Terça-feira, 13 de Dezembro de 2005

Resumo da aula teórica nº 10 de 13 de Dezembro de 2005

  Universidade do Minho Curso de Sociologia – 1ºano – Metodologia das ciências sociais – Docente: José Pinheiro Neves

•      Resumo da aula teórica de 13 de Dezembro de 2005 (3ªs, 14h – 16h – A3 – Comp. 1).


•      Nesta aula, iremos ver a resposta de Georg Simmel (sociólogo alemão) a esta questão simples:  como é que os sociólogos definem a ciência social?



•      Sumário:


 


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1 . Biografia de Georg Simmel (1858-1918).


•   2 . Síntese das suas principais ideias filosóficas


•      3. As suas principais obras


•      4. O que é a sociologia e qual o seu objecto?


•      5. A questão epistemológica e metodológica em Simmel


•      6. Exemplos práticos dados por Simmel 


•      7. CONCLUSÃO: a diferença em relação a Weber


 •      1 . Biografia de Georg Simmel (1858-1918).


•      Filósofo e sociólogo alemão, nascido em Berlim, onde também estudou, e a partir de 1900 leccionou filosofia. Passou a ser professor em Estrasburgo em 1914, vindo a falecer ao final da Grande Guerra, quando a cidade passou a integrar a França.


•      In http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y660.htm



•      1858 - 1 de marzo. Nace Georg Simmel en Berlín, como el último de siete hijos en el seno de una familia de confesión protestante y de orígen judío. El padre, procedente de Silesia, era un próspero comerciante que falleció cuando Georg era aún niño. Un amigo de la familia, propietario de una editorial especializada en música, fue nombrado su tutor. Con su madre no tenía una relación muy íntima y, al parecer, la falta de armonía familiar causó en el joven sentimientos de inseguridad y marginación. 1870-1876. Georg estudia bachillerato en el Friedrich-Werder Gymnasium. 1876. Ingresa a la Universidad de Berlín, donde estudia Historia, Filosofía, Psicología de los pueblos, Historia del Arte e Italiano Antiguo con algunas de las figuras mas importantes de la época, como los historiadores, Mommsen, Treitschke, Sybel y Droysen; los filósofos Harms y Zeller, el historiador del arte Hemann Grimm; los antropólogos y fundadores de la Psicología de los pueblos: Lazarus y Steinthal, y el Psicólogo Bastian.  1881. Simmel obtiene el grado de doctor con la tesis Das Wesen der Materie nach Kants Physischer Monadologie (La esencia de la materia según la monadología física de Kant). Antes de eso, el tribunal rechazó su tesis original, Estudios psicológicos y etnológicos sobre el orígen de la música, pieza que sin embargo contiene elementos programáticos de su propio pensamiento. 1885. Comienza la época como Privatdozent, la categoría de profesor sin sueldo fijo y cuya remuneración sólo consiste en las inscripciones de los estudiantes en sus cursos. Simmel imparte cursos sobre Kant, Schopenhauer, Darwin y Nietzsche, entre muchos otros. A menudo, durante un sólo año académico ofrece cursos desde metafísica hasta a cerca de las últimas tendencias en Sociología. Goza de una enorme popularidad y sus clases pronto se convierten en un verdadero acontecimiento intelectual, no sólo para los estudiantes, sino para toda la elite intelectual de Berlín1890. Simmel se casa con Gertrud Kinel, una escritora que se destacó con varias obras bajo el seudónimo de Marie-Luise Enkendorf (Vom Sein und Haben der Seele -El ser y el tener alma- 1906, Realität und Gesetzlichkeit im Geschlechstleben - Realidad y legalidad en la vida de los sexos - 1910, Über das religiöse - A cerca de lo religioso - 1919). 1901. Georg Simmel obtiene el gado de profesor no numerario (ausserordentlich), una posición mal paga, y que aún no le permite participar en los asuntos de la comunidad académica. No obstante, Simmel es en aquel momento una verdadera eminencia cuya fama sobrepasa las fronteras de Alemania. Ha publicado ya seis libros y más de setenta artículos, muchos de ellos traducidos al inglés, francés, italiano, polaco y ruso. Además, participa activamente en la vida cultural de Berlín, frecuentando los círculos más importantes. Junto con Max Weber y Ferdinand Tönnies funda la Sociedad Alemana de Sociología. 1911. Obtiene un grado de doctor por la Universidad de Friburgo, en Brisgovia. Pese a los repetidos esfuerzos de sus amigos, Max Weber, Heinrich Rickert, Edmund Husserl y Adolf von Hartnack, Simmel es una y otra vez rechazado como profesor ordinario1914. Finalmente consigue un puesto como profesor numerario en la Universidad de Estrasburgo. Esta suerte es especialmente trágica, porque el nombramiento coincide con el comienzo de la Primera Guerra Mundial, y la situación fronteriza de Estrasburgo involucra a esta ciudad de manera especial en los acontecimientos bélicos, de modo tal que gran parte de las aulas de la universidad se convierten en improvisadas salas de hospitales de campaña.  1915. Tras la muerte de Wilhelm Windelband y Emil Lask, pertenecientes a la planta docente de la Universidad de Heildelberg, quedan dos plazas vacantes y Simmel no duda en solicitar su ingreso a esta universidad, pero también esta vez la petición es denegada1918 - 26 de septiembre. Muere Georg Simmel de un cáncer de hígado.


