Quinta-feira, 24 de Junho de 2004

Trabalho prático com base no texto sobre a teoria da estruturação de Giddens

PERGUNTA:
Boa tarde. professor.

Estou a tentar contactá-lo há já algum tempo.
Por favor, queria saber se posso fazer o trabalho prático com base no
texto sobre a teoria da estruturação de Giddens, escrito em espanhol (6
páginas).
Obrigado e até breve.


RESPOSTA:
Olá

O trabalho prático deverá ser apenas sobre textos originais. O texto em espanhol é "sobre" Giddens. Mais tarde, irá ver a importância desta, aparentemente insignificante, distinção.

Portanto, sugiro que escolha um dos textos originais de Giddens ou outro autor dos cadernos de apoios (1º e 2º semestre).
Sábado, 5 de Junho de 2004

Arquivo das aulas práticas de Metodologia - 2º Semestre - 2003/04 - 1ºturno





Arquivo das aulas práticas de Metodologia - 2º Semestre - 2003/04 - 1º turno



10.III.2004



Aula prática de metodologia das ciências sociais



 


Diálogo entre Weber e David Hume



Weber — Olá, Hume! Explica-me lá uma coisa: afinal acreditas ou não na ciência?



Hume — Adopto uma posição intermédia ou agnóstica. Não sou contra a ciência; sou um céptico em relação ao alcance das generalizações efectuadas pela ciência moderna, nomeadamente de Newton. Vejamos o exemplo do peso. Nestas condições do planeta Terra os terráqueos acreditam que o seu peso é igual, independentemente do lugar. E mais: que é possível criar uma equivalência universal que funciona sempre da mesma forma, independentemente de cada caso concreto.



Weber — Esse assunto interessa-me e até posso dizer, que concordo parcialmente contigo. O meu ponto de partida é simplesmente: as ciências exactas, como a física e a astronomia "apenas despertam o nosso interesse pelas suas relações quantitativas, susceptíveis de medições exactas no campo das ciências sociais, se trata da intervenção de fenómenos mentais, cuja "compreensão" revivescente constitui uma tarefa especificamente diferente da que poderiam ou quereriam levar a cabo, as fórmulas do conhecimento exacto da natureza. No entanto, eu partilho da tua dúvida mas faltam-me argumentos para sustentar a minha intuição quando me refiro ao carácter exacto das ciências da natureza, porque "apesar de tudo, tais diferenças [entre as ciências sociais e exactas] não são tão categóricos como à primeira vista poderia parecer".



Max Weber, "Sobre a teoria das ciências sociais",Lisboa, Presença, 1979 (página 50/1)



 


17.III.2004



 


Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



Diálogo entre Durkheim e Weber



Argumento de Durkheim — encarar o "socius" como coisas físicas, como objectos concretos que nos afectam quase fisicamente, como se fossem "coisas".



Argumento de Weber — as "coisas" sociais não são tão coisas como parecem. E porquê? Por que as "coisas" sociais dependem da perspectiva. Ou seja dependem da maneira de ver, da percepção, da interpretação, da compreensão, do significado que damos às nossas acções ou condutas.



Diálogo



Durkheim — Olá, Weber! Não gosto muito dos subjectivismos, e sei que tu partilhas desta minha suspeita. E como definir esta suspeita? Para mim o social pode ser visto como algo de concreto que interfere quase fisicamente com as minhas acções por mais individuais e íntimas que sejam. Foi por isso que tive a brilhante ideia de escolher como meu primeiro objecto de estudo a acção mais pessoal, mais isolada e íntima que possa existir: nunca ninguém, que eu saiba, convidou os seus amigos para assistir ao acto de suicídio.



Weber — Meu caro Durkheim, não concordo com a tua suspeita. Até poderia dizer que a minha suspeita é exactamente contrária. Aquilo que tu chamas de "coisas" sócias, de carácter quase concreto, eu designo-as como algo virtual. Isto é, a minha maneira de ver as "coisas" sociais diverge da tua porque, embora sendo coercivos, os factos sociais não são externos, pois dependem da nossa apreensão, da forma como os vemos e entendemos, como eles nos afectam.



