Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003

Textos criados em 2002/03 nas aulas práticas de Metodologia - 2º turno

2º Turno - 16-18h




Diálogo entre Popper e Hume



Popper: Ainda bem que te encontro. Tenho andado a pensar no teu problema e acho que te posso ajudar


Hume: Obrigado. Mas diz lá como.


Popper: Dividi o teu problema em duas partes, problema lógico e problema psicológico. O teu problema, do ponto de vista psicológico, não tem solução. Se calhar, não me estou a explicar bem. Com a palavra psicológico quero dizer existencial, ou seja, não tem a ver com as tuas características psicológicas individuais, mas sim com uma espécie de dúvida demasiado gestáltica. O teu problema tem cabimento mas, infelizmente, não temos tempo para o resolver ou, pelo menos, não nos interessa, para já, resolver esse assunto. Por isso resolvi olhar só para o problema lógico.

Hume: Então, qual foi a conclusão a que chegaste acerca do problema lógico?

Popper: É necessário encontrar uma solução e não ficar só pelo problema. Tu colocavas o problema ao Newton, desta forma: “Como é que eu posso ter a certeza que a tua lei se aplica a todos os casos, mesmo aqueles que tu não observaste?” Tu levantaste o problema mas esqueceste-te de dar a solução! Ora, acho que tenho a solução. Eu consegui dar a volta ao problema porque, na verdade, o problema não tem solução e se ele não tem solução, temos de retardá-lo ao máximo. Se o teu problema fosse uma espécie de doença incurável, o que é que teríamos de fazer? Teríamos de conviver com o problema minimizando-o ao máximo.




Diálogo entre Popper e Kuhn


20/12/2002


Kuhn: Olá Popper, estás bom?

Popper: Tudo bem!!!

Kuhn: Estive a ler os teus livros e achei-os interessantes, mas acho que poderias ter sido mais claro.

Popper: Como assim?

Kuhn: Eu tirei o doutoramento em física e em seguida resolvi tirar uma pós-graduação em história das ciências e fiquei admirado porque o que encontrei não era o que eu esperava. De facto, o que eu esperava encontrar era uma história tal como diziam os manuais escolares. Além disso, comecei a ficar preocupado porque o que me diziam os meus colegas, sobre a história da ciência, não era totalmente exacto. Depois, comecei a pensar: porque é que mais ninguém fala disto? Tentei encontrar outras descrições parecidas, com a minha, e apenas encontrei algum apoio entre os historiadores da ciência, porque os filósofos andavam distraídos a distibguirem entre "boa" e "má" ciência, e os sociólogos tratavam a ciência como se fosse uma actividade sagrada não sendo passível, como actividade, de um estudo sociológico. A minha tese é simples: baseado nos dados históricos e nos meus conmhecimentos científicos percebi, com um espanto enorme, que a evolução da ciência se fazia na base de revoluçõesem que um paradigma (uma forma global de pensar a realidade) destronava outro, tornando-se dominante. O paradigma aqui não é uma teoria, é sim uma forma gestáltica de ver o mundo: “um exemplo é o que se passa entre a teoria da gravidade de Newton e a teoria da relatividade de Einstein”.

Popper: Mas então chegas a uma conclusão relativista e perigosa: já não há ciência, vale tudo e tudo é relativo. É isso?

Kuhn: Não é. O que quis mostrar não foi o critério ideal da ciência, estilo o D.Quixote da ciência - tal como tu fazes. Eu apenas mostrei, usando exemplos da história da ciência, como é que uma forma de fazer ciência predomina sobre outra. Ao contrário do que diziam os meus colegas, não se trata de dizer que uma descobre melhor a verdade, mas sim que uma forma permite resultados mais eficazes, permite encaixar melhor as peças do puzzle. É por isso que sendo tu o D. Quixote, eu sou como o Sancho Pança: apenas quis descrever aquilo que via com os meus olhos de físico, seguindo a ideia de Hume.







Docente responsável pela leccionação:
José Pinheiro Neves
email: jpneves2004@yahoo.com.br

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