Terça-feira, 28 de Março de 2006

Resposta à questão do Bergson - Nicolau, Ana Margarida e Miguel

Construo uma linha, e dela quero somente retirar uma ou varias parcelas, e com essas pequenas partes quero construir um mundo isolado de recordações. Sonho este em que vivo onde da vida podemos retirar as coisas que achamos que não nos fazem falta, e que atrapalham o nosso futuro, porque estão presas ao nosso passado.
Se a nossa vida é um ciclo continuo, se é impossível apagar seja o que for, em que o minuto que nos antecede vai influenciar o segundo seguinte que vai condicionar o milésimo futuro, sinto-me tentado a pensar que, ao dividir a nossa vida em pequenas parcelas temporais, podemos, de alguma forma, esconder dos outros o que fizemos, mas jamais podemos retirar, de dentro de nós, as marcas desse espaço tempo.
Viajo, e volto ao meu sonho onde o tempo não existe, e onde tenho somente medo de acordar, e voltar a viver condicionado por relógios, pelo tic-tac constante, que me obriga a calendarizar todos os meus passos.
Mas ainda estou no sonho e a realidade confunde-me, porque tudo é ficção. Contudo, a mistura de cores que ocorre dentro de mim recorda-me o meu passado, e intromete-se com o meu futuro, condiciona o sorriso de alguém, como se de realidade se tratasse, onde é impossível separar-me de tudo o que se passou lá atrás, onde tenho a capacidade de decidir o que quero, e sinto-me preso ao surrealismo das palavras que digo agora sem querer, e dou por mim outra vez preso num sonho, onde a vida flúi ao sabor de uma leve brisa que se transforma em tempestade quando do céu soa o alarme de um qualquer despertador. Este traz-nos de volta à realidade, onde estamos condicionados pelo sonho, que faz parte da nossa linha temporal completamente povoada por pequenos sinais de transito que nos permitem avançar ou parar a cada estimulo sentido no presente. Mas sinto que existe mudança, que o agora não é igual ao ontem, mesmo sabendo que o ontem vai condicionar o meu presente, pois o ontem esta mesmo aqui ao meu lado, é o segundo que passa, é cada palavra que deixo aqui escrita. Mesmo que pare a olhar para o quadro da minha parede, mesmo sabendo que ele não vai alterar um milímetro a sua posição, que as cores não se vão voltar a misturar, e que cada traço vai permanecer no mesmo sitio, a minha visão dele agora já não e igual ao que vi a um pouco. Sinto que mais importante que a variação espaço-tempo, que ocorre nas nossas vidas e que não podemos controlar, é a visão que guardámos dentro de nós do que vimos no passado. Se caminhar dentro do meu quarto de olhos vendados, eu sei que não vou embater em nada, porque recordo a posição de cada objecto, da mesma forma que se voltar agora a olhar para o quadro, ele vai ser igual áquilo que vi há pouco, mas sei que isso só é possível porque construí uma imagem sólida dele dentro de mim (petrificada, reificada) que me ajuda a reconstruir, sempre que olho para ele, a mesma imagem a partrir de uma ausência. Quero voltar a ser criança, e poder pensar que um simples pau pode ser uma arma, pode ser uma nave espacial, quero voltar a sonhar, poder caminhar despreocupado com o tempo, quero ser Peter Pan, fugir para a terra do nunca, onde o maior inimigo, até do senhor mau e o tempo.
Estou outra vez preso no sonho, no sonho que é a vida, onde a única diferença que do verdadeiro sonho existe é o relógio, porque a condição de existência entre um e outro é a mesma, a mistura do ontem com o hoje.
Mas, de olhos abertos, a fantasia é diferente, porque olhamos para o relógio e pronunciamos ontem, enquanto que no desassossego nocturno do sono, o ontem, o agora e o futuro são uma mistura de vida, que afinal nada mais é que a verdadeira vida, sem diferença baseada numa espacialização temporal, sem a organização translúcida que nos afasta lamentavelmente do acontecimento vivido.
Nicolau Roque nº47831
Ana Margarida Neto nº47835
Miguel Azevedo nº47794
1º ano de Sociologia da Universidade do Minho

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