Sábado, 5 de Junho de 2004

Arquivo das aulas práticas de Metodologia - 2º Semestre - 2003/04 - 1ºturno





Arquivo das aulas práticas de Metodologia - 2º Semestre - 2003/04 - 1º turno



10.III.2004



Aula prática de metodologia das ciências sociais



 


Diálogo entre Weber e David Hume



Weber — Olá, Hume! Explica-me lá uma coisa: afinal acreditas ou não na ciência?



Hume — Adopto uma posição intermédia ou agnóstica. Não sou contra a ciência; sou um céptico em relação ao alcance das generalizações efectuadas pela ciência moderna, nomeadamente de Newton. Vejamos o exemplo do peso. Nestas condições do planeta Terra os terráqueos acreditam que o seu peso é igual, independentemente do lugar. E mais: que é possível criar uma equivalência universal que funciona sempre da mesma forma, independentemente de cada caso concreto.



Weber — Esse assunto interessa-me e até posso dizer, que concordo parcialmente contigo. O meu ponto de partida é simplesmente: as ciências exactas, como a física e a astronomia "apenas despertam o nosso interesse pelas suas relações quantitativas, susceptíveis de medições exactas no campo das ciências sociais, se trata da intervenção de fenómenos mentais, cuja "compreensão" revivescente constitui uma tarefa especificamente diferente da que poderiam ou quereriam levar a cabo, as fórmulas do conhecimento exacto da natureza. No entanto, eu partilho da tua dúvida mas faltam-me argumentos para sustentar a minha intuição quando me refiro ao carácter exacto das ciências da natureza, porque "apesar de tudo, tais diferenças [entre as ciências sociais e exactas] não são tão categóricos como à primeira vista poderia parecer".



Max Weber, "Sobre a teoria das ciências sociais",Lisboa, Presença, 1979 (página 50/1)



 


17.III.2004



 


Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



Diálogo entre Durkheim e Weber



Argumento de Durkheim — encarar o "socius" como coisas físicas, como objectos concretos que nos afectam quase fisicamente, como se fossem "coisas".



Argumento de Weber — as "coisas" sociais não são tão coisas como parecem. E porquê? Por que as "coisas" sociais dependem da perspectiva. Ou seja dependem da maneira de ver, da percepção, da interpretação, da compreensão, do significado que damos às nossas acções ou condutas.



Diálogo



Durkheim — Olá, Weber! Não gosto muito dos subjectivismos, e sei que tu partilhas desta minha suspeita. E como definir esta suspeita? Para mim o social pode ser visto como algo de concreto que interfere quase fisicamente com as minhas acções por mais individuais e íntimas que sejam. Foi por isso que tive a brilhante ideia de escolher como meu primeiro objecto de estudo a acção mais pessoal, mais isolada e íntima que possa existir: nunca ninguém, que eu saiba, convidou os seus amigos para assistir ao acto de suicídio.



Weber — Meu caro Durkheim, não concordo com a tua suspeita. Até poderia dizer que a minha suspeita é exactamente contrária. Aquilo que tu chamas de "coisas" sócias, de carácter quase concreto, eu designo-as como algo virtual. Isto é, a minha maneira de ver as "coisas" sociais diverge da tua porque, embora sendo coercivos, os factos sociais não são externos, pois dependem da nossa apreensão, da forma como os vemos e entendemos, como eles nos afectam.



 


07.IV.2004



Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



Diálogo entre Weber e Bergson



Argumento de Bergson


A minha tese é agnóstica em relação à ciência social e ciência exacta. Nos dois casos, a concepção de tempo tende a ser espacializada. Evitam a "duração".



Weber — Olá, estás bom?



Bergson — Não, estou com uma grande dor de cabeça!



Weber — Eu também fiquei com uma grande dor de cabeça ao ler os teus textos. Acho a tua teoria muito confusa.



Bergson — Não há qualquer razão para ficar confuso. Quando defines sociologia, tu partes da ideia que só há uma forma de ver e sentir o tempo — o tempo representado num espaço. É um tempo medido espacialmente. Olha para o teu relógio! O que é que estas a fazer? Estás a medir o tempo, numa dimensão que não é o tempo. O tempo só pode ser apreendido de uma forma real, quando ele dura.


Tal como fez o Vítor (aluno do curso de Sociologia), todo o tempo, mesmo o mais reduzido é mudança constante. Portanto muito dificilmente o podemos medir e prender.


É como uma bola de neve. Por isso, não se trata de construir uma teoria de tempo mas ante de efectuar uma apreensão directa, real e concreta do tempo (uma espécie de conversão, traqnsformação em nós). Tal como fazem os povos primitivos, as crianças e os animais. Estes ainda não estão apanhados pela ilusão de tempo espacializado. Eu não estou a dizer que tu estás errado. Um sociólogo chamado Schütz vai aplicar esta ideia à tua definição da sociologia.


Talvez percebas melhor este problema colocando-o desta forma: o sociólogo, ao estudar o sentido subjectivo dos actores sociais, está também a navegar no dia-a-dia, na duração do tempo. Imagina que os actores sociais estão todos a fazer surf — como é que consegues fazer parar a onda para fazeres a tua descoberta objectiva do sentido subjectivo que o outro surfista dá à forma como se equilibra na onda. O sociólogo também está em cima da prancha, estando por isso na mesma situação do actor social.



 


 


 


 


31.III.2004



 


Aula Prática de Metodologia das Ciências Sociais



 


Diálogo entre uma Aluna do 1º ano do curso de Sociologia da Universidade do Minho e Henri Bergson (enontram-se no BA)



Bergson — Olá! Estou a escrever um livro sobre o tempo



Aluna — Muito interessante. Porquê escrever um livro sobre o tempo?



Bergson — Podemos pensar o tempo a partir da própria existência. Nós pensamos a existência como se pudesse ser compartimentada: agora estou no BA e a seguir estarei noutro sítio. Mas não basta dizer isto, porque há uma continuidade na mudança.



Aluna — Ora, se não estou a fazer uma coisa estou a fazer outra! Essa conversa da continuidade parece-me contrária com o que você disse no início. Então há mudança ou não? É contínua ou não?



Bergson — Deixe-me esclarecer uma coisa: o que eu disse atrás referia-se apenas a exemplos de uma forma "normal" de pensar a existência. Eu não acho que vida/existência esteja dividida em blocos. Por exemplo, a minha amiga pode fazer uma experiência muito simples: olha para uma caneta durante um segundo, debaixo do mesmo ângulo, com a mesma luz, do mesmo lado.



Aluna — Ora! Ora! É evidente que há mudança! Porque eu respiro, o meu sangue circula, mas além disso, eu lembro-me de uma frase de Heraclito que diz o seguinte "nunca te banharás na mesma água deste rio". Eu compreendo perfeitamente o que queres dizer: no primeiro momento em que olhamos para a caneta recebemos uma imagem através dos nossos olhos. A seguir, passado um momento, um fotograma (luz + marca), uma luz atravessa o globo ocular e vai impressionar uma parte do cérebro. Envelheceu um instante, há uma nova imagem desse objecto.



 


Texto recolhido por:



Mafalda Lourenço



(1º ano de Sociologia da Universidade do Minho - 2003/04)



 



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