Sábado, 5 de Junho de 2004

Arquivo Aulas Práticas Metodologia - 2º Sem - 2º Turno 10 e 17/03/2004

 

Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais – 1º ano – Curso de Sociologia da Universidade do Minho - 17/03/2004





Guião do texto:


 



  • Argumento de Durkheim: -> Encarar o “socius”, a consciência colectiva, como coisa física, como se fosse um objecto que afecta coercivamente as acções e os pensamentos dos seres humanos.
  • Argumento de Weber: -> As ”coisas” sociais não são tão coisas como parecem. E porquê? Porque as ”coisas” sociais dependem da perspectiva, maneira de ver, percepção, compreensão. Ou seja, dependem do significado ou do sentido que dou à minha acção ou conduta.

 


Duas frases incorrectas:</span>
Weber estuda a acção social.
</span></p>

A grande separação, na dimensão natureza das ciências sociais, é o carácter mais ou menos integrador da sociedade</span></p>


Diálogo imaginário entre os sociólogos  Émile Durkheim e Max Weber: </span></i></font></font></p>

 Weber: Olá, amigo e colega Durkheim. Na minha opinião, as ”coisas” sociais, não são tão coisas como parecem, porque dependem da perspectiva, da maneira de ver, da percepção, da interpretação, compreensão, ou seja, do seu significado ou sentido para o actor social.


Para mim, o essencial não é o facto de me sentir “chateado”, de me sentir pressionado pelo outro (socius) ou pelos outros num outro, ou dos outros em mim (como tu mostraste muito bem na tua obra “O suicídio. Um estudo sociológico”). Nesse teu trabalho pioneiro de investigação, tens razão naquilo que dizes, mas estás a concentrar-te em algo que não é essencial, embora qualquer um de nós o experimente diariamente.


Até certo ponto, pode dizer-se que és um pouco míope. A tua visão tem pouco alcance porque ficas apenas pelas primeiras impressões, ou seja, ficas por algo que, embora seja muito fácil de sentir, reduz o alcance da tua “logia” a uma lógica quase de tipo automático, como se os humanos reagissem tipo “cobaias” de experiências científicas. Muitos humanos, em situações limite, reagem assim mas há uma imensa maioria de situações em que isso não se passa. As alavancas que fazem andar a sociedade, por ti pensada, não têm em conta estes acidentes.


Os ditos acidentes consistem no facto dos “factos” sociais passarem sempre pela CPU Humana (Unidade Central de Processamento nos computadores que, nos humanos, se designa habitualmente por cérebro e suas extensões). Ora, esta mediação constitui um acidente notável que tu infelizmente ignoras.


É por isso que insisto na questão do sentido: a sociedade é sempre mediada, as “coisas” sociais são sempre mediadas pelos sentidos que os actores dão aos seus actos. De acordo com o que diz o Vítor, é necessário formular sempre uma pergunta essencial: como é que tu te sentes nesta situação de pressão social, de coerção social? Qual a tua leitura desta coerção e qual a forma como essa leitura se reflecte na tua acção? Foi essa a questão que formulei quando estudei a relação entre a opção religiosa e as transformações económicas que permitiram o desenvolvimento da sociedade capitalista moderna – “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.


Durkheim: Não concordo contigo, Weber, porque estás a entrar num terreno minado, numa zona muito fluida onde é impossível fazer estudos científicos. Estás a ser muito subjectivo: como é que posso conhecer o que se passa na mente de cada um? Essas soluções transformam a sociologia numa psicologia ou numa filosofia especulativa.


A sociologia existe porque a sociedade não se reduz à mera consciência individual; só assim é possível o estudo sociológico. Na verdade, podes perguntar ao sujeito social como é que ele se sente, ou, qual o sentido que ele dá à acção, mas por esse caminho acabas numa espécie de assistente social. Não parece ser esse o melhor caminho, para construir uma logia do social com carácter científico.


Por exemplo, para que é que me interessa conhecer as razões subjectivas e pessoais (podem ser tão diversificadas!) que levam certos indivíduos a suicidarem-se. Mais vale procurar noutro lado: há uma força social que os ultrapassa, que, no caso do suicídio anómico, se torna cada vez mais fraca, que vai perdendo o carácter coercivo. O nome dessa força é a consciência colectiva. No caso do suicídio anómico, esta força não funciona. Como diz o Vítor, a consciência colectiva em vez de arrastar o sujeito, o indivíduo, para o social normal integrado, transforma-se numa força fraca, permitindo, no limite, o acto do suicídio sendo por isso um indicador social, um sintoma de um processo social mais amplo.

Texto recolhido por: Francelina Neiva (Aluna do 1º ano de Sociologia da Universidade do Minho)






Dialogo entre Max Weber, e David Hume: Aula prática de 10/03/2004



 


 


 


Weber: Olá David Hume, tudo bem? Já que estás aqui gostava de entender melhor a razão que levou Kant a valorizar-te, de tal forma que o levou a despertar do sono dogmático.



Hume: Olha lá, eu não sou assim tão importante e até acho exagerado esse elogio do Kant. Eu no fundo quis mostrar que o conhecimento cientifico se baseia no inobservável. Quando se diz que a verdade é descoberta, usa-se uma metáfora física que se assemelha ao funcionamento do relógio: há qualquer coisa por detrás do observável (o mostrador do relógio esconde o mecanismo, o funcionamento do relógio com as suas molas e rodas) a que apenas o cientista tem acesso — o inobservável. Quando um cientista como Newton formula uma lei a partir de um conjunto reduzido de observações está a "pré — observar", a "pré — ver": Ou seja, Newton, no essencial não se distingue do olhar religioso ou da previsão de um qualquer feiticeiro de uma tribo africana.



Weber: Fascinante, que pena eu não te ter lido com mais atenção, no meu tempo as ciências exactas eram encaradas como incontestáveis, mas eu no fundo já partilhava da tua suspeita.. Pensava-se que no campo da física e da astronomia, somente havia interesse pelas "Relações quantitativas, susceptíveis de medições exactas, no campo das ciências sociais, pelo contrário, o que nos interessa é o aspecto qualitativo dos factos [....] Apesar de tudo, tais diferenças não são tão categóricas como à primeira vista poderia parecer". Max Weber, Sobre a teoria das ciências Sociais, Lisboa, Ed. Presença 1979, pp. 50-51







Texto recolhido por: Francelina Neiva (Aluna do 1º ano de Sociologia da Universidade do Minho)
</font>

 


 


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