•      In:


•       http://www.catedras.fsoc.uba.ar/rubinich/biblioteca/biografias/bio_simmel.htm 


•      2 . Síntese das suas principais ideias filosóficas


•      “Defende um neokantismo relativista, com aspectos de filosofia da cultura e da vida apelando a uma teoria pragmática da verdade e a um a priori histórico.  O relativismo neokantiano teve como seu principal representante inicial Georg Simmel (1858-1918). Simmel interpretou o a priori kantiano como sendo de natureza psicológica, relativa e histórica. O processo cognitivo é vitalista. O sistema filosófico é uma intuição da vida, que como um todo, ou como mundo, é um ímpeto, que nunca se satisfaz, nunca tem forma definitiva. Tal como Dilthey, Simmel defende que em cada época aparecem diferentes ideais filosóficos e religiosos. Por isso, também as filosofias e as religiões variam. Não há, pois, filosofias e religiões definitivas. A filosofia tem sua própria história, e a verdade é relativa a cada época. O critério da verdade torna-se pragmático e a moral é apenas uma ciência descritiva.Nestas alterações, defende-se uma profunda reforma do kantismo, quase como que saindo dele.


•      Encaminhou-se também Simmel na direcção da sociologia, tratando de saber como a sociedade é possível. Aprofundou a sociologia das formas sociais, as quais seriam independentes do conteúdo.


•      In http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y660.htm


 


•       Simmel defendeu a existência de três níveis na sociologia


•      1- Sociologia pura o nível micro é o mais importante


•      "Nesta área, as variáveis psicológicas combinam-se com as formas de interacção. Ainda que seja claro que Simmel defendeu que os actores têm capacidades mentais criativas, prestou pouca atenção a esse aspecto. O seu trabalho mais microscópico centra-se nas formas que adopta a interacção, assim como nos tipos de pessoas que se envolvem nessa interacção. Essas formas incluem a subordinação, a supra ordenação, o intercâmbio, o conflito e a sociabilidade. No seu trabalho sobre os tipos, distinguia entre posições  nas estruturas de interacção tais como "o competidor", a "coquete" e orientações em relação ao mundo tais como "avaro", o "gastador", o "estranho" e o "aventureiro"" (301).


 


•      2 - Nível intermédio


•      A sociologia geral "trata dos produtos culturais e sociais da história do homem. Aqui, Simmel manifestou o seu interesse pelos fenómenos de maior escala como os grupos, a estrutura e a história das sociedades e culturas.


•      3 - Nível macro


•      Finalmente, na sua sociologia filosófica, tratou das perspectivas da natureza básica e o destino inevitável da humanidade" (301).


•      (in George Ritzer, Teoría Sociológica clásica, Madrid, McGraw-Hill, 1993).


