respiração também é um ótimo recurso para ficar mais relaxado.

* Ao final da entrevista - É imprescindível que, ao cumprimentar o entrevistador, você dê um aperto de mão firme e confiante. A dica aqui é, ao final da conversa, apertar a mão ainda com mais firmeza – sem machucá-lo, é claro. “Isso irá demonstrar que você sentiu confiança na entrevista”, afirma Caiado.

 

Sábado, 28 de Janeiro de 2006

Questão sobre Popper e Hume

PERGUNTA:
Adriano Campos escreveu:


Olá! Lendo a aula teórica número 6, na qual Popper tenta dar uma resposta ao problema de Hume, surgiu uma dúvida!

"Popper subscreve a insistência humiana de que não é possível chegar à universalidade de um enunciado a partir de nenhuma série finita de observações;"

"• mas o mesmo já não acontece com o passo seguinte que Hume dá, e que é o de fornecer uma explicação psicológica dos processos indutivos.

É aqui que Popper se opõe à tradição epistemológica dos últimos séculos e afirma — e é neste ponto que radica a sua resposta ao problema — que o que acontece é que o conhecimento humano não procede por indução. (…) ".. não há indução por repetição“.

Pedia que o Professor desenvolvesse e explicasse melhor este ponto, se Popper defende que o "conhecimento humano não procede por indução", então como procede?

Queria ainda saber se o Professor antes do exame irá disponibilizar um tempo para o esclarecimento de duvidas, e, se sim, o dia e a hora.

Obrigado!

Adriano Pereira Campos

1º ano de Sociologia da UM

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RESPOSTA:
Olá Adriano

Peço desculpa pelo atraso na resposta mas tenho estado fora da UM nos últimos tempos.


Primeira questão.

Segundo Popper, a indução é importante desde que não se fique por aí. Ou seja, há sempre algo de dedutivo, de construído que não pode ser obtido através do acumular de observações empíricas.

Popper diz que o Hume tem razão (ao nível lógico e metodológico) ao levantar dúvidas acerca do conhecimento científico que, desde Newton, começa a apoiar a lógica indutiva: "tirar conclusões gerais a partir de casos particulares considerados como portadores de relações gerais". Por isso, Hume duvida da validade do exemplo da Balança e das leis de Newton sobre um fenómeno que não se baseia nos nosso sentidos - não é observável em si (as leis indutivas da movimento que estudam a "gravidade" - ninguém a gravidade).

Atenção! A dicotomia formal indutivo/dedutivo diz respeito ao raciocínio científico.

DEDUTIVO "Considera-se que um raciocínio é dedutivo quando, de uma ou mais premissas, se conclui uma proposição que é conclusão lógica da(s) premissa(s). A dedução é um raciocínio de tipo mediato, sendo o silogismo uma das suas formas clássicas. Veja-se o exemplo (de raciocínio dedutivo/silogismo): a) Todos os mamíferos são animais; b) Todos os gatos são mamíferos; c) Todos os gatos são animais. A proposição c) conclui-se logicamente das duas anteriores, em que estava implícita".

INDUTIVO Raciocínio que consiste em tirar conclusões gerais a partir de casos particulares considerados como portadores de relações gerais. O problema do raciocínio indutivo está no facto de que, contrariamente à dedução, a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão. In: http://ocanto.webcindario.com/lexd.htm

Segundo.

Para Popper, no entanto, a parte mais geral, a dúvida total e psicológica de Hume já não faz sentido pois entra num terreno pantanoso (do vale tudo) em que a ciência não se distingue do conhecimento vulgar (posição "relativista" - não se deve confundir com a Teoria da Relatividade de Einstein). No fundo, Popper diz que o PROBLEMA (a dúvida) de Hume pode ser recuperado sem cair numa DÚVIDA total sobre todo o conhecimento científico.

Nota: Mais tarde, Popper vai considerar a posição do físico Thomas S. Kuhn próxima do relativismo e, por isso, perigosa. Na verdade, Thomas S. Kuhn, de uma forma mais sociológica (e baseado na história da ciência), retoma o problema de Hume.

