Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

Texto de apoio à Aula teórica nº 4 - 2 de Novembro de 2005 - David Hume: biografia e principais conceitos

 

 


 


David Hume: biografia e principais conceitos


 


Filósofo e historiador britânico (1711-1776), nascido na Escócia, cuja filosofia – através da influência de Berkeley –, desenvolveu a doutrina de Locke, e chegou a um total cepticismo. Precisamente esta atitude céptica seria o ferrão que mais tarde acordaria Kant do "sonho do dogmatismo".


 


Vida e obras


 


Veio de uma família da pequena burguesia proprietária escocesa. No princípio, a sua família quis que estudasse leis, e inclusive comércio, mas no final tiveram que o deixar livre para seguir o que constituía a sua grande ambição: a filosofia. Naqueles anos, a obra filosófica de Locke e as teorias de Berkeley constituíam temas de discussões animadas. Depois de finalizar os seus estudos, decidiu viajar para dilatar o horizonte das suas ideias, e assim o encontramos na Flèche (França), onde, à sombra de Descartes, redigiu sua Treatise of Human Nature (em 1734 publicou os dois primeiros livros e em 1740 o terceiro) mediante o qual esperava atingir grande fama. Mas esta obra, considerada hoje como seu trabalho mais importante, passou despercebida, apesar do Compêndio que publicou em 1740 que tratava de tornar mais exequíveis as suas ideias. Durante a sua estadia em França, nasceu uma grande amizade com Rousseau, que, no entanto, terminou mal. Lutou por uma cátedra na universidade de Edimburgo, mas não a conseguiu devido à oposição do ambiente eclesiástico ortodoxo. Voltou a França, desta vez como secretário do general Saint-Clair. Em 1752, quando regressou à Grã-Bretanha, foi nomeado bibliotecário na Advocacia de Edimburgo. Entretanto ia reelaborando a matéria do Tratado; nasciam assim Phylosophycal Essays concerning Human Understanding (1748), que junto com Enquiry concerning the Principles of Morals (1751) constituirão a sua obra mais divulgada. Em 1752, apareceu a fazer Discursos políticos. Escreveu também Four Dissertations (1757), das quais a mais importante foi The natural history of religion. History of England (1754-61), recebida com ataques por todos os sectores, Dialogues concerning natural religion, foi uma obra publicada postumamente (1779). Depois de uma penosa doença levada com inteireza de ânimo, morreu em Edimburgo, a mesma cidade onde tinha nascido.


 


O que é o conhecimento?


 


A primeira preocupação de Hume, igual à de Locke, é a investigação em torno das ideias. Como um empirista, chega a esta conclusão: tudo o que contém a nossa mente é constituído por percepções. O grau de intensidade com que estas se manifestam na nossa mente estabelece uma distinção: as percepções poderão ser impressões e ideias.


As impressões, percepções básicas, são captadas imediatamente e a elas pertencem as sensações, as emoções e as paixões.


As ideias, por sua vez, são cópias ou representações esvaídas das impressões na mente e guardam certa semelhança com as impressões, pois em realidade vêm a ser imagens mentais geradas pelas mesmas.


Por outro lado, as impressões também podem ser simples (as que não admitem distinção nem separação) e complexas (aquelas que admitem divisões).


Consequentemente também terá ideias simples e complexas.


Por exemplo: a impressão que nos causa a percepção de um estalo, é uma impressão simples, e a ela se seguirá uma ideia simples.


No entanto, ao escutar uma sinfonia, teremos uma impressão complexa (a variedade de notas musicais), que a sua vez, evocará uma ideia complexa. É possível, ademais, distinguir impressões que são sensação, as que provem dos sentidos externos, e impressões que são reflexão, as produzidas pelo exercício interno da mente. Com o acumular de ideias que é capaz de "criar", assimilar e arquivar a mente, elaboramos o conjunto de pensamentos e raciocínios humanos.


A infinidade de ideias que a mente humana pode elaborar, cabe agrupá-lo em três modalidades: relações, modos e substâncias.