 


•       3. As suas principais obras


 


•      Obras principais:


•      Diferenciação social (Soziale Differenzierung, 1890);


•      Introdução à ciência moral (Einleitung in die Moral Wissenschaft, 2 vols. 1892-1893);


•      Problemas da filosofia da história (Die Probleme der Geschichtsphilosophie, 1892);


•      Filosofia do dinheiro (Philosophie des Geldes, 1900);


•      Kant, 1904;


•      A religião (Die Religion, 1906);


•      Schopenhauer e Nietzsche (Schopenhauer und Nietzsche, 1907);


•      Sociologia (Soziologie, 1908);


•      Cultura filosófica (Philosophische Kultur, 1911);


•      O conflito da cultura moderna (Der Konflikt der modernen Kultur, 1918);


•      Intuição da vida; quatro capítulos metafísicos (Lebensanschauung; vier metaphysische Kapitel, 1918), importante para compreensão do sistema de Simmel;


•      Sobre filosofia da arte (Zur Philosophie der Kunst, 1922);


•      Fragmentos e exposições (Fragmente und Aufgabe, 1923)”.


 


•      In http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio/novo/2216y660.htm


 


 


•      4. O que é a sociologia e qual o seu objecto?



•      A tensão entre mais-vida e mais-que-vida: o problema da sociologia Ao mesmo tempo que Weber procurava uma solução epistemológica para a sociologia emergente, Simmel, que aparentemente poderia ser considerado um seu continuador, apontava para caminhos diferentes. Simmel inseria a sociologia num processo civilizacional que encarava com uma atitude de suspeita. O núcleo que fundamenta este pensamento, o problema básico que a sociologia, nesta perspectiva, terá de resolver não é o conhecer objectivamente os factos sociais – uma definição científica fora do tempo e do espaço —, mas sim saber como é que a sociologia se insere na formação da sociedade moderna. Ora, no século XIX, o facto dominante é o poder prático que alcançaram as massas e os objectos massificados (técnicos) em relação ao indivíduo. E é apenas neste âmbito que faz sentido a construção do objecto da ciência sociológica. Ou seja, o ponto de partida de Simmel é no essencial de tipo ontológico.  Na verdade, o seu ponto de partida é o antagonismo entre a criação subjectiva dos actores e as formas exteriores que, por todo o lado, emergem como estranhas    Em Simmel, o importante é esta corrente quotidiana, o acontecimento da vida na sua capacidade de se transcender, quer dizer, de criar mais-vida evitando assim o perigo da mais-que-vida ligado aos objectos.     Há um antagonismo entre a capacidade criativa (mais-vida) em que nos transcendemos e, por outro, a existência objectiva de formas de objectos que, após a sua criação, se transformam em algo exterior a nós (mais-que-vida).      Por isso, a sociologia deve pensar este intervalo, este no meio que vai da vida e da corrente criativa, ao exterior, ao reificado. Para evitar esta reificação, Simmel define um princípio ontológico    Uma maneira de resistir fazendo sociologia: os níveis mais abstractos dependem sempre dos indivíduos nas suas formas de socialização concretas – aquilo que ele designava por princípio da emergência     Mas, por outro lado, embora tomando como ponto de partida o concreto, o dia-a-dia, o movimento constante de signos, acções, desejos, evita a armadilha da individualização; a sociologia não pode ficar reduzida a uma psicologia micro que isolaria unidades mínimas sem as pensar em relação a este exterior. Evitar a armadilha do pensamento psicológico individualizado.     Para evitar estes dois perigos — macro e abstracta ou concreta e individualizada —, Simmel concebe a sociologia como uma espécie de geometria social que estuda as formas das interacções e os tipos de pessoas envolvidos mas sem ficar enredado numa ambição epistemológica representacional, uma imagem dogmática do pensamento.      Estas formas servem para tentar entender o porquê do surgimento desta monstruosidade chamada sociedade moderna    Assim, as formas poderiam ser de subordinação, supra-ordenação, intercâmbio, conflito e sociabilidade.      Os tipos sociais, por seu lado, tenderiam a organizar-se em torno de dois pólos.      No primeiro, teríamos as posições tais como o competidor, a coquete     Num segundo pólo, as orientações em relação ao mundo: o avaro, o gastador, o estranho e o aventureiro (Ritzer, 1993: 300-305).