"RELATIVISMO Teoria filosófica segundo a qual não existem verdades absolutas mas apenas relativas (à etnia, ao sexo, à classe social, aos interesses esconómicos e políticos...): "nenhuma forma universal da razão pode ser válida para todos". (Fernando Savater - As Perguntas da Vida, p. 56)." in : http://ocanto.webcindario.com/lexr.htm

Veja este texto porque lhe permite ficar com ideias mais claras sobre o tema:

" [Este é um tema da rubrica O estatuto do conhecimento científico da 2ª unidade temática do programa de Introdução à Filosofia do 11º ano]

1. Os objectivos principais da rubrica estão aqui.

2. Com este tema pretende-se * reconhecer a importância do método na construção da ciência * identificar os diferentes momentos do método científico e a sua interdependência * compreender o carácter problemático do método hipotético-dedutivo * avaliar a importância das posições de Popper em relação aos problemas suscitados pelo método hipotético-dedutivo

3. Algumas ideias-síntese:

* a observação científica não é simples observação de factos: a ciência não parte da observação dos fenómenos mas da formulação de problemas sobre esses fenómenos (a descoberta de "factos polémicos"). Como nota François Jacob, pode examinar-se um objecto durante anos sem daí tirar a menor observação com interesse científico; nas palavras de Gérard Fourez, observar é fornecer uma modelo teórico daquilo que se vê; * observado/analisado o fenómeno, o cientista passa à formulação de uma hipótese que o explique -- uma explicação provisória. A hipótese, embora se relacione com os dados da observação, não deriva directamente deles, sendo antes uma criação do cientista.

No entanto, a indução está na base de muitas hipóteses: a partir dos casos observados pode formular-se uma hipótese que explique não apenas esses casos, mas todos os da mesma espécie; Hume criticou esse salto no desconhecido (a passagem da análise de casos particulares para o carácter geral da hipótese) -- as teorias de Popper podem constituir uma alternativa e de certo modo uma "solução" para esse problema (ver abaixo); * formulada a hipótese, deduzem-se dela as consequências -- sobretudo nos casos em que a hipótese não pode ser directamente verificada; * faz-se depois a contrastação experimental das consequências da hipótese. Se estas forem confirmadas, a hipótese está verificada; caso contrário, será rejeitada (e, eventualmente, formulada uma outra); * portanto, o método científico não é exclusivamente indutivo; o indutivismo experimental (e uma visão inteiramente mecanicista da Natureza) foi posto em questão pelo princípio de indeterminação de Heisenberg; * a relação entre a hipótese e a experiência é o aspecto mais decisivo da ciência. Nas palavras de Ian Hacking [in A ciência tal qual se faz, p. 269 (elementos bibliográficos aqui), que reproduz uma comunicação sua sobre factos e hipóteses] "as pessoas propõem hipóteses, mas os factos da natureza determinam quais as hipóteses que são aceitáveis e quais as erradas". No entanto, a experiência científica é selectiva (em relação aos aspectos considerados relevantes) e, portanto e de certo modo, criativa -- pelo que não oferece certeza absoluta; * por considerarem fraca a prova pela simples confirmação, alguns epistemólogos contemporâneos entendem a verificação da hipótese como a procura da sua refutação. O grande defensor desta perspectiva é Popper: recusando a o carácter indutivo da ciência, Popper defende que a ciência parte da teoria e não da observação e que o erro é factor dinâmico de progresso: só tem carácter científico a teoria que for refutável, sendo que não se pode demonstrar a verdade de nenhuma teoria científica, mas apenas a sua falsidade; * assim entendidas, as teorias são conjecturais e provisórias -- acentuando-se ainda deste modo o carácter aproximativo e probabilístico da ciência.

9. Alguns elementos de apoio: * Recorde, a partir dos respectivos verbetes do Lexicon, os conceitos de dedução , indução e hipótese e a crítica de Hume à causalidade e à indução. * Veja, no texto A evolução da ciência: continuidade ou ruptura? uma síntese do pensamento de Popper. * Leia aqui uma síntese e o índice do referido livro A ciência tal qual se faz. *

O capítulo 5 ("Ciência") de Elementos Básicos de Filosofia [dados bibliográficos aqui]. Temas: a perspectiva simples do método científico; crítica a esta perspectiva; o problema da indução e tentativas de solução; falsificacionismo: conjectura e refutação; críticas ao falsificacionismo".