Por relações, Hume entende todas aquelas associações susceptíveis de comparação, e que são: a semelhança, a identidade, a relação de lugar e tempo, a quantidade, os graus de qualidade em comum para dois objectos, a oposição e a relação causa-efeito. Só quatro dessas relações são capazes de nos proporcionar conhecimentos verdadeiros: as de semelhança, oposição, graus na qualidade e quantidade ou número. Isto supõe que somente a matemática será capaz de nos proporcionar conhecimentos verdadeiros.


Os modos e as substâncias são agrupamentos de ideias simples que a imaginação une e às quais se lhes pode atribuir um nome diferenciador.


 


A relação causa-efeito


 


O que habitualmente se entende como relação de causa e efeito, Hume o explica como a constatação de que um determinado fenómeno segue a outro. Mas nunca experimentamos esse acontecer em sua realidade, simplesmente o vemos. Pretende mostrar assim que a causalidade é uma "relação de ideias" que nos faz notar a contiguidade nos fenómenos. Isto equivale a dizer, em outro sentido, que a ciência sobre os fenómenos naturais está baseada em "crenças" – ideia que terá grande repercussão [será o problema de Hume] – afirmadas em nós mesmos pelo costume de observar repetidamente um fenómeno concreto como posterior a outro fenómeno causal. Vêm a ser as verdades de facto, segundo a classificação de Leibniz.


Fácil é concluir de aqui que a ciência experimental tem que se basear na observação. Desta maneira fica formulado o princípio do empirismo: qualquer pensamento que elabora a nossa mente procede da experiência, dado que toda ideia verdadeira procede da impressão.


 


A ideia de substância e do eu


 


Já que a ideia de substância não provém de uma impressão concreta, também não podemos possuir a ideia da mesma. A ideia tradicional de substância fica reduzida em Hume a "uma colecção de ideias simples unidas pela imaginação".


Só há qualidades e ideias dessas qualidades, como já tinha dito Berkeley; não se dá esse algo mais, a substância, que as suporte. Mas Hume vai mais longe do que Berkeley ao negar a validez objectiva ao eu, o espírito, o qual não passa de ser um conjunto de percepções variadas. Por isso afirmará – e nisto recolherá a ideia de Locke – que se vê obrigado a acreditar no eu, mas sem saber na realidade o que é.


 Ética e religião


Hume nega a existência de uma "razão prática" e a possibilidade de uma fundamentação racional da ética. O objecto da moral (paixões, desejos e acções) não é susceptível desse acordo ou desacordo entre as ideias sobre as que se baseiam o verdadeiro e o falso. Se a razão não pode ser a fonte do juízo de valor, terá que o procurar no sentimento, que surge espontâneo em nós perante acções susceptíveis do que consideramos valoração moral. A análise deste sentimento revela que é uma forma de prazer ou de "gosto". Isso leva-o a excluir da moral todo o rasto de austero moralismo ou de mortificação da alma ou do corpo, porque o fim da moral é a felicidade e o gozo de viver do maior número de homens possível. Igualmente duro se mostra Hume ante o problema religioso. Menospreza a pretensão das provas da existência de Deus, e nega sua existência apelando ao problema do mal no mundo. A religião tem sua origem no sentimento de medo da gente e na ignorância das causas dos eventos terríveis da natureza. No seu livro História natural da religião, defende uma evolução a partir do politeísmo, até chegar à ideia abstracta da divindade própria das religiões monoteístas.


 


Influência histórica de Hume


 


Hume exerceu grande influência nos iluministas franceses e alemães. Basta recordar a dívida que Kant diz ter contraído com o cepticismo de Hume, no que identificou o famoso "acordar do sonho dogmático". A sua influência, no entanto, decaiu, pelo menos no continente europeu, por causa das críticas de superficialidade que a filosofia romântica fazia contra o empirismo. Mas continuou muito viva em Inglaterra, e exerceu bastante influência nos Estados Unidos. A verdadeira aceitação histórica de Hume, no entanto, começou no final do século XIX, com a revalorização do Tratado, cujas teses influíram directamente no neopositivismo.


 


Traduzido do espanhol por José Pinheiro Neves em 1 de Novembro de 2005


 


Este texto foi retirado do seguinte site:


 


http://www.antroposmoderno.com/word/bio_hume.doc


 

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