 


•      5. A questão epistemológica e metodológica em Simmel


 •      Neste momento, Simmel posiciona-se em relação a algo exterior: o debate da filosofia alemã acerca do carácter nomotético ou ideográfico das ciências da cultura. Será que cada processo social é único, exigindo uma explicação e compreensão próprias? À primeira vista, a solução apontada por Simmel assemelha-se bastante ao sugerido pelo seu amigo Max Weber. Contudo, podemos considerar que a hesitação de Weber se intensifica em Simmel... •      Uma afirmação de Simmel mostra que há algo que se desloca no seu pensamento e, por arrastamento, na sociologia: "não pode distinguir-se entre a pura socialização e o fenómeno real total, com a sua complexidade" (Ibid.: 26). Será que podemos dizer que Simmel se afasta um pouco do célebre ideal-tipo weberiano? •      Na verdade, a ambição de Weber está muito próxima de uma geometria de formas puras, algumas das quais se assemelham imenso à proposta de Kant. No entanto, como vimos atrás, em Weber não existe uma conceptualização óbvia e indiscutível acerca deste tema. Simmel, pelo contrário, defende uma posição clara e diferente: o processo de criação das formas não deve assentar num a priori fora da experiência. Sugere um nome para este processo: procedimento intuitivo. •      Trata-se de "uma disposição particular do olhar, graças à qual se realiza a cisão entre a forma e o conteúdo" (Ibid.: 26). Como exemplo de aplicação deste método intuitivo, vejamos o fenómeno da pobreza. Segundo ele, este fenómeno pode ser olhado a partir de três pontos: como existência individual; como forma de interacção; ou, finalmente, como conteúdo expresso objectivamente na economia, na técnica, etc. •      Ora, a tendência da sociologia, ao pensar em tipos ideais, tal como parece ser defendido por Weber, centra-se na obtenção de uma imagem única que compreenda todos estes três níveis. Além disso, há uma tendência para se valorizar o nível mais abstracto. •      Em vez disso, Simmel sugere que a sociologia, embora tenha a interrogação kantiana como guia, deverá estar consciente que a apreensão dessas formas nunca será uma geometria social assente em modelos do tipo cognitivo. Vejamos, em pormenor, a argumentação de Simmel. •      No estudo da natureza, a dicotomia de Kant entre sujeito e objecto permitiu-lhe, aparentemente, construir os objectos através da mediação das formas do nosso intelecto. Estas formas a priori constituem a base dos invariantes do mundo. Portanto, o conhecimento da natureza passa pela investigação das formas que constituem a essência do nosso intelecto, produzindo assim um conhecimento da natureza (Ibid.: 38). •      A pergunta fundamental de Kant – como é possível a natureza? – é respondida, inicialmente, afirmando o carácter construído do mundo. Na verdade, diz Simmel, "aquilo a que nós damos o nome de natureza é uma maneira particular que tem o nosso intelecto de reunir, ordenar e dar forma às sensações. Estas sensações «dadas» (cores e gostos, sons e temperaturas, resistências e odores) que atravessam a nossa consciência na sucessão casual do acontecer subjectivo, não são todavia «natureza», mas aparecem como tal, mediante a actividade do espírito, que as combina, convertendo-as em objectos e séries de objectos, em substâncias e propriedades, em relações causais" (Ibid.: 38). •      Ou seja, as impressões recebidas pelos nossos sentidos, embora sendo subjectivas (são uma possibilidade que depende não só da nossa característica humana que valoriza, por exemplo, o sentido da visão em detrimento do olfacto e apesar do carácter aleatório do fluxo contínuo de sensações) convertem-se, num golpe de mágica, em objectos, são objectivadas ao serem apreendidas, criando-se "uma imagem coerente da natureza" (Ibid.: 38). •      Simultaneamente, para Kant, aquelas impressões continuam a ser algo não passível de ser transformado em objecto. Esta última parte da reflexão kantiana tende a ser menosprezada, pois remete para uma impossibilidade.•      Voltando à face positiva de Kant, Simmel interroga-se: será que a investigação das formas na sociedade poderia ser tratada de modo semelhante ao sugerido por Kant? Na verdade, existem parecenças entre a natureza e a sociedade: "também neste caso nos são dados elementos individuais, que em certo sentido subsistem diferenciados, como as sensações, e só chegam à síntese da sociedade através de um processo de consciência que coloca em relação o ser individual de cada elemento com o de outro, sob formas determinadas e seguindo determinadas regras" (Ibid.: 38). •      A solução mais positiva de Kant aplicada à sociedade pode talvez ser considerada como a via adoptada por Weber. É exactamente neste momento que Simmel, em vez de se assumir como um neokantiano, nos propõe uma outra aproximação. De facto, existe uma diferença essencial entre a sociedade e a natureza: a segunda permite o sujeito que a contempla, ao passo que a sociedade, "sendo composta de elementos conscientes que praticam uma actividade de síntese, realiza-se sem mais e não necessita de nenhum contemplador" (Ibid.: 39). •      Repare-se bem na expressão usada por Simmel: a unidade social é composta por elementos conscientes que se realizam sem mais, num tempo imediato. E essa imediatez do tempo, essa duração intensiva do tempo, torna impossível a contemplação externa que permite a criação de um sujeito separado de um objecto. Por outras palavras, o sujeito a o objecto existem numa relação transdutiva (numa individuação) que não pode ser restrita apenas ao processo de conhecimento do social. •      Situa-se aqui a fenda que separa Simmel de Weber. Sendo possível distinguir em Simmel um distanciamento relativamente à face mais científica de Kant, em Weber parece haver, pelo contrário, como que uma nostalgia dessa relação científica entre um sujeito e um objecto.