Veja este texto no site (com os links):

http://ocanto.webcindario.com/11ano/5_cienc3.htm

Boa sorte!

José Pinheiro Neves

TÉCNICAS DE ESTUDO - Fique aqui com algumas dicas de estudo, para quando tiver que enfrentar a pesad

 

Consultem este site: http://www.universia.pt/conteudos/estudantes/tecnicas_estudo.jsp

TÉCNICAS DE ESTUDO

Fique aqui com algumas dicas de estudo, para quando tiver que enfrentar a pesada época de exames:
 

» Prepare um ambiente adequado para estudar, reúna o material necessário, planeie o quanto irá estudar nesse dia e que sejam compatíveis com as metas semanais propostas. Focalize toda sua atenção na sessão de estudo que vai começar.

» Programe-se para a cada 50 minutos de estudo, fazer um intervalo de 10 minutos, procurando movimentar-se a fim de fazer circular o sangue no corpo, e principalmente no cérebro.

» Este intervalo é o tempo adequado para o seu cérebro processar toda a matéria até ali estudada e com isso ter um maior rendimento, ou seja, poderá estudar mais horas por dia, sem com isso “cansar” a sua cabeça e prejudicar o seu desempenho.

» Antes de cada sessão de estudo procure dar uma vista de olhos no que vai estudar, de forma a estruturar a matéria dentro da sua cabeça, organizada por item e sub-items.

» Faça resumos da matéria de uma forma “não linear”, ou seja, utilize palavras-chaves, cores, desenhos. Em resumo, procure montar um resumo o mais “visual” possível, pois desta forma vai utilizar equilibradamente os dois hemisférios cerebrais (esquerdo e direito), com isso o cérebro poderá trabalhar melhor, pois este tipo de alternância auxilia a um rendimento e compreensão maiores. Utilize também no seu material de estudo, cores, itens sublinhados e destaques visuais com o mesmo propósito. Esta técnica funciona particularmente bem para aqueles que têm uma grande memória visual.


Alimentação

Durante as sessões de estudo, procure comer frutas e beber bastante água, evite alimentos ricos em hidratos de carbono, tais como: bolachas, pão, bolos, etc., pois estes induzem à produção de hormonas facilitadoras do sono. Lembre-se que o cérebro é o órgão do corpo humano que mais utiliza sangue e que mais consome energia, portanto alimente-se adequadamente.

Se for almoçar ou jantar massas e carnes, opte por comer carne no almoço e massas à noite, pois a carne (proteína) induz a produção de hormonas inibidoras do sono, e a massa (hidratos de carbono) hormonas facilitadoras do sono.


Sono

Procure dormir adequadamente, ou seja, cerca de oito horas diárias, não invada a madrugada a estudar, pois, desta forma está a prejudicar várias funções importantes, tanto cerebrais quanto de recuperação celular. O sono não é perda de tempo, ele é muito importante no desempenho global, pois a “sua máquina” precisa render ao máximo, e o máximo só se consegue cuidando bem dela.

Conheça-se bem, a si e aos seus ritmos e limites, procure respeitá-los.


Lazer

Procure reservar um tempo para fazer atividades desestressantes, que goste e que lhe reponham o equilíbrio mental diário. O ideal seriam actividades físicas, como andar a pé, ginástica, ou seja, adtividades aeróbicas em geral, desta forma consegue “aliviar” a sua cabeça ao mesmo tempo em que fará circular mais sangue no seu cérebro.

Não seja muito duro consigo mesmo, saiba balancear motivação, trabalho e lazer

Vê aqui mais técnicas de estudo

 
 »

Site sobre metodologia qualitativa (espanhol)

http://www.sepiensa.cl/listas_articulos/articulos_sepiensa/2002/05_mayo_2002/20020423.html
Sexta-feira, 27 de Janeiro de 2006

Texto e matéria que sai no teste

Este texto irá ser a base de todas as questões (máximo 4) a colocar no teste. O teste será de consulta (podem consultar toda a informação excepto computadores ligados à Internet ou telefones móveis).


