Terça-feira, 13 de Abril de 2004

"A nossa consciência normal do tempo" Henri Bergson

"Aquilo que demonstra concretamente que a nossa concepção ordinária da duração tende a uma invasão gradual do espaço no domínio da consciência pura, é o facto de, para arrancar ao eu a faculdade de perceber um tempo homogéneo, ser suficiente retirar-lhe essa capa mais superficial de factos físicos que ele emprega como reguladores". "O sonho coloca-nos precisamente nestas condições, porque o sonho, ao reduzir o jogo das funções orgânicas, modifica especialmente a superfície de comunicação entre o eu e as coisas exteriores. Então não medimos a duração, mas sentimo-la; de quantidade passa ao estado de qualidade; a apreciação matemática do tempo transcorrido deixa de fazer-se, cedendo o lugar a um instinto confuso, capaz, como todos os instintos, de cometer grosseiros desprezos e também às vezes de proceder com uma segurança extraordinária". "Inclusive no estado de vigília, a experiência diária deverá ensinar-nos a estabelecer a diferença entre a duração-qualidade, aquela que a consciência alcança de modo imediato, a de que provavelmente se apercebe o animal, e o tempo por assim dizer materializado, o tempo feito quantidade por um desenvolvimento no espaço. No momento em que escrevo estas linhas, soa a hora num relógio vizinho; mas o meu ouvido, distraído, não se apercebe dela até que já soaram vários toques; mas no entanto não as contei. E, não obstante, basta-me um esforço de atenção retrospectivo para fazer a soma dos quatro toques que já soaram, e juntar-lhes os que oiço. Se, entrando em mim mesmo, me interrogo então cuidadosamente sobre o que acaba de ocorrer, dou-me conta que os primeiros quatro sons haviam alcançado o meu ouvido e inclusive comovido a minha consciência, mas as sensações produzidas por cada um deles, em vez de justapôr-se, haviam-se fundido uns nos outros, de tal modo que dotavam o conjunto de um aspecto próprio, de tal modo que faziam dele uma frase musical. Para avaliar retrospectivamente o números de toques, tratei de reconstruir essa frase mediante o pensamento; a minha imaginação fez soar um toque, logo dois, logo três e quando cheguei ao número exacto de quatro, a sensibilidade, consultada, respondeu que o efeito diferia qualitativamente. Havia comprovado, portanto, a sucessão dos quatro toques dados, mas de forma muito diferente da adição e sem fazer intervir a imagem de uma justaposição de termos distintos. Em poucas palavras, o número de toques foi percebido como qualidade, e não como quantidade; a duração apresenta-se assim à consciência imediata e conserva esta forma enquanto não cede o lugar a uma representação simbólica, extraída de extensão". "... distinguimos duas formas de multiplicidade, duas apreciações muito diferentes da duração, dois aspectos da vida consciente. Por debaixo da duração homogénea, símbolo extensivo da autêntica duração, uma psicologia atenta distingue uma duração cujos momentos heterogéneos se penetram; por debaixo da multiplicidade numérica dos estados conscientes, uma multiplicidade qualitativa; por debaixo de eu em estados bem definidos, um eu em que a sucessão implica fusão e organização. No entanto, nós contentámo-nos na maioria das vezes com o primeiro, ou seja, com a sombra do eu projectada no espaço homogéneo. A consciência, atormentada por um insaciável desejo de distinguir, substitui o símbolo à realidade, ou só percebe a realidade através do símbolo. Como o eu, assim reflectido, e também subdividido, se adequa melhor às exigências da vida social em geral e à linguagem em particular, ela prefere-o e perde paulatinamente de vista o eu fundamental". Henri Bergson, Essai sur les données inmédiates de la conscience, Paris, PUF, 39ª Ed., 1889, pp. 94-96

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