Terça-feira, 23 de Março de 2004

Quadro resumo dos autores clássicos em Sociologia

Quadro resumo dos percursores e fundadores da Sociologia

[baseado em: Raymond Aron, Les étapes de la pensée sociologique, Paris, Gallimard, 1967]

Nome

Principais obras e ano de publicação

Principais conceitos

Montesquieu

(Charles de Secondat, Baron de La Brède)

(1689-1755)

► Considerações sobre as causas da grandeza dos Romanos e da sua decadência (1734).

► Do espírito das leis(1748).

 

Filosofia política. Tipologia dos regimes. Teoria da decadência. Crítica do despotismo e da monarquia absolutista. Uma definição célebre: "As leis, no seu sentido mais amplo, são relações necessárias que derivam da natureza das coisas".

Comte

(Auguste)

(1798-1857)

► Curso de filosofia positiva (1830-1842).

► Discurso sobre o espírito positivo (1844)

► Sistema de política positiva ou Tratado de Sociologia instituindo a Religião da Humanidade (1851-1854).

Ordem social. Lei dos três estados. Positivismo. O mundo físico e a história humana mostram-se directamente àquele que "sabe". Perspectiva evolucionista.

Marx

(Karl)

(1818-1883)

► Miséria da filosofia (1847).

► Manifesto do Partido Comunista (1848).

► O dezoito brumário de Luís Bonaparte (1852).

►O Capital. Crítica da economia política (1867).

Materialismo dialéctico. Teoria do valor-trabalho, da mais-valia e da alienação. Luta de classes, modos de produção. Historicismo.

Tocqueville

(Charles Alexis Clérel de)

(1805-1859)

► Democracia na América (1835)

► O Antigo Regime e a Revolução (1856).

Teoria da democracia pluralista. Reflexões sobre “a igualdade de condições”. Método comparativo.

Durkheim

(Émile)

(1858-1917)

► Divisão do trabalho social (1893)

► As regras do método sociológico (1895).

► O Suicídio, estudo sociológico (1897).

► As formas elementares da vida religiosa (1912).

 

 

Teoria do facto social. Determinismo: «cada um de nós acredita que obedece apenas a si mesmo, mas não passa de um boneco submetido às forças colectivas». Princípio da diferenciação (da solidariedade mecânica à solidariedade orgânica). Problemática da integração (e da anomia).

Pareto

(Vilfredo)

(1848-1923)

► Os Sistemas socialistas (1903).

► Manual da economia política (1906).

► Tratado da sociologia geral (1916).

►A Transformação da Democracia (1921).

Tema da circulação das elites. Classificação dos diferentes tipos de acção. Colocação em evidência dos resíduos e das derivações. Teoria das ideologias.

Weber

(Max)

(1864-1920)

► A ética protestante e o espírito do capitalismo (1920).

► O cientista e o político (1921).

► Economia e sociedade (1922).

► Ensaios sobre a teoria da ciência (1922).

Ética da responsabilidade e ética da convicção. Tipo-ideal. Individualismo metodológico. Estudo do processo de racionalização. Análise da burocracia, das seitas protestantes, do profetismo, da modernização.

Simmel

(Georg)

(1858-1918)

► Os problemas da filosofia da história. Um estudo de epistemologia (1892).

► Filosofia do dinheiro (1900).

► Sociologia (1908).

 

Sociologia «formal». Uma ideia central: a do relativismo. Conceito de interacção. Crítica das interpretações «realistas». Campos de interesse muito diversos: moda, arte, segredo e fidelidade.