 


07.IV.2004



Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



Diálogo entre Weber e Bergson



Argumento de Bergson


A minha tese é agnóstica em relação à ciência social e ciência exacta. Nos dois casos, a concepção de tempo tende a ser espacializada. Evitam a "duração".



Weber — Olá, estás bom?



Bergson — Não, estou com uma grande dor de cabeça!



Weber — Eu também fiquei com uma grande dor de cabeça ao ler os teus textos. Acho a tua teoria muito confusa.



Bergson — Não há qualquer razão para ficar confuso. Quando defines sociologia, tu partes da ideia que só há uma forma de ver e sentir o tempo — o tempo representado num espaço. É um tempo medido espacialmente. Olha para o teu relógio! O que é que estas a fazer? Estás a medir o tempo, numa dimensão que não é o tempo. O tempo só pode ser apreendido de uma forma real, quando ele dura.


Tal como fez o Vítor (aluno do curso de Sociologia), todo o tempo, mesmo o mais reduzido é mudança constante. Portanto muito dificilmente o podemos medir e prender.


É como uma bola de neve. Por isso, não se trata de construir uma teoria de tempo mas ante de efectuar uma apreensão directa, real e concreta do tempo (uma espécie de conversão, traqnsformação em nós). Tal como fazem os povos primitivos, as crianças e os animais. Estes ainda não estão apanhados pela ilusão de tempo espacializado. Eu não estou a dizer que tu estás errado. Um sociólogo chamado Schütz vai aplicar esta ideia à tua definição da sociologia.


Talvez percebas melhor este problema colocando-o desta forma: o sociólogo, ao estudar o sentido subjectivo dos actores sociais, está também a navegar no dia-a-dia, na duração do tempo. Imagina que os actores sociais estão todos a fazer surf — como é que consegues fazer parar a onda para fazeres a tua descoberta objectiva do sentido subjectivo que o outro surfista dá à forma como se equilibra na onda. O sociólogo também está em cima da prancha, estando por isso na mesma situação do actor social.



 


 


 


 


31.III.2004



 


Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



 


Diálogo entre uma Aluna do 1º ano do curso de Sociologia da Universidade do Minho e Henri Bergson (enontram-se no BA)



Bergson — Olá! Estou a escrever um livro sobre o tempo



Aluna — Muito interessante. Porquê escrever um livro sobre o tempo?



Bergson — Podemos pensar o tempo a partir da própria existência. Nós pensamos a existência como se pudesse ser compartimentada: agora estou no BA e a seguir estarei noutro sítio. Mas não basta dizer isto, porque há uma continuidade na mudança.



Aluna — Ora, se não estou a fazer uma coisa estou a fazer outra! Essa conversa da continuidade parece-me contrária com o que você disse no início. Então há mudança ou não? É contínua ou não?



Bergson — Deixe-me esclarecer uma coisa: o que eu disse atrás referia-se apenas a exemplos de uma forma "normal" de pensar a existência. Eu não acho que vida/existência esteja dividida em blocos. Por exemplo, a minha amiga pode fazer uma experiência muito simples: olha para uma caneta durante um segundo, debaixo do mesmo ângulo, com a mesma luz, do mesmo lado.



Aluna — Ora! Ora! É evidente que há mudança! Porque eu respiro, o meu sangue circula, mas além disso, eu lembro-me de uma frase de Heraclito que diz o seguinte "nunca te banharás na mesma água deste rio". Eu compreendo perfeitamente o que queres dizer: no primeiro momento em que olhamos para a caneta recebemos uma imagem através dos nossos olhos. A seguir, passado um momento, um fotograma (luz + marca), uma luz atravessa o globo ocular e vai impressionar uma parte do cérebro. Envelheceu um instante, há uma nova imagem desse objecto.