Os autores fundamentais:


No debate sobre a ciência: David Hume (+) e Francis Bacon, Karl Popper (+) e Thomas Kuhn (+). No debate sobre a sociologia como ciência: Max Weber (+) e Simmel. 


 


Texto:



"Estas ideias surgiram-me, em parte, enquanto passeava com os meus cães e imaginava como o mundo pareceria sem a "fovea" e com muito poucas células da retina que permitem a visão da cor, mas com uma enorme área de processamento neuronal e sensorial, dedicada ao olfacto. Também podemos tomar consciência disto a partir das fotografias que nos mostram como o mundo aparece aos olhos de um insecto, ou então a partir de uma câmara de um satélite espião, ou dos sinais transmitidos digitalmente de um espaço perto de Júpiter que foram transformados em fotografias coloridas. Os 'olhos' disponibilizados pelas ciências tecnológicas modernas contradizem a ideia de uma visão passiva; estes instrumentos protésicos mostram-nos que todos os olhos, incluindo os  nossos que são orgânicos, são sistemas perceptivos activos, construídos nas traduções e formas específicas de olhar, ou seja, formas de vida. Não existe uma fotografia não mediada ou uma câmara escura passiva nas descrições científicas dos corpos e das máquinas; apenas existem possibilidades visuais muito específicas, cada uma delas com uma forma perfeitamente detalhada, activa, de organizar o mundo. Todas estas imagens do mundo não devem ser consideradas alegorias de uma mobilidade e intercâmbio infinitos, mas como uma elaborada especificidade e diferença que permite às pessoas (…) aprender como ver confiadamente a partir de outro ponto de vista, mesmo que o outro seja a nossa própria máquina".


[in Donna J. Haraway, Chapter 9. "Situated Knowledges: the Science Question in Feminism and the Privilege of Partial Perspective", in Simians, Cyborgs, and Women: the Reinvention of Nature, New York, Routledge, 1991, p. 190]


http://www.hsph.harvard.edu/rt21/concpts/haraway.html [15 de Janeiro de 2001]


Nota


O que é a fóvea?


"Topografia ou organização neuronal da retina: Os receptores são distribuídos heterogeneamente na retina, de modo que a maior concentração e o menor espaçamento entre os receptores, por exemplo, ocorrem na fóvea. A fóvea é uma área central da retina formada apenas por cones e é, também, a região de maior resolução espacial. Por outro lado, à medida que se afasta da fóvea, a concentração de cones reduz significativamente, ao mesmo tempo em que aumenta a concentração de bastonetes. Desta forma, a partir de 10º da fóvea a concentração de cones é mínima, enquanto que a partir de 20º da fóvea a concentração de bastonetes é máxima. A organização dos receptores se reflete não só nas conexões entre receptores e células ganglionares na retina, mas também entre as conexões celulares da retina, do núcleo geniculado lateral e do córtex visual estriado. Por exemplo, na fóvea, região de máxima acuidade visual, a relação entre cones e células ganglionares é de um para um (1:1), enquanto que na periferia, onde a concentração de bastonetes é muito maior do que a de cones, uma célula ganglionar pode se conectar a vários receptores. A organização da retina resulta em valores de acuidade e sensibilidade ao contraste diferentes, dependendo do local ou da excentricidade em que a medida é feita. Segundo Woodhouse e Barlow (1982), o ângulo visual mínimo resolvível aumenta quase linearmente com a excentricidade da retina até cerca de 25º da fóvea. Depois de 25º, o ângulo visual resolvível aumenta mais rapidamente. Em síntese, a nossa percepção visual da forma é reduzida à medida que se afasta da fóvea para a periferia da retina. Ângulo visual é o ângulo segundo o qual o observador vê o objeto e a partir do qual se define o termo limite de AV".


in http://www2.uerj.br/~revispsi/v3n1/artigos/artigo6v3n1.html


 


 

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