In Gilles Ferréol e outros, Exercices d’analyse sociologique, Paris, Armand Colin, 1992, p. 9

Traduzido por Sílvia Poças (aluna do 1º ano do Curso de Sociologia – Universidade do Minho)

23 de Março de 2004                                                                                                  

Quinta-feira, 4 de Março de 2004

Uma resposta possível às perguntas do exame de Metodologia de 13 de Fevereiro de 2004

Metodologia das Ciências Sociais

1º ano do Curso de Sociologia da Universidade do Minho
 

Uma resposta possível às perguntas do exame de Metodologia das Ciências Sociais realizado em 13 de Fevereiro de 2004 [aula prática de 25/2/2004]
 

Pergunta nº 1
 

Kuhn: Olha, o que tu dizes é muito interessante, porque vai de encontro ao facto de eu também ter feito história da ciência. Normalmente, os historiadores da ciência estão mais preocupados em fazer uma história do passado a partir do presente. No entanto, não concordo com esta forma de fazer história da ciência.
Depois de acabar o meu doutoramento em Física Teórica resolvi tirar um curso em História da Ciência. Para minha grande surpresa, descobri que a evolução da Física não era linear. Os cientistas modernos não sabem propriamente mais do que os antigos. A razão que leva os cientistas a escolher uma teoria não é o seu eventual grau de verdade. Descobri que os cientistas eram estruturalmente preguiçosos, escolhem ligações entre factos já muito experimentadas. Tendem a utilizar uma regra geral e a aplicá-la a situações cada vez mais específicas.
Mais tarde, aparecem rupturas. Acontece que um número cada vez maior de observações não encaixa na articulação existente, nas leis gerais antigas. Estas anomalias observadas começam a acumular-se, obrigando os cientistas a criarem novas formas de articulação que permitam dar continuidade ao trabalho de investigação. No entanto, este processo não é nada consensual: cria rupturas entre os cientistas afastando a ideia de uma linha contínua na procura da verdade. Ou seja, a história da ciência nunca deve ser feita como uma história em que o presente é o ponto de comparação numa lógica de progresso incrementalista, como se os antigos fossem ignorantes e os modernos fossem os sábios.
 

Pergunta nº2
 

Popper: Tens toda a razão. De facto a Física Moderna diferencia-se de outras pseudo-ciências - tais como o marxismo, a psicologia, a quiromancia, a astrologia - pelo facto de estar permanentemente aberta às críticas e ter uma prática generalizada de tentar encontrar erros nos trabalhos dos colegas.
Mas a minha tese vai um pouco mais longe: defendo a ideia de uma forma ideal de fazer ciência que corresponde ao que Einstein fez. O verdadeiro cientista deve admitir que a sua teoria é temporariamente verdadeira (hipotética), podendo a qualquer momento ser substituída por outra forma de articular as observações, que agregue aquilo que contradiz a articulação anterior. O importante aqui é o facto de Einstein ter a humildade de admitir que bastava uma observação empírica não confirmar a sua teoria, apenas uma. A partir desse momento, ele estaria pronto a abandonar a sua teoria geral.

Kuhn: Eu estava aqui ao lado e ouvi o teu argumento, caro Popper. Acho interessante a tua forma de pensar. Quem me dera que as coisas, nas ciências, se passassem assim, mas infelizmente o Einstein é uma “ave” rara. Eu, como Físico Teórico, gostaria imenso que as coisas se passassem dessa forma. Contudo, observei algo completamente diferente – vi os cientistas a funcionar numa lógica de tribo, admitindo muito dificilmente o erro. Tu acusaste-me de ser demasiado relativista, de retirar à ciência a possibilidade de descobrir como as coisas são. Dava a impressão que para mim, não havia fronteiras entre a ciência e a não ciência. Ora, não foi esse o meu objectivo pois fui muito modesto: apenas observei o que os cientistas faziam na prática, sem querer definir um modelo ideal à priori. Até certo ponto, produzi uma logia, uma interpretação menos antecipatória - menos filosófica e mais sociológica - do que fazem as comunidades (os socius) dos cientistas, ou seja, uma sociologia das ciências.
 

Texto recolhido por Francelina Neiva, aluna do 1º ano de Sociologia, Univ. Minho
 

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