 


Texto recolhido por:



Mafalda Lourenço



(1º ano de Sociologia da Universidade do Minho - 2003/04)



 



Arquivo com os diálogos escritos nas aulas práticas do ano lectivo de 2002/03 (2º Semestre)

 Arquivo com os diálogos escritos nas aulas práticas do ano lectivo de 2002/03

Diálogo entre Max Weber e David Hume 


            Hume: Olá! Eu sei que conheces o meu problema. Peço-te que me ajudes a solucioná-lo


            Weber: Eu sou um sociólogo que tentou dar uma solução ao teu problema, na área das ciências da cultura. Tentei encontraruma via para o pensar, mais do que dar uma solução definitiva. Nesta ordem de ideias, penso que o teu problema faz mais sentido na área das ciências humanas. Em relação às ciências da natureza quase não discuti esse problema, embora o tenha referido superficialmente. De qualquer forma, tive a noção que a verdade científica não era algo absoluto. A crença no valor da verdade científica é produto de determinadas civilizações e não um dado da natureza. Com esta frase, no fundo, estava a concordar com a questão que tu levantaste a Newton. No entanto não desenvolvi muito esta questão.


            Hume: Então diz-me lá a tua solução para as ciências sociais.


            Weber: Vou tentar conciliar duas visões da ciência, um pouco na linha do que fez Kant. Sei que nunca conseguirei um conhecimento perfeito como é reivindicado pela astronomia. Por isso, tenho consciência que as relações de causalidade que estabeleço são formas, em bruto, que destaco em relação ao caos do mundo. Todos estes sistemas ou causalidades, não passam de tentativas para conferir uma ordem, destacar um padrão contra um fundo de ruído. Estes destaques que efectuo não passam de caricaturas, de tipos perfeitos que não existem na realidade. Mas eu não escolhi estes temas – caricaturas, traços grosseiros – por uma questão de humildade ou de incapacidade. Quanto mais geral e abstracto é o tipo de causalidade que eu proponho, mais perigoso se pode tornar. No fundo, comungo da tua inquietação e transporto-a para as ciências sociais. Enquanto que no campo da astronomia os corpos celestes permitem estabelecer relações quantificáveis, existem outras áreas, mesmo nas ciências da natureza onde esse tipo de relações é qualitativo e desse ponto de vista, as diferenças entre ciências da natureza e as ciências da cultura não são tão categóricas como à primeira vista pareciam ser. As regularidades são susceptíveis de uma expressão numérica que remetem para algo qualitativo: trata-se também de fenómenos mentais cuja compreensão revivescente os aproxima do que acontece na sociologia.



Diálogo entre Max Weber e Émile Durkheim


Durkheim: Olá!


Weber: Olá, Durkheim! Estive a ler o teu livro “As regras do método sociológico” e posso dizer que gostei da parte onde defendes a necessidade das ciências da sociologia serem objectivas. No entanto, o meu caminho para aí chegar é diferente do teu. Ou seja, concordo contigo quando dizes que as ciências da natureza devem ser um ponto de referência. Contudo, as ciências sociais são umas ciências diferentes porque o seu objecto tem consciência, sentimentos, linguagem que se percebe. O nosso “objecto” humano é capaz de comunicar ao sociólogo o sentido/significado que dá às suas acções.


Durkheim: Weber, se bem entendi, defendes uma sociologia que estuda uma coisa muito abstracta e difícil de definir. Evitando essa armadilha, proponho uma solução mais clara: para evitar que a sociologia se transforme numa filosofia especulativa, é necessário encarar os fenómenos sociais como se fossem estrelas. E apliquei isso a um fenómeno extremamente subjectivo: o suicídio. Encarei esse fenómeno da mesma forma que um astrónomo olha para as estrelas. Procurei descobrir regularidades/concomitâncias.


 


Diálogo entre Max Weber e Georg Simmel


 .


 Weber: Olá! Estive a ler o teu ensaio sobre “Como é possível a sociedade?” De acordo com o que li, tu sugeres uma forma de fazer ciência social, que é muito próxima da minha. Contudo, há um ponto que não entendi muito bem. Tenho a impressão que complicas muito a questão da diferença entre as ciências da natureza e as ciências da cultura


Simmel: De facto, tens razão. A grande diferença entre nós situa-se não propriamente ao nível dos conteúdos, mas sim quanto à forma de se olhar para as “coisas” sociais. Como sabes, estudei Kant e, por isso, achei que devia aprofundar essa questão da diferença entre a “natureza” e o social. O meu ponto de partida é semelhante ao teu, mas o meu caminho posterior tende a afastar-se. Enquanto tu consideras os tipos ideais como abstracções que permitem o conhecimento social, através de relações de causalidade complexas, eu encaro-as como tentativas, formas caricaturais onde a questão do conteúdo não deve ser realçada. Defendo a seguinte metáfora: tal como o peixe no mar, no social, o contemplador não pode separar-se do contemplado, ou, pelo menos, não é fácil essa separação. E mais: não encaro essa separação como algo positivo pois nós estamos imersos no social. Podemos apenas distinguir formas caricaturais, contornos, linhas que delimitam tal como uma geometria do social.