 


•      6. Exemplos práticos dados por Simmel


 


•      "A sociedade existe ali onde vários indivíduos entram em acção recíproca. Esta acção recíproca produz-se sempre devido a determinados instintos ou para determinados fins. Instintos eróticos, religiosos ou simplesmente sociais, fins de defesa ou ataque, de jogo ou aquisição, de ajuda ou ensino, e infinitos outros, fazem com que o homem se ponha em convivência, em acção conjunta, em correlação de circunstâncias com outros homens; ou seja, que exerça influências sobre eles e, por sua vez, as receba deles.



•      A existência de estas acções recíprocas significa que os portadores individuais daqueles instintos e fins, que os moveram a unir-se, converteram-se numa unidade, numa 'sociedade'. (...)


•      Aquela unidade  ou socialização pode ter vários graus, segundo a classe e intimidade que tenha a acção recíproca;


•      desde a união efémera para dar um passeio, até à família;


•      desde as relações a prazo, até ao pertencer a um Estado;


•      desde o convívio fugitivo num hotel, até à união estreita que significavam as corporações medievais.


•      Ora bem: eu chamo conteúdo ou matéria da socialização, a tudo quanto exista, nos indivíduos (portadores concretos e imediatos de toda a realidade histórica), capaz de originar a acção sobre outro ou a recepção das suas influências; chame-se instinto, interesse, fim, inclinação, estado ou movimento psíquico.


•      Em si mesmas estas matérias com que se enche a vida, estas motivações não são todavia algo social.


•      […] ... a socialização é a forma, de diversas maneiras realizada, na qual os indivíduos, tendo como base os interesses sensuais ou ideais, momentâneos ou duradouros, conscientes ou inconscientes, que impulsam causalmente ou induzem teleologicamente, constituem uma unidade dentro da qual se realizam aqueles interesses" (Simmel, 1977: 16-17).


 


•      7. CONCLUSÃO: a diferença em relação a Weber


 


•      Há uma ideia feita que é necessário combater: a de que Simmel partilha da clássica divisão sugerida pelos filósofos neokantianos alemães que, em finais do século XIX, defendiam a natureza compreensiva das ciências da cultura por oposição ao carácter explicativo das ciências da natureza. Ora, esta afirmação não corresponde à verdade. Tal como diz o próprio Simmel, a diferença entre as ciências da natureza e as ciências da cultura não é assim tão grande. •      Existe "um sentido ainda mais fundamental" (Ibid.: 41) que remete para a natureza de qualquer conhecimento, seja ele do mundo cultural seja ele do mundo natural. Não estamos apenas perante um problema metodológico específico das ciências da cultura, mas sim perante um problema de índole ontológica que atravessa todo o conhecimento do mundo. •      Levando o pensamento de Simmel até aos seus limites, não se pode falar de um sujeito que contempla um objecto do qual vai construindo algo teórico, "mas sim numa situação em que a consciência da socialização é imediatamente a que sustenta e encerra o seu sentido interno" (Ibid.: 43 [itálicos da minha responsabilidade]). E esta simbiose é verdadeira nos dois campos científicos: na cultura e na natureza.•      Há também uma outra grande diferença em relação a Kant, de tal forma que não se pode dizer que Simmel é apenas um prolongamento de Kant no campo do social. De facto, as formas de socialização que actuam a priori não podem ser confundidas com as formas a priori de Kant. •      No caso de Simmel, estamos perante axiomas muito gerais inspirados no modo como Newton formulou os seus princípios. A consciência do social (eu diria, forçando um pouco o texto de Simmel, a consciência do mundo) tem como ponto de partida três a priori muito simples:


•      primeiro, a consciência de uma pessoa é condicionada por modificações de estrutura, algo de gestáltico (Ibid.: 43);


•      segundo, cada elemento de uma sociedade é também, até certo ponto, algo fora dela (Ibid.: 46);


•      e, por fim, o terceiro acentua os elementos desiguais, assimétricos, que atravessam a sociedade (Ibid.: 52).


 


•      Em conclusão, Simmel não se limita a copiar Kant. Se, no essencial, Weber transporta a solução de Kant para o estudo da sociedade, no caso de uma leitura restrita de Simmel esta solução não é possível.


•      O pressuposto kantiano não poderia ser aceite visto que existiria uma diferença essencial entre a sociedade e a natureza.


 •      “É que esta última [a natureza] – no pressuposto kantiano aqui aceite – somente se produz no sujeito que contempla, só se engendra por obra do sujeito que a produz com os elementos sensoriais desconexos; ao passo que a unidade social, sendo composta de elementos conscientes que praticam uma actividade sintética, realiza-se sem mais e não necessita de nenhum contemplador. Aquela afirmação de Kant, segundo a qual a relação não pode residir nas coisas, é produzida pelo sujeito, não pode ser aplicada às relações sociais, que se realizam imediatamente, de facto, nas «coisas», que são, neste caso, as almas individuais" (Ibid.: 38-39).


 •      A minha tese implica que se force a escrita de Simmel: também no conhecimento da natureza se processa uma actividade sintética em que o contemplador e o objecto contemplado interagem numa relação transdutiva. Poderíamos dizer que a resposta de Simmel ao problema kantiano é mais radical, constituindo o elemento de ruptura em relação a Weber.


 •      Para Simmel, a separação entre o sujeito contemplador e a natureza externa aparece como sendo impossível no social (eu diria que também é impossível no natural), pois o contemplador – o sujeito – é parte da coisa estudada. E, para além disso, essa coisa realiza-se imediatamente, impedindo não só o distanciamento espacial mas também a própria ideia de um tempo do contemplador fora do tempo do contemplado – Simmel está quase a sugerir que a ideia de tempo linear das ciências exactas terá de ser substituída por uma noção mais qualitativa na linha de Bergson e de Nietzsche.


 •      Insisto: a posição de Simmel não se pode resumir a um mero problema metodológico ou epistemológico. É mais do que isso: a questão da forma, ou seja, o como é possível conhecer o mundo, está intimamente ligada ao que se conhece, àquilo que se pode dizer sobre ele com o carácter de verdade. •      O que Simmel sugere é muito simples: a partir do momento que a solução de Kant (que esteve na base do abafamento da dúvida/suspeita de David Hume e, parcialmente, da hesitação de Francis Bacon) é posta em causa, abre-se o caminho, por agora apenas nas ciências sociais, para um mar de possibilidades que aparentemente poderão ser repudiadas em nome de um representacionismo epistemológico. •      Com Simmel, aprofunda-se a fenda no chão fundador e estabilizador em que assenta o edifício kantiano. Parece ser isto que Simmel quer acentuar: se o contemplador está imerso na coisa contemplada (algo que também acontece, como veremos mais à frente, nas ciências da natureza), então o problema essencial da sociologia é aprender a lidar com essa fenda, criando outros conceitos, sendo um criador científico no mundo. •      Ora, a partir do momento que se aceite a ruptura proposta por Simmel, os efeitos atravessam também o uso que fazemos das palavras para descrever o mundo social. Teremos oportunidade de sublinhar a afinidade de Simmel com correntes sociológicas recentes, embora cerca de cem anos os separem: a teoria do actor-rede e, também, a ideia transdutiva do social desenvolvida por Foucault, Deleuze e Simondon. Serão duas as afinidades essenciais entre o raciocínio de Simmel e estes autores.


 


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