Terça-feira, 29 de Novembro de 2005

Resumo da aula teórica nº 8 de 29 de Novembro de 2005

Universidade do Minho


Curso de Sociologia – 1ºano - Metodologia das ciências sociais – Docente: José Pinheiro Neves


Resumo da aula teórica de 29 de Novembro de 2005


(3ªs, 14h – 16h – A3 – Comp. 1).


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•     Nesta aula, iremos deixar para trás  os debates sobre a ciência (Primeira parte do programa) entrando no debate em torno duma questão simples que pode ter quatro respostas: como é que os sociólogos definem a ciência social? Ou seja, entramos na segunda parte do programa.


(Deixamos em suspenso uma outra divisão que atravessa a sociologia: a natureza da sociedade - integração/conflito).


Nesta segunda parte iremos encontrar quatro respostas principais. Nesta aula, farei um resumo dessas soluções que serão aprofundadas nas aulas até Março de 2006.


•      1 – A ciência social é um prolongamento da ciência empírica surgida com Newton nos séculos XVII-XVIII – Durkheim e Marx.


•      2 – A ciência social caracteriza-se por ser de um tipo especial adoptando em parte esse modelo da ciência empírica e sendo, por outro lado, subjectiva – Weber, Simmel (parcialmente), Giddens e Bourdieu.


•      3 – A ciência social é totalmente diferente da ciência exacta implicando um conhecimento de tipo fenomenológico - Schütz.


•      4 – Por fim, uma resposta, baseada na sociologia do conhecimento científico, que diz que o problema está mal colocado nas duas últimas respostas. Não se trata de pensar em termos de oposição ou dualismo epistemológico. A natureza do conhecimento nas ciências sociais é semelhante à das ciências exactas [Simmel, Gabriel Tarde, Michel Foucault e Bruno Latour].


 


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1 – A ciência social é um prolongamento da ciência empírica surgida com Newton nos séculos XVII-XVIII – Durkheim e Marx.


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•     Durkheim propõe uma solução clara: para evitar que a sociologia se transforme numa filosofia especulativa, é necessário encarar os fenómenos sociais como se fossem estrelas.


 


•     E aplicou esta estratégia a um fenómeno extremamente subjectivo: o suicídio. Encarou esse fenómeno da mesma forma que um astrónomo olha para as estrelas. Procurou descobrir regularidades/concomitâncias, leis.


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2 – A ciência social caracteriza-se por ser de um tipo especial adoptando, em parte, o modelo da ciência empírica e sendo, por outro lado, subjectiva – Weber, Simmel (parcialmente), Giddens e Bourdieu.


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O pensamento de Max Weber só pode ser entendido como uma das vozes emergentes, bastante original, no debate filosófico na Alemanha em finais do século XIX, que era atravessado pelo seguinte dilema:


de um lado, os defendiam ser a história e os processos sociais explicados por regularidades nomotéticas que permitiam uma análise científica;


do outro, os que pensavam a história e os fenómenos sociais como uma adição de fenómenos únicos e individualizados (a opção ideográfica).


 


Weber, inspirado em Kant, sugere-nos o ideal-tipo como solução para o debate entre uma ciência social individualista e particular (na linha duma história descritiva) e uma ciência social positivista demasiado nomotética, preocupada, na linha por exemplo do marxismo, em descobrir leis gerais científicas.


  


•    Para Weber, a solução passaria pela formulação de tipologias ideais que funcionariam simultaneamente como elementos com carácter nomotético, sendo por isso aplicáveis a múltiplas situações concretas. Também teria características ideográficas, pois seria uma tipologia baseada em situações históricas, em espaços de tempo determinados.


 •     Aparentemente, esta solução corresponde a uma tentativa de Weber para dar uma resposta satisfatória a um debate que atravessava a filosofia e, naturalmente, a sociologia alemã. Simmel e Schütz, mais tarde, tornarão mais clara esta hesitação weberiana.


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•    3 – A ciência social é totalmente diferente da ciência exacta implicando um conhecimento de tipo fenomenológico – Alfred Schütz.


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•     Schütz procura, em áreas próximas da sociologia, nomeadamente na filosofia, resposta aos problemas levantados por Weber.


•     Por um lado, em Husserl ( a ideia de consciência) e, por outro, em Henri Bergson (tempo-fluxo e memória). 


 


a) •       A Husserl, vai buscar o conceito de consciência, na linha de uma filosofia fenomenológica.


 


O ponto de partida de Husserl é a consciência humana, nomeadamente a procura da essência dessa consciência, aquilo que ele designa pelo ego transcendental (Ritzer, 1993: 367-368). Esta palavra transcendental não se inspira no conceito metafísico ou mentalista de consciência.


"Para ele, a consciência não é uma coisa nem um lugar, mas sim um processo. A consciência não se encontra na cabeça do actor, mas sim na relação entre o actor e os objectos do mundo" (Ibid.: 368).


Estamos, portanto, perante uma consciência entendida como algo relacional que produz a significação dos objectos do mundo.


Esta orientação geral levou os fenomenólogos a, em primeiro lugar, adoptarem descrições dos processos sociais tal como são experimentados pelos seres humanos. E, em segundo lugar, a opor-se a um intuicionismo vago, afirmando a possibilidade de um estudo rigoroso das estruturas básicas da consciência (Ibid.: 368-369)


 


 Esta opção implica a necessidade de ultrapassar a visão natural dos actores, através de uma espécie de desconexão, ou o que Husserl designava por redução fenomenológica, para, mais tarde, descobrir os aspectos fundamentais da consciência, as suas propriedades invariantes (Ibid.: 369). Estes dois pontos de partida – consciência humana como processo e estudo rigoroso da estrutura da consciência – constituem os pontos de consenso entre Schütz e Husserl.


 


b) •      Em segundo lugar, inspira-se também (e parece-me de uma forma mais decisiva) em Bergson ao propor um estudo do social a partir da sua noção de duração  [tempo-fluxo] e memória.


 


Numa leitura rápida de obra de Schütz, o conceito bergsoniano de duração, que surge logo no início da sua obra, poderá não assumir uma grande importância.  


 



Schütz coloca o problema da significação como dependente deste fluxo, da duração qualitativa do tempo.


O salto que vai da vivência do fluxo à significação não é um caminho fácil de ultrapassar. Pelo contrário, transforma-se no eixo central de toda a reflexão de Schütz.


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•    4 – Por fim, uma resposta, baseada na sociologia do conhecimento científico, que diz que o problema está mal colocado.


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Não se trata de pensar em termos de oposição ou dualismo epistemológico. A natureza do conhecimento nas ciências sociais é semelhante à das ciências exactas [Simmel, Gabriel Tarde, Michel Foucault e Bruno Latour].


 


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Bibliografia fundamental


 


•    Ritzer, George (1993), Teoría Sociológica Clásica, Madrid, McGraw-Hill.

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