 



Diálogo entre Alfred Schütz e Max Weber


            Weber: Olá! Tudo bem? Não te via há muito tempo. Estive a ler a tua obra e achei-a muito interessante. No entanto, há aspectos que não entendo: como é que uma compreensão intersubjectiva pode ser ciência?


            Schutz: Concordo contigo quando dizes que a sociologia estuda as condutas dos sujeitos, nomeadamente, os sentidos que eles dão às suas condutas. E até sublinho essa ideia porque, a partir de dois filósofos muito interessantes (Husserl e Bergson), descobri que a tua noção de ciência social deverá ser modificada, não em termos de conteúdo, mas antes em termos de olhar, ou de forma de ver. De facto, esqueces que a sociologia não existe sem sociólogos que, como tal, partilham da consciência subjectiva do mundo. Ora, a tua definição esquece essa questão capital ao sugerir que o sujeito/sociólogo tenha uma consciência científica acerca da consciência dos outros. Eu não nego a importância de melhorar essa consciência de forma a criar tipologias. No entanto, encaro essas tipologias como algo perigoso, porque valorizo o conhecimento como algo que remete para a simultaneidade. Quanto mais perto e no mesmo tempo, melhor. No fundo, levanto dois problemas à tua definição: o primeiro é espacial – o sociólogo é também alguém com uma consciência subjectiva; o segundo, muito ligado ao anterior, é de carácter temporal – o sociólogo e os actores partilham uma corrente de consciência de forma que quanto mais sincronizados tiverem, mais fácil é a inter-compreensão.



Diálogo entre Latour e Garfinkel



Latour – Olá! Estás bem? Li com atenção os teus livros e achei que tinham aspectos positivos, mas há algumas ideias que não me parecem muito claras. Podem distinguir-se em dois grupos: a primeira tem a ver com o aspecto formal e a segunda com uma questão substantiva.


            Em primeiro lugar, tu reduzes o sociólogo a um mero jornalista que descreve as interacções sociais localizadas. Em segundo lugar, há um outro problema intimamente ligado ao anterior: a sociologia situa-se sempre num nível micro, é uma descrição centrada num tempo específico/determinado.


Garfinkel – Primeiro, optei pela descrição porque a sociologia que me antecedeu começou a cair na reificação dos conceitos. Por isso, resolvi fazer uma pequena provocação abandonando a própria designação de sociologia substituindo-a por etnometodologia; em segundo lugar, optei pela visão micro, pois considero que ordem social é feita constantemente pelos próprios actores em situações localizadas num determinado espaço/tempo (inspiro-me na ideia de “duração” de Schütz e Bergson).


Latour – No fundo, até concordo, no essencial, contigo. Porém, há uma outra forma de encarar estes dois problemas a partir da sociologia da ciência e da técnica. De facto, esta sociologia, ao estudar a forma como as ciências exactas fazem ciência, descobriu que os sociólogos tinham uma visão idealizada da ciência. Porque o que os cientistas fazem nos laboratórios são meras traduções dos actantes não-humanos. Não precisas de te sentir envergonhado porque, ao fazeres descrições, estás a fazer essencialmente o mesmo que os cientistas das ciências exactas fazem (a “verdadeira ciência”). Em relação ao segundo problema, olhemos com atenção o que fazem os tradutores dos actantes não-humanos. Os cientistas estudam casos concretos, localizados e não idealizados, que se assemelham muito à sua proposta de partir sempre do nível micro, evitando a coisificação dos conceitos demasiado macro. No entanto, os teus críticos têm alguma razão porque as interacções locais não são completamente livres porque estamos rodeados de actantes não-humanos, que constantemente nos puxam para o passado (os actantes não-humanos são algo exterior que condicionam as nossa interacções).


 

Arquivo Aulas Práticas Metodologia - 2º Sem - 2º Turno 10 e 17/03/2004

 

Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais – 1º ano – Curso de Sociologia da Universidade do Minho - 17/03/2004





Guião do texto:


 



  • Argumento de Durkheim: -> Encarar o “socius”, a consciência colectiva, como coisa física, como se fosse um objecto que afecta coercivamente as acções e os pensamentos dos seres humanos.
  • Argumento de Weber: -> As ”coisas” sociais não são tão coisas como parecem. E porquê? Porque as ”coisas” sociais dependem da perspectiva, maneira de ver, percepção, compreensão. Ou seja, dependem do significado ou do sentido que dou à minha acção ou conduta.

 


Duas frases incorrectas:</span>
Weber estuda a acção social.
</span></p>

A grande separação, na dimensão natureza das ciências sociais, é o carácter mais ou menos integrador da sociedade</span></p>


Diálogo imaginário entre os sociólogos  Émile Durkheim e Max Weber: </span></i></font></font></p>

 Weber: Olá, amigo e colega Durkheim. Na minha opinião, as ”coisas” sociais, não são tão coisas como parecem, porque dependem da perspectiva, da maneira de ver, da percepção, da interpretação, compreensão, ou seja, do seu significado ou sentido para o actor social.


Para mim, o essencial não é o facto de me sentir “chateado”, de me sentir pressionado pelo outro (socius) ou pelos outros num outro, ou dos outros em mim (como tu mostraste muito bem na tua obra “O suicídio. Um estudo sociológico”). Nesse teu trabalho pioneiro de investigação, tens razão naquilo que dizes, mas estás a concentrar-te em algo que não é essencial, embora qualquer um de nós o experimente diariamente.


Até certo ponto, pode dizer-se que és um pouco míope. A tua visão tem pouco alcance porque ficas apenas pelas primeiras impressões, ou seja, ficas por algo que, embora seja muito fácil de sentir, reduz o alcance da tua “logia” a uma lógica quase de tipo automático, como se os humanos reagissem tipo “cobaias” de experiências científicas. Muitos humanos, em situações limite, reagem assim mas há uma imensa maioria de situações em que isso não se passa. As alavancas que fazem andar a sociedade, por ti pensada, não têm em conta estes acidentes.


Os ditos acidentes consistem no facto dos “factos” sociais passarem sempre pela CPU Humana (Unidade Central de Processamento nos computadores que, nos humanos, se designa habitualmente por cérebro e suas extensões). Ora, esta mediação constitui um acidente notável que tu infelizmente ignoras.


É por isso que insisto na questão do sentido: a sociedade é sempre mediada, as “coisas” sociais são sempre mediadas pelos sentidos que os actores dão aos seus actos. De acordo com o que diz o Vítor, é necessário formular sempre uma pergunta essencial: como é que tu te sentes nesta situação de pressão social, de coerção social? Qual a tua leitura desta coerção e qual a forma como essa leitura se reflecte na tua acção? Foi essa a questão que formulei quando estudei a relação entre a opção religiosa e as transformações económicas que permitiram o desenvolvimento da sociedade capitalista moderna – “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.


Durkheim: Não concordo contigo, Weber, porque estás a entrar num terreno minado, numa zona muito fluida onde é impossível fazer estudos científicos. Estás a ser muito subjectivo: como é que posso conhecer o que se passa na mente de cada um? Essas soluções transformam a sociologia numa psicologia ou numa filosofia especulativa.


A sociologia existe porque a sociedade não se reduz à mera consciência individual; só assim é possível o estudo sociológico. Na verdade, podes perguntar ao sujeito social como é que ele se sente, ou, qual o sentido que ele dá à acção, mas por esse caminho acabas numa espécie de assistente social. Não parece ser esse o melhor caminho, para construir uma logia do social com carácter científico.


Por exemplo, para que é que me interessa conhecer as razões subjectivas e pessoais (podem ser tão diversificadas!) que levam certos indivíduos a suicidarem-se. Mais vale procurar noutro lado: há uma força social que os ultrapassa, que, no caso do suicídio anómico, se torna cada vez mais fraca, que vai perdendo o carácter coercivo. O nome dessa força é a consciência colectiva. No caso do suicídio anómico, esta força não funciona. Como diz o Vítor, a consciência colectiva em vez de arrastar o sujeito, o indivíduo, para o social normal integrado, transforma-se numa força fraca, permitindo, no limite, o acto do suicídio sendo por isso um indicador social, um sintoma de um processo social mais amplo.

Texto recolhido por: Francelina Neiva (Aluna do 1º ano de Sociologia da Universidade do Minho)






Dialogo entre Max Weber, e David Hume: Aula prática de 10/03/2004



 


 


 


Weber: Olá David Hume, tudo bem? Já que estás aqui gostava de entender melhor a razão que levou Kant a valorizar-te, de tal forma que o levou a despertar do sono dogmático.



Hume: Olha lá, eu não sou assim tão importante e até acho exagerado esse elogio do Kant. Eu no fundo quis mostrar que o conhecimento cientifico se baseia no inobservável. Quando se diz que a verdade é descoberta, usa-se uma metáfora física que se assemelha ao funcionamento do relógio: há qualquer coisa por detrás do observável (o mostrador do relógio esconde o mecanismo, o funcionamento do relógio com as suas molas e rodas) a que apenas o cientista tem acesso — o inobservável. Quando um cientista como Newton formula uma lei a partir de um conjunto reduzido de observações está a "pré — observar", a "pré — ver": Ou seja, Newton, no essencial não se distingue do olhar religioso ou da previsão de um qualquer feiticeiro de uma tribo africana.



Weber: Fascinante, que pena eu não te ter lido com mais atenção, no meu tempo as ciências exactas eram encaradas como incontestáveis, mas eu no fundo já partilhava da tua suspeita.. Pensava-se que no campo da física e da astronomia, somente havia interesse pelas "Relações quantitativas, susceptíveis de medições exactas, no campo das ciências sociais, pelo contrário, o que nos interessa é o aspecto qualitativo dos factos [....] Apesar de tudo, tais diferenças não são tão categóricas como à primeira vista poderia parecer". Max Weber, Sobre a teoria das ciências Sociais, Lisboa, Ed. Presença 1979, pp. 50-51







Texto recolhido por: Francelina Neiva (Aluna do 1º ano de Sociologia da Universidade do Minho)
</font>

 


 


Resposta a questões dos alunos

Pergunta: Caro professor. Sou uma aluna do primeiro ano de sociologia e gostaria de esclarecer uma dúvida sobre o exame, quem reprovou na primeira frequência tem de estudar a matéria do primeiro semestre para este exame? Desde já, grata pela atenção


Resposta: Os alunos que reprovaram no teste de Janeiro/Fevereiro terão de responder a questões acerca da 1ª parte da disciplina (1º semestre) e sobre a 2ª parte (2º semestre).


Para mais informações sobre o programa da disciplina e formas de avaliação consultar os seguintes sites.


Programa e formas de avaliação da disciplina de Metodologia: http://www.ics.uminho.pt/sociologia/ensino/ProgMCS.pdf


Regulamento de avaliação da Universidade do Minho (RIAPA): http://www.saum.uminho.pt/


 (ver na ligação regulamentos e procurar o RIAPA)


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Pergunta: Professor Neves. Inscrevi-me para fazer o exame na 1º chamada, mas estou com alguma dificuldade em fazer o trabalho prático, pelo que não sei se o entregarei no dia 7 de Junho. Gostaria de saber se, apesar de fazer o exame neste dia, poderei entregar o trabalho, sem penalizações, no dia 7 de
Julho, dia do exame da 2º chamada
?
Obrigada pela sua disposição.
Aguardo a sua resposta.


Resposta: Pode entregar o trabalho prático na 1ª ou na 2ª chamada independentemente da sua inscrição. Não se esqueça que o deve entregar apenas nesse espaço de tempo e, de preferência, pessoalmente.Também poderá enviá-lo via E-mail (sem ficheiros de imagens tipo jpeg ou gif) até 24 horas após o final da 2ª chamada (17h) para:

jpneves2004@yahoo.com.br
 


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<P><FONT face=courier><FONT size=4><STRONG>Pergunta: </STRONG>Caro professor. Sou uma aluna do primeiro ano de sociologia e gostaria de esclarecer uma dúvida sobre o exame, <STRONG>quem reprovou na primeira frequência tem de estudar a matéria do primeiro semestre para este exame</STRONG>? Desde já, grata pela atenção</FONT></FONT></P>
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<P><FONT face=courier size=4>Para mais informações sobre o programa da disciplina e formas de avaliação consultar os seguintes sites. </FONT></P>
<P><FONT face=courier size=4>Programa e formas de avaliação da disciplina de Metodologia: </FONT><a href="http://www.ics.uminho.pt/sociologia/ensino/ProgMCS.pdf" rel="noopener"><FONT face=courier size=4>http://www.ics.uminho.pt/sociologia/ensino/ProgMCS.pdf</FONT></A><FONT face=courier size=4> </FONT></P>
<P><FONT face=courier size=4>Regulamento de avaliação da Universidade do Minho (RIAPA): </FONT><a href="http://www.saum.uminho.pt/" rel="noopener"><FONT face=courier size=4>http://www.saum.uminho.pt/</FONT></A></P>
<P><FONT face=courier size=4> (ver na ligação regulamentos e procurar o RIAPA)</FONT></P>
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<P align=left><STRONG><FONT face=courier><FONT size=4>Pergunta: <TT>Professor Neves. </TT><TT>Inscrevi-me para fazer o exame na 1º chamada, mas estou com alguma dificuldade em fazer </TT><TT>o trabalho prático, </TT></FONT></FONT><TT><FONT face=courier size=4>pelo que não sei se o entregarei no dia 7 de Junho. Gostaria de saber </FONT><FONT face=courier><FONT size=4><EM><STRONG>se, apesar de fazer o exame neste dia, poderei entregar o trabalho, sem penalizações, no dia 7 de <BR>Julho, dia do exame da 2º chamada</STRONG>?<BR></EM>Obrigada pela sua disposição.<BR>Aguardo a sua resposta.<BR></FONT></FONT></TT><TT><STRONG></STRONG></TT></P>
<P align=left><FONT face=courier><FONT size=4><TT><STRONG>Resposta:</STRONG> </TT><TT><EM><STRONG>Pode entregar o trabalho prático na 1ª ou na 2ª chamada </STRONG>independentemente da sua inscrição.</EM> </TT><TT>Não se esqueça que o deve entregar apenas nesse espaço de tempo e, de preferência, pessoalmente.</TT><TT>Também poderá enviá-lo via E-mail (<STRONG><EM>sem ficheiros de imagens tipo jpeg ou gif</EM>) </STRONG></TT><TT>até 24 horas após o final da 2ª chamada (17h) para:</TT></FONT></FONT></P><PRE><TT><a href="mailto:jpneves2004@yahoo.com.br" rel="noopener"><FONT face=courier size=4>jpneves2004@yahoo.com.br</FONT></A></TT></PRE><PRE></STRONG><TT></TT><FONT face=times size=4> </FONT></PRE>
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Terça-feira, 1 de Junho de 2004

Aula excepcional de esclarecimento de dúvidas para o exame – 28 de Maio de 2004

Universidade do Minho Sociologia – 1º ano – Metodologia das ciências sociais


Aula excepcional de esclarecimento de dúvidas para o exame – 28 de Maio de 2004 – das 11.30-13.30h


1. Objectivo do teste


2. Estrutura do teste


3. Exemplos de perguntas e respectivas respostas


 


1. Objectivo do teste de avaliação – o que se vai avaliar?


Partindo de uma investigação sociológica concreta (ver o estudo que está nas fotocópias), os alunos terão de ser capazes de ver os efeitos práticos das diversas opções epistemológicas e metodológicas dadas nas aulas teóricas (“óculos” teóricos) apresentando argumentos plausíveis. Deve, por isso, seguir o modelo das aulas práticas nomeadamente os diálogos-conversas entre autores.


2. Estrutura do teste


O teste será constituído por dois grupos (o exame na totalidade tem no mínimo duas perguntas, no máximo quatro). O primeiro grupo incide sobre os autores clássicos (até Alfred Schütz). Já o segundo abrange os autores posteriores a Schütz ou a partir de Lazarsfeld (não sai Bourdieu). Deve-se salientar que há uma articulação entre a forma de colocar o problema (epistemologia), e a forma de o resolver (metodologia). Numa primeira fase estamos perante a construção de um olhar e numa segunda fase passamos à verificação.


3. Exemplos de perguntas e respectivas respostas


1ª Pergunta:


Exemplo de uma investigação que tinha esta questão de partida: Quais as causas do absentismo dos estudantes do primeiro ano da universidade? Citação: “Os docentes punham inconscientemente a hipótese do absentismo assentar inteiramente na falta de vontade ou de maturidade dos estudantes. [...] Aos olhos dos estudantes, com efeito, o seu absentismo estava ligado às qualidades do docente.” ↓ Como é que Durkeim e Weber veriam, em termos de investigação social, estas hipóteses formuladas por estes autores sociais?


Resposta:


Devemos em primeiro lugar reformular a pergunta, ou seja, simplificá-la. Nunca se deve responder automaticamente obedecendo a um primeiro impulso. E, acima de tudo, não tentar enganar o professor com “palha”, ou seja, cópia em massa dos apontamentos.


A resposta tem necessariamente duas partes – a primeira sobre o comentário de Durkheim e a segunda sobre o ponto de vista de Weber. Vamos responder apenas à primeira parte.


1ª - Durkeim - terei de escolher as partes da matéria que se adequam à pergunta. A pergunta deverá ser reformulada: como é que Durkeim encara o conhecimento dos autores sociais e os seus efeitos na pesquisa? No texto da citação, o investigador recolhe o senso (o sentido dado à acção) mais ou menos comungado dos autores. (A partir do momento em que a questão está bem re-formulada, pode-se dizer que temos quase a resposta certa – é meio caminho andado).


Nesta fase, ainda está a fazer a ruptura com a forma ingénua de ver. Ele ainda não tinha passado para a etapa “3”, uma vez que existem três fases: 1=Ruptura; 2=Construção; 3=Verificação.


Para Durkheim, estas opiniões emitidas por actores são desconsideradas, visto que, os actores têm visões parciais, não isentas e subjectivas e, é exactamente devida ao seu carácter subjectivo que Durkeim defende uma ruptura com o senso-comum. Por detrás desta opção está a sua visão da ciência social. Ele pensava a sociologia como uma ciência semelhante às ciências da natureza.


2ª Pergunta


Citação: “A nossa pergunta de partida incidia sobre o absentismo dos estudantes do primeiro ano. Para lhe responder formulamos a hipótese segundo a qual o comportamento do estudante se inscreve numa estratégia racional. Esta racionalidade implica a existência de uma relação lógica entre o seu comportamento, as características das cadeiras e as regras do jogo no ensino.” Segundo a Etnometodologia, a sociologia deve-se preocupar fundamentalmente com os processos sociais. Como é que a Etnometodologia comentaria a opção descrita no texto anterior?


Resposta:


Deve-se traduzir para a nossa linguagem fazendo uma reformulação da pergunta. Reformulação da pergunta: Para a Etnometodologia, o comportamento dos actores insere-se numa estratégica racional, numa relação lógica entre meios e fins?


Do ponto de vista da Etnometodologia são muito mais importantes os efeitos e as descrições dos actores do que a racionalidade externa e abstracta. Assim, neste caso a Etnometodologia nunca colocaria como hipótese uma racionalidade à priori. Por isso, nunca poderá descrever exteriormente e externamente o comportamento do estudante. Apenas poderá descrever e confrontar o que ele diz e o que ele faz. Esta redução da sociologia à descrição não se deve à incapacidade do investigador, deve-se à importância da “duração”. A partir do momento em que concebemos um tempo qualitativo e não espacializado, abandonamos o modelo de conhecimento fora dos contextos (valorizamos o conhecimento prático das etnias-grupos – as Etno Metodologias pragmáticas dos actores sociais).


Texto de:


 Nancy Alves Pereira, Aluna do 1º ano de Sociologia, Universidade do Minho 

*Janeiro 2011

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